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Denúncia no Magalu, payroll nos EUA, IPCA e o que move os mercados

No exterior, bolsas asiáticas fecharam a semana com quedas expressivas e mercado europeu recua; índices futuros dos EUA também operam no negativo

Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)

Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 10 de março de 2023 às 07h53.

Última atualização em 10 de março de 2023 às 09h20.

No exterior, o ambiente é de mau humor nos mercados. As bolsas asiáticas fecharam a semana com quedas robustas, como a bolsa de Hong Kong (Hang Seng) que fechou com queda de 3,04% nesta sexta-feira. Na Europa, onde os mercados estão abertos, não é diferente. A Bolsa de Madrid caía 1,86% e a de Londres, 1,87%, perto das 7h.

A sensação de temor dos mercados globais ganhou mais uma dose de tensão, agora vinda do setor bancário. Ontem, o assombro veio com a derrocada do SVB Financial, que é conhecido como o banco do Vale do Sílicio, onde ficam as gigantes techs norte-americanas. As ações do banco caíram mais de 60% após o anúncio de venda de US$ 1,75 bilhão em ações por causa de problemas de caixa.

Com esse cenário de fundo e o temor que riscos adicionais no setor bancário podem existir, os índices futuros americanos também estão em queda, refletindo a liquidação observada no setor financeiro ontem e a expectativa do mercado global com os números do mercado de trabalho nos Estados Unidos. O payroll com dados de fevereiro deve ser divulgado às 10h30 do horário de Brasília e desde ontem já era motivo de movimentação nos mercados.

No mercado doméstico, a expectativa segue em torno do arcabouço fiscal, que deve ser apresentado pelo governo na próxima semana. Enquanto isso, o mercado vai olhar para os dados de inflação, que o IBGE divulga às 9h de hoje. Ontem, o Ibovespa fechou em queda de 1,4%, com o mercado ansioso pelas novas regras fiscais. 

Desempenho dos indicadores às 7h (de Brasília):

Dow Jones futuro (Nova York): -0,60%
S&P 500 futuro (Nova York): -0,48%
Nasdaq futuro (Nova York): -0,10%
DAX (Frankfurt): -1,54%
CAC 40 (Paris): - 1,44%
FTSE 100 (Londres): - 1,87%
Stoxx 600 (Europa): - 1,47%
Hang Seng (Hong Kong): -3,04%

Divulgação do payroll nos EUA

As atenções dos investidores internacionais estarão no payroll, indicador que mostra a criação de novas vagas de emprego nos Estados Unidos. O payroll pode fornecer mais pistas sobre a direção dos juros nos EUA. Caso o mercado de trabalho esteja forte, é mais um sinal verde para que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) continue conduzindo um aperto monetário duro. No entanto, se o número vier abaixo do esperado, poderia ser um indicativo de moderação nas altas de juros. A expectativa dos analistas é que o indicador desacelere do patamar de 517 mil vagas em janeiro para a criação de 200 mil vagas em fevereiro.

Ontem, dados do Departamento do Trabalho mostraram que os novos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA tiveram alta de 21 mil e foram a 211 mil, na semana encerrada no dia 4 de março. 

IPCA de fevereiro

No Brasil, investidores ficam atentos ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do País. A inflação mensal deve acelerar de 0,53% em janeiro para 0,75% em fevereiro, segundo a Bloomberg. Se os dados vierem abaixo do esperado, o resultado pode ser um combustível para um possível corte na taxa de juros. O mercado já vem antecipando uma queda na Selic com a apresentação do novo arcabouço fiscal do governo Lula.

Balanços das varejistas

Na bolsa, investidores devem reagir aos balanços das varejistas Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3). A Via registrou de prejuízo de R$ 163 milhões no quarto trimestre, revertendo lucro de R$ 29 milhões no mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o resultado foi melhor que o esperado pelo consenso do mercado, que estimava um prejuízo de R$ 212,5 milhões no período, segundo a Refinitiv.

Mesmo com melhora operacional no quarto trimestre, a rede de varejo Magazine Luiza (MGLU3) não conseguiu melhorar a última linha do balanço. Registrou um prejuízo líquido de R$ 36 milhões, ante um lucro de R$ 93 milhões obtido no último trimestre de 2021. O resultado ajustado (que exclui fatores extraordinários), no entanto, mostra melhoria: passou de um prejuízo de R$ 79 milhões para R$ 15,2 milhões.

Denúncia de irregularidade no Magalu (MGLU3)

O Magazine Luiza (MGLU3) recebeu uma denúncia anônima sobre "supostas práticas comerciais em desacordo com o Código de Conduta e Ética" da companhia em operações com certos distribuidores e fornecedores. A denúncia menciona três distribuidores,os quais ao longo do exercício de 2022 representaram, aproximadamente, 3,5% do valor total de compra de mercadorias da companhia.

A receita líquida do Magalu cresceu 19%, para R$ 11,2 bilhões e o lucro bruto cresceu 30,6%, para R$ 3,09 bilhões. O grande detrator do resultado líquido da varejista foi mesmo o resultado financeiro. A despesa financeira cresceu nada menos que 129%, para R$ 568,8 milhões, refletindo o ambiente de juros elevados.

Embraer divulga balanço

A fabricante brasileira de aeronaves divulga nesta manhã seus números. No quarto trimestre, a Embraer (EMBR3) entregou 80 aeronaves no quarto trimestre de 2022, sendo 30 comerciais e 50 executivas (33 leves e 17 médias), como já havia divulgado em sua prévia operacional em fevereiro. A expectativa do mercado é de que a receita líquida da companhia no trimestre fique próxima dos R$ 2 bilhões. 

Ontem, a companhia anunciou que acertou uma linha de crédito de US$ 200 milhões com o Citibank para financiar fornecedores diretos no mercado americano. 

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