Com foco em reduzir dívida, Itaúsa fecha programa de recompra com R$ 130 mi investidos

Companhia tinha autorização para adquirir até R$ 2,5 bilhões em ações da própria emissão, mas escolheu diversificar
Itaúsa: desde o lançamento do programa, companhia investiu R$ 6,5 bilhões em Aegea, CCR e Alpargatas (Itaúsa/Divulgação)
Itaúsa: desde o lançamento do programa, companhia investiu R$ 6,5 bilhões em Aegea, CCR e Alpargatas (Itaúsa/Divulgação)
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Graziella Valenti

Publicado em 09/09/2022 às 19:31.

Última atualização em 09/09/2022 às 19:42.

O programa de recompra de ações lançado pela Itaúsa (ITSA4) em fevereiro de 2021 terminou no mês passado e a companhia adquiriu em bolsa apenas uma pequena fração do que poderia. Durante os 18 meses de vigência, a Itaúsa comprou 8,4 milhões de ações preferenciais e 3,5 milhões de ordinárias. No total, foram investidos cerca de R$ 130 milhões. Os papéis, segundo comunicado da empresa divulgado nesta sexta-feira, dia 9, ainda permanecem em tesouraria.

Quando lançou o programa, a Itaúsa, que está avaliada em R$ 83 bilhões na B3, abriu a possibilidade de recomprar até 250 milhões de ações, o que na época equivalia a pouco mais de R$ 2,5 bilhões.

As ações da Itaúsa tipicamente têm baixa volatilidade. Quando a recompra foi aprovada pelo conselho da empresa, em fevereiro de 2021, auge da euforia na bolsa, as ações preferenciais eram negociadas em torno de R$ 10,30. Hoje, após toda correção do mercado e as instabilidades no cenário macroeconômico nacional e internacional, os papéis estão cotados a pouco menos de R$ 9,50.

De lá para cá, a Itaúsa fez três movimentos relevantes no processo de diversificação de ativos, num total de quase R$ 6,5 bilhões: R$ 2,5 bilhões foram colocados na compra de uma fatia da empresa de saneamento Aegea, R$ 3 bilhões na aquisição de uma participação na CCR (CCRO3), junto com o grupo Votorantim, e R$ 800 milhões em aporte de recursos na controlada Alpargatas (ALPA4).

Esse volume total é cerca de metade (um pouco mais, inclusive) dos R$ 12,5 bilhões que a holding controladora do banco Itaú investiu em um grande programa de diversificação, que começou em 2016 e trouxe para o portfólio, além das já citadas, a companhia de gasodutos NTS e a Copa Energia. Os novos ativos se uniram à Dexco, a antiga Duratex — um negócio que está na companhia há diversas décadas.

Em recente entrevista exclusiva ao EXAME IN, o presidente da Itaúsa, Alfredo Setúbal, afirmou que por ora chega de novidades. O foco será amortizar dívida, feitas para financiar parte das aquisições, e rentabilizar (ainda mais) o negócio. Além de emissões de debêntures, recursos obtidos com a venda de ações da XP Investimentos compuseram os pagamentos. A expectativa é que os dividendos pagos por essas investidas se multipliquem por 3 ou 4 nos próximos anos.  Ao fim do segundo trimestre, período em que teve lucro líquido de R$ 3 bilhões, a Itaúsa tinha dívida líquida da ordem de R$ 3,5 bilhões.

A Itaúsa escolheu a dedo onde alocar capital, depois que o Banco Central deu um basta às consolidações realizadas pelo Banco Itaú (ITUB4), que segue crescendo, mas de forma orgânica agora. O objetivo dos investimentos? Criar novos "Itaús" em cada segmento escolhido, ou seja, grandes consolidadores.

Diante de uma baixa volatilidade de preços, portanto, uma execução comedida do programa de recompra (inferior a 5% do potencial) está em linha com a estratégia de diminuição da alavancagem. Até o momento, nenhum outro programa foi anunciado.