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Bovespa fecha em queda com deterioração do cenário político

O Ibovespa fechou em queda, revertendo os ganhos de novembro, em meio a persistentes incertezas políticas

Bovespa: em novembro, o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou perda de 0,7 por cento (Paulo Fridman/Bloomberg News)
DR

Da Redação

Publicado em 30 de novembro de 2015 às 19h41.

São Paulo - A Bovespa fechou com o seu principal índice em queda nesta segunda-feira, anulando os ganhos de novembro, em meio a persistentes incertezas políticas e preocupações com o quadro fiscal no Brasil e um viés negativo em mercados emergentes.

O Ibovespa caiu 1,64 por cento, a 45.120 pontos.

O giro financeiro totalizou 11,8 bilhões de reais. No exterior, o índice MSCI para mercados emergentes caía 1,38 por cento, endossando o movimento no pregão paulista.

No mês, o Ibovespa acumulou queda de 1,63 por cento, refletindo o aumento das preocupações políticas e fiscais, após os novos desdobramentos da operação Lava Jato, que resultaram na prisão do agora ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral (PT-MS) e do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, na semana passada.

Conforme destacou a equipe da Guide Investimentos, os eventos trazem consequências imprevisíveis, com eventuais delações premiadas, adicionando incertezas.

Até o dia 24, véspera das prisões, o Ibovespa acumulava alta de mais de 5 por cento no mês. Em nota a clientes pela manhã, o Credit Suisse destacou que, além dos potenciais desdobramentos na esfera política, dezembro começa com o governo federal correndo contra o tempo para aprovar a revisão da meta fiscal de 2015.

E isso ocorre, conforme notou a equipe do Credit Suisse, na esteira do aumento da expectativa de uma revisão do rating do país pela Standard & Poor's, que visita o Brasil nos próximos dias. O último pregão do mês ainda sofreu com o efeito do rebalanceamento do índice global MSCI e suas subdivisões, válido a partir do fechamento, com a saída de seis papéis do MSCI Brasil Index.

DESTAQUES

=JBS despencou 7,73 por cento, após reportagem da Folha de S.Paulo afirmar que o Tribunal de Contas da União encontrou indícios de que o apoio do BNDES à empresa de alimentos pode ter lesado o banco de fomento estatal em pelo menos 847,7 milhões de reais. =USIMINAS liderou as perdas do Ibovespa, com declínio de 12 por cento, a 2,2 reais, nível mais baixo desde meados de 2003, pressionada por relatório do Bank of America Merrill Lynch reiterando recomendação "underperform". O banco reduziu o preço-alvo da siderúrgica de 2,6 reais para 1 real. Os analistas do BofA também sustentaram perspectiva desfavorável para CSN, que recuou 6,46 por cento, mas sem alterar recomendação e preço-alvo. Também repercutiu na CSN anúncio de acordo que combinará a mina Casa de Pedra com a mineradora Namisa. A GERDAU fechou em alta de 1,16 por cento, após o BofA ter apontado a ação como a preferida do setor, apesar de ter reduzido o preço-alvo de 7,5 para 7,1 reais.

=VALE fechou com as ações preferenciais de classe A em queda de 4,06 por cento, após os preços do minério de ferro no mercado à vista da China recuarem nesta segunda-feira para uma nova mínima de 10 anos. Preocupações sobre o impacto do desastre da mineradora Samarco adicionaram pressão negativa, em particular após os governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo decidirem abrir processo de 20 bilhões de reais contra a dona da barragem que se rompeu em Mariana (MG) e de suas controladoras, a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton.

=BRADESCO cedeu 2 por cento, contaminado pelo forte declínio de sua holding BRADESPAR, que recuou 4,14 por cento por apreensões ligadas à Vale, da qual é uma das principais acionistas. O papel também segue afetado pela aversão a risco no segmento bancário por desdobramentos da Lava Jato, em particular após a prisão do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. BANCO DO BRASIL perdeu 5,78 por cento. ITAÚ UNIBANCO e SANTANDER BRASIL reverteram as perdas da manhã e fecharam em alta de 0,8 e 1,16 por cento, respectivamente.

=BTG PACTUAL, que não faz parte do Ibovespa, derreteu 8,53 por cento e já contabiliza queda de 32,34 por cento em quatro pregões desde a prisão do banqueiro André Esteves, por suposto envolvimento no escândalo de corrupção investigado pela operação Lava Jato. Ele renunciou no fim de semana a todos os cargos que tinha no grupo financeiro, após o Supremo Tribunal Federal (STF) transformar sua prisão temporária em preventiva, ou seja, por tempo indeterminado.

=EMBRAER liderou os ganhos do Ibovespa, com alta de 3,97 por cento, na esteira da forte alta do dólar ante o real. =BRASKEM também apareceu entre as poucas altas do Ibovespa, com ganho 2,26 por cento, amparada em nova alta do dólar sobre o real e perspectivas favoráveis para a petroquímica, principalmente no que diz respeito ao nível de endividamento.

Texto atualizado às 20h41

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São Paulo - A Bovespa fechou com o seu principal índice em queda nesta segunda-feira, anulando os ganhos de novembro, em meio a persistentes incertezas políticas e preocupações com o quadro fiscal no Brasil e um viés negativo em mercados emergentes.

O Ibovespa caiu 1,64 por cento, a 45.120 pontos.

O giro financeiro totalizou 11,8 bilhões de reais. No exterior, o índice MSCI para mercados emergentes caía 1,38 por cento, endossando o movimento no pregão paulista.

No mês, o Ibovespa acumulou queda de 1,63 por cento, refletindo o aumento das preocupações políticas e fiscais, após os novos desdobramentos da operação Lava Jato, que resultaram na prisão do agora ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral (PT-MS) e do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, na semana passada.

Conforme destacou a equipe da Guide Investimentos, os eventos trazem consequências imprevisíveis, com eventuais delações premiadas, adicionando incertezas.

Até o dia 24, véspera das prisões, o Ibovespa acumulava alta de mais de 5 por cento no mês. Em nota a clientes pela manhã, o Credit Suisse destacou que, além dos potenciais desdobramentos na esfera política, dezembro começa com o governo federal correndo contra o tempo para aprovar a revisão da meta fiscal de 2015.

E isso ocorre, conforme notou a equipe do Credit Suisse, na esteira do aumento da expectativa de uma revisão do rating do país pela Standard & Poor's, que visita o Brasil nos próximos dias. O último pregão do mês ainda sofreu com o efeito do rebalanceamento do índice global MSCI e suas subdivisões, válido a partir do fechamento, com a saída de seis papéis do MSCI Brasil Index.

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=JBS despencou 7,73 por cento, após reportagem da Folha de S.Paulo afirmar que o Tribunal de Contas da União encontrou indícios de que o apoio do BNDES à empresa de alimentos pode ter lesado o banco de fomento estatal em pelo menos 847,7 milhões de reais. =USIMINAS liderou as perdas do Ibovespa, com declínio de 12 por cento, a 2,2 reais, nível mais baixo desde meados de 2003, pressionada por relatório do Bank of America Merrill Lynch reiterando recomendação "underperform". O banco reduziu o preço-alvo da siderúrgica de 2,6 reais para 1 real. Os analistas do BofA também sustentaram perspectiva desfavorável para CSN, que recuou 6,46 por cento, mas sem alterar recomendação e preço-alvo. Também repercutiu na CSN anúncio de acordo que combinará a mina Casa de Pedra com a mineradora Namisa. A GERDAU fechou em alta de 1,16 por cento, após o BofA ter apontado a ação como a preferida do setor, apesar de ter reduzido o preço-alvo de 7,5 para 7,1 reais.

=VALE fechou com as ações preferenciais de classe A em queda de 4,06 por cento, após os preços do minério de ferro no mercado à vista da China recuarem nesta segunda-feira para uma nova mínima de 10 anos. Preocupações sobre o impacto do desastre da mineradora Samarco adicionaram pressão negativa, em particular após os governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo decidirem abrir processo de 20 bilhões de reais contra a dona da barragem que se rompeu em Mariana (MG) e de suas controladoras, a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton.

=BRADESCO cedeu 2 por cento, contaminado pelo forte declínio de sua holding BRADESPAR, que recuou 4,14 por cento por apreensões ligadas à Vale, da qual é uma das principais acionistas. O papel também segue afetado pela aversão a risco no segmento bancário por desdobramentos da Lava Jato, em particular após a prisão do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. BANCO DO BRASIL perdeu 5,78 por cento. ITAÚ UNIBANCO e SANTANDER BRASIL reverteram as perdas da manhã e fecharam em alta de 0,8 e 1,16 por cento, respectivamente.

=BTG PACTUAL, que não faz parte do Ibovespa, derreteu 8,53 por cento e já contabiliza queda de 32,34 por cento em quatro pregões desde a prisão do banqueiro André Esteves, por suposto envolvimento no escândalo de corrupção investigado pela operação Lava Jato. Ele renunciou no fim de semana a todos os cargos que tinha no grupo financeiro, após o Supremo Tribunal Federal (STF) transformar sua prisão temporária em preventiva, ou seja, por tempo indeterminado.

=EMBRAER liderou os ganhos do Ibovespa, com alta de 3,97 por cento, na esteira da forte alta do dólar ante o real. =BRASKEM também apareceu entre as poucas altas do Ibovespa, com ganho 2,26 por cento, amparada em nova alta do dólar sobre o real e perspectivas favoráveis para a petroquímica, principalmente no que diz respeito ao nível de endividamento.

Texto atualizado às 20h41

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