Acompanhe:

Banco Central Europeu (BCE) dá ultimato para bancos que não integram riscos climáticos em balanços

Se os bancos europeus não integrarem os riscos das mudanças climáticas até o final de 2024 poderão se expor a medidas coercitivas por parte da instituição monetária central

Sede do Banco Central Europeu em Frankfurt, Alemanha (Daniel Roland/AFP/Exame)

Sede do Banco Central Europeu em Frankfurt, Alemanha (Daniel Roland/AFP/Exame)

C
Carlo Cauti

Publicado em 2 de novembro de 2022, 10h43.

Última atualização em 2 de novembro de 2022, 10h43.

O Banco Central Europeu (BCE) notificou nesta quarta-feira, 2, os bancos que operam na Área do Euro para que integrem os riscos de mudanças climáticas em seus balanços até o final de 2024, sob pena de medidas coercitivas.

"Embora os bancos tenham começado a fazê-lo, ainda há um longo caminho a percorrer antes de serem resilientes às mudanças climáticas", escreveu Frank Elderson, vice-presidente do conselho de supervisão do BCE no site da instituição monetária central europeia.

O supervisor bancário do BCE realizou no começo deste ano uma revisão aprofundada da estratégia, métodos de governança e gestão de riscos relacionados ao clima com 186 bancos de 21 países membros da Área do Euro, que têm ativos totais de 25 trilhões de euros. O resultado dessa análise foi que, apesar das melhorias, os bancos ainda precisam identificar e gerenciar melhor os riscos climáticos e ambientais envolvidos nas atividades de seus clientes. Em 2020, o BCE publicou um catálogo de recomendações para os bancos terem em conta os riscos relacionados com o clima.

Banco Central Europeu previu várias fases de progressos para avaliar os riscos climáticos

Perante a lentidão dos progressos registados desde então, o BCE fixou prazos específicos para que cada banco cumpra as regras previstas até ao final de 2024 em várias fases. De acordo com o documento divulgado pela instituição monetária central europeia, os bancos terão primeiro que avaliar completamente os riscos climáticos e ambientais de seus negócios até março de 2023 e, em seguida, “integrar os riscos climáticos e ambientais em sua governança, estratégia e gestão de risco (abrangente)” até o final de 2023,

Até ao final de 2024, os bancos terão finalmente de cumprir todas as expectativas prudenciais formuladas em 2020, nomeadamente garantindo que o seu capital está alinhado com os riscos climáticos. “Os prazos serão acompanhados de perto e, se necessário, medidas de fiscalização serão tomadas“, avisou Elderson, sem especificar como ou em que fase essas medidas podem ser tomadas.

O BCE já realizou um primeiro teste de resistência a choques climáticos com cerca de uma centena de grandes bancos da Área do Euro. Os resultados publicados no verão passado mostraram que 60% dos bancos não têm um sistema adequado para gerenciar os riscos ligados ao aquecimento global sofridos por seus clientes, sejam físicos (inundações, secas) ou financeiros (transição ecológica, aumento do preço do carbono).