Banco Central Europeu eleva juros em 0,50 ponto percentual

Essa é a primeira alta dos juros na Zona do Euro desde 2011 e a volta das taxas para o território positivo após oito anos
Sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt, Alemanha (Ralph Orlowski/Getty Images/Exame)
Sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt, Alemanha (Ralph Orlowski/Getty Images/Exame)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 21/07/2022 às 09:45.

Última atualização em 22/07/2022 às 07:58.

O Banco Central Europeu (BCE) elevou nesta quinta-feira, 21, as taxas de juros da zona do euro em 0,50 ponto percentual.

As três principais taxas de juros vigentes na Zona do Euro - a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento, a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez e a taxa de juros de facilidade permanente de depósito - foram elevadas no mesmo patamar pelo Banco Central Europeu, e agora estão, respectivamente em 0,75%, 0,50% e 0,00%.

  • taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento (Marginal lending facility): 0,75%
  • taxa de juro aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez (Main refinancing operations): 0,50%
  • taxa de juros de facilidade permanente de depósito (Deposit facility): 0,00%

A alta foi superior as previsões do mercado, que esperavam um aumento de 0,25 ponto percentual, como forma de evitar uma recessão severa na Zona do Euro e não ter impacto excessivo sobre as enormes dívidas públicas de muitos países europeus.

Entretanto, em comunicado, a instituição monetária central europeia informou que tomou "medidas importantes para garantir que a inflação volte ao seu objetivo de 2% no médio prazo", em linha com "o forte compromisso do Conselho do BCE com o seu mandato de estabilidade de preços".

"O Conselho do BCE considerou apropriado dar um primeiro passo maior na sua trajetória de normalização das taxas de política do que o sinalizado na sua reunião anterior. Esta decisão baseia-se na avaliação atualizada dos riscos de inflação pelo Conselho", salientou o Banco Central Europeu no documento.

A inflação recorde na Europa, que está beirando os 9% ao ano - 8,6% em junho - pressionou a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e os membros do Conselho dos Governadores a adotarem uma política monetária mais restritiva.

O BCE também deu uma indicação sobre as próximas reuniões que definirão os rumos da política monetária da Zona do Euro

"Nas próximas reuniões do Conselho do BCE, será adequada uma maior normalização das taxas de juro", aparece no texto, "a futura trajetória da taxa de política do Conselho do BCE continuará dependendo dos dados e ajudará a cumprir o seu objetivo de inflação de 2% a médio prazo. No contexto da normalização da sua política, o Conselho do BCE avaliará as opções para remunerar os depósitos de liquidez excedentes".

Banco Central Europeu cria mecanismo contra o spread dos juros da dívida soberana

Na mesma reunião em que decidiu a alta dos juros, o BCE aprovou o Instrumento de Proteção de Transmissão (TPI, na sigla em inglês), o chamado "Escudo contra o spread".

Com esse instrumento, o Banco Central Europeu vai poder adquirir títulos da dívida pública dos países membros da Zona do Euro, evitando que os juros aumentem excessivamente.

"À medida que o Conselho do BCE continua a normalizar a política monetária, o TPI assegurará que a orientação da política monetária seja transmitida sem problemas em todos os países da área do euro", informou o banco.