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A China tem sua própria SpaceX — e ela quer levantar US$ 600 milhões na bolsa

Movimento ocorre após voo inaugural de novo foguete e reflete corrida por financiamento no setor espacial privado

Foguete: apoio estatal, competição crescente e necessidade de escala coloca o setor em uma fase decisiva. (Gregg Newton /AFP)

Foguete: apoio estatal, competição crescente e necessidade de escala coloca o setor em uma fase decisiva. (Gregg Newton /AFP)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 3 de abril de 2026 às 08h00.

A fabricante chinesa de foguetes CAS Space iniciou os preparativos para acessar o mercado de capitais. A empresa protocolou um pedido de listagem no Star Market, em Xangai, para captar US$ 607 milhões.

O setor espacial comercial na China vive um momento de aceleração e a busca por financiamento para projetos de maior escala, afirmam as agências Reuters e South China Morning Post.

A "SpaceX chinesa" pretende levantar cerca de 4,18 bilhões em yuans que serão destinados, principalmente, ao desenvolvimento de foguetes reutilizáveis de grande porte, espaçonaves e motores a combustível líquido.

A abertura de capital de empresas espaciais privadas tem sido estimulada por políticas de apoio do governo chinês.

A bolsa de Xangai flexibilizou, no fim de dezembro, as regras para abertura de capital (IPOs, em inglês) de companhias que desenvolvem foguetes reutilizáveis, com o intuito de reduzir a defasagem tecnológica em relação aos Estados Unidos (EUA).

Posicionamento de mercado

A empresa segue o movimento de outras companhias, como a LandSpace e a GalaxySpace, reforçando sua posição ao realizar o voo inaugural do foguete Kinetica-2 Y1, marco que antecedeu diretamente o pedido de listagem.

Além disso, dados de mercado indicam ganho relevante de participação da emoresa. A CAS Space respondeu por cerca de 50% da capacidade de carga útil do mercado comercial privado chinês em 2024, percentual que avançou para 63% em 2025, de acordo com levantamento da consultoria Frost & Sullivan.

Ao todo, a companhia realizou 11 missões de lançamento, colocando 86 satélites e uma espaçonave em órbita, com carga total próxima de 16 toneladas.

Fontes relataram, ainda, que o eventual IPO ocorre em um segmento no qual apenas a SpaceX, fundada por Elon Musk, demonstrou domínio consistente da tecnologia de reutilização.

Receita cresce, mas prejuízo persiste

A receita da CAS Space avançou de 5,95 milhões de yuans em 2022 para 244 milhões de yuans em 2024, com 84,2 milhões registrados nos primeiros nove meses de 2025.

No mesmo período, os prejuízos diminuíram, mas permanecem elevados: de 1,76 bilhão de yuans em 2022 para 749 milhões de yuans até setembro de 2025. As perdas acumuladas já somam cerca de 2,5 bilhões de yuans.

Nos últimos três anos, os gastos com pesquisa e desenvolvimento superaram a receita, evidenciando o caráter intensivo em capital do negócio, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters.

O cenário evidencia uma dinâmica comum nestas empresas de tecnologia, especialmente no segmento aeroespacial, no qual o ciclo de desenvolvimento é longo e os retornos tendem a ocorrer apenas no médio e longo prazo.

A captação prevista com a abertura de capital busca justamente sustentar essa fase de investimentos e acelerar a transição para modelos mais eficientes, como o uso de foguetes reutilizáveis, indicou o South China.

Disputa por capital no setor

A movimentação da CAS Space ocorre em meio a uma fila crescente de empresas chinesas do setor espacial que buscam financiamento no mercado.

Mas, ainda que o interesse dos investidores venha crescendo, permanecem incertezas sobre o ritmo de monetização dessas companhias.

Acompanhe tudo sobre:FoguetesIPOs

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