Inteligência Artificial

Sam Altman é o manda-chuva de novo, mas e agora?

A recondução de Altman como CEO marca um ponto crítico nas negociações internas e na estrutura de governança da OpenAI

Sam Atlman: CEO da OpenAI (PATRICK T. FALLON/Getty Images)

Sam Atlman: CEO da OpenAI (PATRICK T. FALLON/Getty Images)

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 23 de novembro de 2023 às 13h49.

Última atualização em 23 de novembro de 2023 às 13h52.

Sam Altman reassumiu a posição de CEO da OpenAI após uma série de negociações intensas e uma reestruturação abrupta do conselho administrativo. Apesar de reivindicar uma nova composição de diretores e uma vaga no conselho, Altman retornou mesmo sem conseguir integrar o conselho reformulado. Ainda assim, conquista uma vitória significativa ao reassumir a liderança da empresa.

Na terça-feira, 21, à noite, a OpenAI anunciou um conselho inicial, formado por Bret Taylor, ex-co-CEO de uma companhia de tecnologia não especificada; Larry Summers, ex-secretário do Tesouro; e Adam D'Angelo, CEO da Quora, mantendo-se como o único membro do antigo conselho.

Paralelamente, a diretoria anterior e Altman concordaram com uma investigação independente sobre a conduta de Altman e o processo que levou à sua destituição e consequências, conforme relatado pelo The Wall Street Journal.

A estrutura corporativa atípica da OpenAI, que une uma organização sem fins lucrativos e uma entidade comercial financiada por investidores externos, permanecerá por ora. Segundo o atual estatuto da empresa, a responsabilidade principal do conselho é garantir o desenvolvimento de sistemas de IA benéficos para a humanidade, mesmo que isso implique em anular lucros dos investidores.

Nos próximos meses, o novo conselho tem a tarefa de nomear diretores para um conselho ampliado e explorar mudanças significativas na estrutura de governança da OpenAI. Investidores e executivos esperam novos mecanismos de controle que limitem a capacidade do conselho de destituir fundadores de forma abrupta, protegendo assim bilhões de dólares em valor comercial.

Este episódio coloca em jogo diversos interesses: a posição de Altman foi fortalecida pelo apoio da Microsoft, seu maior apoiador corporativo, e pela maioria dos funcionários, que viram o valor de suas ações aumentar significativamente. Por outro lado, Altman enfrenta limitações em sua influência por não integrar o conselho e pela perda de aliados chave.

Investigadores independentes analisarão a conduta de Altman e as decisões do conselho. O antigo conselho, com exceção de Ilya Sutskever, falhou em substituir Altman após não conseguir o apoio dos funcionários. No entanto, negociou concessões importantes que garantem influência sobre a OpenAI.

A Microsoft, principal investidor da OpenAI, enfrentou incertezas e riscos durante este período turbulento. A empresa, que investiu 13 bilhões de dólares, depende do relacionamento próximo entre Altman e os líderes da Microsoft, mas foi pega de surpresa com a destituição de Altman.

Investidores de capital de risco, como Thrive Capital e Khosla Ventures, também enfrentaram um cenário incerto com a destituição de Altman, colocando em risco um acordo de compra de ações avaliado em 86 bilhões de dólares.

Os funcionários da OpenAI comemoraram o retorno de Altman, indicando que mais de 95% assinaram uma carta ameaçando sair caso ele não fosse reintegrado. A empresa, fundada como uma organização sem fins lucrativos em 2015, adquiriu características de startups do Vale do Silício, especialmente após o lançamento do ChatGPT.

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