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Passo meus dias estudando e conversando sobre inteligência artificial com pessoas de todas as áreas. Um dos temas recorrentes é esse: na era das máquinas criadoras, quem é dono do que elas criam? Isso é difícil de responder porque, hoje em dia, as máquinas têm um potencial ilimitado quando o assunto é criatividade.

Pensando nisso, publiquei um vídeo aprofundando o debate que tive com o mestre e doutor Marcelo Coutinho numa das lives do MBA em Inteligência Artificial da Faculdade EXAME, do qual sou coordenador: 

Quem é dono da IA?

Máquinas, por mais avançadas que sejam, funcionam sob a orientação humana. Elas são ferramentas, extensões das nossas capacidades, mas não possuem autonomia para ser consideradas autoras. 

Ou seja, mesmo que ela faça algo, a pessoa que a usou para fazer aquilo é a dona da criação. A máquina é só uma ferramenta, como um pincel ou uma caneta. Aqui, entramos no coração da discussão: a tecnologia é apenas um meio, enquanto a verdadeira criação reside no uso humano dela. Mas esse jeito de ver as coisas traz desafios, especialmente quando consideramos o fator judicial. Quem é o dono de uma música, um desenho ou uma história feita, com ou sem ferramentas de IA? 

Jornalistas, artistas e outros profissionais que publicaram anos de conteúdo na internet, serão creditados ou remunerados pelo que for apropriado pelos modelos de linguagem? Leis de direitos autorais não foram feitas pensando em máquinas que criam, e agora precisamos alterá-las para acompanhar essa nova realidade.

Na mesma linha em que artistas independentes sentem suas carreiras ameaçadas com o avanço da IA, tais ferramentas trazem novas oportunidades para este meio. Como o autotune nas músicas, a criação feita com o auxílio de inteligência artificial traz novas oportunidades criativas e formas de ganhar dinheiro. E se não considerarmos o trabalho feito com ajuda de máquinas como algo que tem dono, quem vai querer continuar criando? 

Professores de máquinas

O fato é que as máquinas são ferramentas que nos ajudam a fazer mais e melhor, mas não substituem o que somos capazes de imaginar e criar. O professor Marcelo Coutinho comentou da primeira narrativa que criamos sobre humanos e tecnologias. Trata-se da antiga história de Ícaro e Dédalo. 

Dédalo, um habilidoso inventor, criou asas de cera para seu filho Ícaro. Ele advertiu Ícaro para não voar muito perto do sol, mas Ícaro, embriagado pela sensação de poder, desobedeceu e suas asas derreteram, levando-o à queda.

A reflexão sobre Ícaro e a IA nos leva a uma conclusão importante: assim como Dédalo não poderia criar asas que desafiam os deuses, nós não podemos criar máquinas que transcendam nossa capacidade de controle e compreensão. 

Acreditamos que a tecnologia nos eleva, nos dá poder sobre o natural e o criativo, mas essa é uma ilusão. A verdadeira criação, a centelha que dá vida à arte, à literatura, à música, vem da complexidade, da emoção e da consciência humanas – qualidades que as máquinas, por mais avançadas que sejam, não possuem.

Portanto, alçar as máquinas a autoras, seria como acreditar que nós humanos podemos criar algo acima de nós. Seria cair no mesmo erro de Ícaro.

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