Inteligência Artificial

Câmeras corporais de policiais podem receber inteligência artificial para gerar relatórios

Tecnologia proposta pela americana Axon busca reduzir o tempo gasto pelas forças policiais em burocracia, mas levanta preocupações sobre possíveis erros e viéses

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 29 de abril de 2024 às 13h40.

Última atualização em 29 de abril de 2024 às 14h32.

O governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou na sexta-feira, 26, que vai aumentar o número de câmeras corporais em uso nos uniformes da Polícia Militar de SP. Mas, enquanto o mandatário decide sobre a expansão do uso dessa tecnologia, uma empresa americana propôs um acréscimo ao recurso já amplamente usado na força policial dos EUA: a inteligência artificial (IA).

A empresa, conhecida por fornecer equipamentos táticos, anunciou o lançamento do "Draft One", uma IA que promete transformar áudios e vídeos de câmeras corporais em relatórios policiais. A ferramenta, baseada no modelo de linguagem GPT-4 da OpenAI, tem como objetivo diminuir o tempo que os oficiais dedicam à redação de relatórios.

Segundo Rick Smith, CEO da Axon, em entrevista ao Futurism, a tecnologia poderia reduzir pela metade o tempo que os policiais gastam com burocracia, liberando até 25% do tempo de um oficial para outras atividades.

Os riscos da tecnologia

Na outra ponta da inovação, especialistas apontam para os riscos associados à propensão do modelo de "inventar" fatos, além de possíveis falhas na sumarização das informações e replicação de viés racial dos dados de treinamento.

A empresa também está empenhada em garantir que todos os relatórios gerados pela IA sejam revisados por humanos, buscando assim uma maior precisão e responsabilidade no uso da tecnologia.

As reações ao anúncio foram mistas, com destaque para preocupações expressas nas redes sociais sobre o impacto da tecnologia na precisão dos registros policiais e seus potenciais danos, especialmente a pessoas negras.

O lançamento do "Draft One", que já está disponível para ser comprado pelas corporações, ocorre em um contexto de questionamentos éticos sobre a atuação da Axon: em 2022, a empresa enfrentou críticas após sugerir o uso de drones armados com tasers em escolas para conter tiroteios em massa.

Com a introdução dessa nova tecnologia, a Axon continua no centro de debates sobre a implementação de ferramentas de IA na polícia, uma área que, segundo críticos, ainda carece de regulamentação e supervisão adequadas para evitar abusos e erros.

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