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Data Centers: energia pode custar espaço da Europa em IA (Flavio Coelho/Getty Images)
Repórter
Publicado em 18 de maio de 2026 às 05h58.
Última atualização em 18 de maio de 2026 às 09h11.
A disputa pelo domínio da inteligência artificial (IA) já não é travada apenas em laboratórios de pesquisa ou em chips de última geração. É uma batalha que também acontece no setor de energia, e, nessa batalha, a Europa enfrenta uma desvantagem que nenhum plano regulatório resolve rapidamente: a "conta de luz" é cara.
Os Estados Unidos possuem cerca de 5.400 data centers, de acordo com a Cloudscene, enquanto a Europa tem aproximadamente 3.400.
A diferença, apesar de ser numericamente alta, é também de escala e velocidade. Nos maiores mercados europeus para esse tipo de infraestrutura, conhecidos no setor como FLAP-D (Frankfurt, Londres, Amsterdã, Paris e Dublin), novas instalações esperam em média entre sete e dez anos por uma conexão à rede elétrica — prazo que chega a 13 anos nos mercados mais congestionados, segundo relatório da Interface.
A Irlanda manteve uma moratória sobre novos data centers em Dublin, que foi levantada em dezembro de 2025, com a condição de que qualquer nova instalação instale geração própria ou sistemas de bateria capazes de suprir toda a sua demanda elétrica, segundo o JLL. Holanda e Frankfurt efetivamente baniram novas conexões até pelo menos 2030.
Enquanto isso, a corrida de investimentos nos Estados Unidos não dá sinais de desaceleração. As empresas de saneamento, gás natural e energia americanas anunciaram um plano de gastos de US$ 1,4 trilhão até 2030.
Isso representa uma alta de 27% em relação ao US$ 1,1 trilhão projetado no ano anterior, segundo análise da PowerLines publicada em abril com base em 51 empresas de energia.
É o maior plano coordenado de investimento em infraestrutura elétrica da história americana, segundo o mesmo levantamento.
Na Alemanha, US$ 88,97. Na França, US$ 44,19. Nos Estados Unidos, US$ 28, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE).
A diferença no custo de energia entre países tende a se tornar mais acentuada, segundo avaliação de representantes do mercado financeiro e do setor de energia. O cenário favorece mercados como Estados Unidos e China na disputa por novos investimentos bilionários em data centers.
Os preços para indústrias intensivas em energia na Europa foram, no ano passado, em média o dobro dos praticados nos EUA e 50% mais altos do que na China e na Índia, segundo a AIE.
O crescimento dos data centers pode inflar os custos regionais de eletricidade em 20% a 40% em áreas de alta demanda, como Texas e Virgínia nos EUA, ou Slough no Reino Unido e Paris na França, segundo estimativas de especialistas em transição energética.
Analistas do setor afirmam que a competitividade das empresas europeias e a liderança tecnológica em IA dependem de mudanças no sistema energético do continente.
A OpenAI pausou o projeto Stargate no Reino Unido, citando o custo de energia e o ambiente regulatório do país. A empresa também colocou investimentos em pausa na Noruega pelos mesmos motivos.
Data centers consomem atualmente 2% da eletricidade mundial, ante 1,7% em 2024, segundo relatório da International Data Center Authority (IDCA) publicado em maio.
A tensão política e comunitária contra essas instalações tipicamente se intensifica quando elas superam 5% do consumo elétrico nacional. Os EUA já estão em 6%. O Reino Unido, em 5,8%. Singapura, em 19,5%, segundo o mesmo relatório.
A Agência Internacional de Energia projeta que o consumo global de eletricidade em data centers dobrará, chegando a 945 TWh até 2030. Nos EUA, o crescimento previsto é de 130% em relação ao nível de 2024.
Na China, 170%. Na Europa, 70%, um crescimento forte, mas que ainda mantém o continente muito atrás na corrida.
A Europa produziu apenas três modelos de IA de base, contra 40 dos EUA e 15 da China, segundo o Fórum Econômico Mundial. As grandes empresas americanas de nuvem controlam cerca de 70% do mercado europeu de computação em nuvem.
Especialistas do setor avaliam que a escala de investimentos em infraestrutura de IA nos EUA é muito superior à observada na Europa e que, para alcançar o ritmo americano, o continente precisaria ampliar significativamente os aportes.
Executivos da indústria de energia e infraestrutura apontam três fatores que explicam a desvantagem europeia no setor de data centers: o custo de energia, a localização geográfica das empresas do setor e a velocidade de construção e conexão da infraestrutura à rede elétrica.
Representantes da indústria de chips e infraestrutura afirmam que os altos custos de eletricidade colocam países centrais da Europa em desvantagem na corrida por investimentos em IA. A Noruega aparece entre os mercados mais citados como destino de grandes projetos do setor.
Os países nórdicos e a França são apontados como os mais bem posicionados para atrair investimentos em IA, por conta de preços mais baixos de eletricidade e de uma matriz energética diversificada.
A Microsoft firmou parceria com a Nscale para um acordo de US$ 6,2 bilhões para construir infraestrutura de IA na Noruega, planeja expansão de US$ 3,2 bilhões na Suécia e pretende investir US$ 3 bilhões em capacidade de data centers na Dinamarca entre 2023 e 2027, segundo a CNBC.
O custo de alugar capacidade nos cinco maiores mercados europeus de data centers deve subir 12% em 2026, segundo pesquisa da CBRE.
Para as empresas de tecnologia americanas, a equação é mais simples. Já para os países europeus que tentam competir no setor de IA, o desafio envolve equilibrar competitividade industrial, expansão tecnológica e custos de energia.