KPMG: M&As perdem ritmo no Sudeste, mas movimentam R$ 36 bilhões no semestre
Número de operações caiu 35,7% no primeiro semestre, mas transações de maior porte em mineração, energia e saúde fizeram o valor movimentado crescer 82%


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 07:00.
As empresas do Sudeste registraram 453 operações de fusões e aquisições nos seis primeiros meses de 2026, uma redução de 35,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 705 negócios, segundo dados da KPMG. Apesar da retração no número de transações, o valor movimentado na região ultrapassou R$ 36 bilhões, representando um crescimento de 82% em comparação aos cerca de R$ 24 bilhões registrados no primeiro semestre de 2025. Do total de operações realizadas em 2026, 123 envolveram fundos de private equity e venture capital.
O desempenho financeiro foi impulsionado principalmente por operações de grande porte nos setores de mineração, energia, infraestrutura, telecomunicações e saúde. Entre os negócios de destaque anunciados no primeiro semestre estão a aquisição de ativos de mineração e refinaria da South32 pela Alcoa Corporation, avaliada em aproximadamente R$ 28,5 bilhões; a aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth, estimada em cerca de R$ 13,9 bilhões; a venda da participação da Oi na V.tal para a BGC Holding e BTG Pactual (mesmo grupo controlador da EXAME); a aquisição de participação na Verene Energia pelo Grupo Energía Bogotá; a compra de ativos de transmissão da Energisa pela Taesa; e a transação envolvendo Bradesco e Odontoprev, que contribuiu para impulsionar o valor movimentado no setor de saúde.
“Em um cenário marcado por maior disciplina na alocação de capital e busca por geração de valor, investidores e empresas têm priorizado ativos com fundamentos sólidos, potencial de crescimento e capacidade de capturar sinergias de longo prazo. Esse movimento acompanha a tendência observada no mercado brasileiro e reforça o interesse por setores estratégicos como mineração, energia, infraestrutura, telecomunicações e saúde”, afirma Cristiane Azevedo, sócia de Fusões e Aquisições da KPMG no Brasil.
Os setores que mais se destacaram em atividade de M&A durante o período foram Tecnologia, Mídia e Telecomunicações (TMT), imobiliário, serviços financeiros, saúde, energia, infraestrutura e mineração. Enquanto o segmento de tecnologia liderou em quantidade de operações, os setores de mineração, saúde e energia foram responsáveis por parcela significativa do valor movimentado, impulsionados por transações de maior porte e pela participação crescente de investidores estratégicos e internacionais.
Em relação ao perfil das operações, 295 das 453 transações realizadas na região foram domésticas, ou seja, envolvendo empresas e investidores sediados no Brasil, enquanto 158 foram operações cross-border, que contam com a participação de compradores ou investidores estrangeiros.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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