Por que família Batista, da JBS, comprou Avibras via family office
Desde emissão de US$ 700 milhões em bonds em abril, Grupo J&F passou a focar em investimentos mais maduros e geradores de caixa


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 21 de agosto de 2026 às 17:53.
Última atualização em 21 de agosto de 2026 às 19:39.
Os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, fecharam nesta sexta-feira, 21, a compra de 100% da Avibras Aeroco, fabricante brasileira de material bélico. O negócio depende da aprovação do Conselho Administrativo de Atividade Econômica (Cade).
A aquisição será feita por meio do family office Globe Investimentos, e não pela J&F, holding que concentra as empresas do grupo. A separação reflete uma mudança de estratégia adotada desde abril, quando a J&F captou US$ 400 milhões com a emissão de bonds de sete anos. Ou seja, na prática, a holding deixou de ser holding. Com bondholders, tem mais gente apitando. Agora, a estrutura empresarial passou a concentrar negócios mais maduros e geradores de caixa, como JBS, Âmbar Energia, Flora, Eldorado Brasil Celulose e Lhg Mining. Novas apostas fora desse perfil ficam sob o guarda-chuva do family office.
Foi também por meio do family office que os irmãos Batista compraram, em julho de 2025, cerca de 5% da Usiminas. A Globe Investimentos adquiriu da CSN um pacote de ações ordinárias e preferenciais equivalente a 4,99% do capital da siderúrgica, em uma operação avaliada à época em aproximadamente R$ 263 milhões. A venda fazia parte do processo de redução da participação da CSN na concorrente para atender a determinações do Cade.
Por que agora?
Os Batista chegam à Avibras após uma crise que se arrasta desde 2022. A fabricante de equipamentos de defesa entrou em recuperação judicial em março daquele ano, com cerca de R$ 600 milhões em dívidas. Meses depois, os funcionários iniciaram uma greve que se estenderia por 1 281 dias.
A paralisação terminou apenas neste ano, após um acordo para equacionar cerca de R$ 230 milhões em passivos trabalhistas. Em maio, depois de anos com a operação comprometida pela crise financeira, a Avibras voltou a produzir.
Foi também em maio que Joesley fez sua primeira aproximação financeira com a companhia, ao participar de um aporte de R$ 300 milhões, ao lado de outros investidores. Poucos meses depois, os Batista avançaram de investidores para compradores.
A transação envolve a Avibras Aeroco, constituída no âmbito da recuperação judicial da antiga Avibrás, e tem como objetivo dar sustentação à retomada da produção e preservar a capacidade tecnológica e industrial da companhia.
Fundada em 1961, a Avibrás se tornou uma das principais empresas brasileiras da indústria de defesa. A companhia domina tecnologias de propulsão e integração de sistemas e tem como principal cartão de visitas o Astros, sistema de artilharia desenvolvido no Brasil e comercializado internacionalmente. Seu portfólio inclui ainda mísseis, foguetes, veículos especiais e soluções para o setor espacial civil.
Para os Batista, a aquisição também segue uma estratégia já conhecida: entrar em empresas com ativos relevantes, mas que atravessam dificuldades, colocar capital e apostar na recuperação do negócio.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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