Goldman Sachs alerta para risco de Petrobras reajustar preço do diesel em 50% após as eleições (ResoneTIC/Pixabay/Divulgação)
Repórter
Publicado em 23 de outubro de 2026 às 16h20.
Última atualização em 23 de outubro de 2026 às 16h53.
O banco Goldman Sachs alertou, nesta semana, em um relatório, sobre a possibilidade de a Petrobras aplicar um reajuste de cerca de 50% no preço do diesel após o período eleitoral.
Levando em conta as subvenções do governo federal, o valor praticado no mercado doméstico apresenta atualmente uma defasagem de 21% em comparação à paridade internacional de importação.
De acordo com os analistas, a manutenção dos preços locais em patamares inferiores aos do mercado externo só é viável no momento devido a uma "assimetria de subsídios". Essa distorção na dinâmica de remuneração garante aos importadores um valor de R$ 3,52 por litro, enquanto os produtores nacionais continuam recebendo apenas R$ 2,12 por litro.
Essa assimetria faz com que o preço do diesel importado para as distribuidoras fique muito próximo ao preço de refinaria da Petrobras, limitando o espaço da estatal para repassar aumentos sem perder participação de mercado.
Os especialistas calculam que, caso essa assimetria seja eliminada passada a eleição, a Petrobras precisaria promover um aumento imediato na casa dos 50% para alinhar suas tarifas à referência global. Somado a isso, há ainda o risco de uma alta adicional se a gestão da estatal decidir compensar o período deste ano em que o diesel da companhia foi comercializado abaixo da paridade de importação.
Ao avaliar o cenário, os analistas do banco afirmam que a cautela da companhia em meio à disputa nas urnas. "Acreditamos que a Petrobras provavelmente esperará o desfecho da eleição antes de tomar qualquer decisão sobre um potencial reajuste nos preços dos combustíveis, dada a sensibilidade política do tema no Brasil", dizem os analistas.
Devido à falta de visibilidade sobre a renovação desses subsídios, o Goldman Sachs adota o cenário-base de que a Petrobras manterá os preços inalterados até o final do ano, embora reconheça riscos de alta para as margens de refino no quarto trimestre caso o reajuste ocorra.
De acordo com o relatório, um aumento de 50% no preço das refinarias resultaria em uma alta de cerca de 20% nas bombas. Como um bem predominantemente intermediário, o diesel tem um peso direto de 0,26% no IPCA, um patamar inferior aos 0,60% da gasolina e idêntico aos 0,26% do etanol.
Os analistas afirmam que o "cenário de inflação já é desafiador no Brasil" e custos mais altos do diesel colocariam mais pressão ao IPCA, que poderia aumentar em 5 a 6 pontos-base.
No entanto, ainda segundo o relatório, considerando que o diesel é essencial para a produção e distribuição de bens e serviços, o "encarecimento na cadeia de suprimentos e nas tarifas de frete geraria um impacto indireto mais substancial, calculado entre 16 e 18 pontos-base". Com o aumento de 20% nas bombas, o relatório aponta um impacto total no IPCA de 21 a 24 pontos-base, o que seria um aumento de 0,21 ponto percentual.