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WorldCoin: o projeto cripto do criador do ChatGPT

O protocolo desenvolvido por Sam Altman e equipe cria uma criptomoeda com a pretensão de promover o maior sistema financeiro e de identidade do mundo. Será? Entenda

Criador do ChatGPT também tem um projeto cripto (Reprodução/Reprodução)

Criador do ChatGPT também tem um projeto cripto (Reprodução/Reprodução)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 19 de março de 2023 às 10h00.

Por Felippe Percigo*

Sam Altman é o sujeito do momento. Ele é a grande mente por trás do ChatGPT, ferramenta classificada por ninguém menos que Bill Gates como tão importante para a humanidade quanto o PC. Além de ter sido presidente da Y Combinator, uma das aceleradoras mais prestigiadas do Vale do Silício, Altman é investidor em companhias disruptivas como Airbnb e Reddit.

Uma outra iniciativa que tem as suas digitais é a WorldCoin, um protocolo de identidade de código aberto impulsionado por biometria. Testes da plataforma vêm sendo feitos há um tempo, mas agora parece que o projeto sai oficialmente: a previsão de lançamento é para este semestre ainda, segundo disse, em fevereiro, o sócio de Altman na empreitada, Alex Blania.

O conceito em que se sustenta a WorldCoin é o proof of humanity (PoH), na mesma trilha do proof of personhood, mecanismos que verificam a existência física e a identidade única de uma pessoa, seja por biometria ou outras formas de identificação digital.

Até agora, os produtos da WorldCoin são um token, um aplicativo de celular e, claro, vêm com elementos de IA na mistura.

Um dos objetivos da tecnologia é auxiliar apps integrados à sua rede a ter certeza de que estão interagindo com pessoas e não com robôs, espalhados como vírus pela internet. Já os usuários poderão usar o protocolo de identidade para fazer o login contínuo em sites e aplicativos descentralizados sem a necessidade de entregar dados pessoais como nomes e e-mails.

Até aí, nada muito incomum, principalmente no reino da Web3. Não fosse o hardware requerido pelo protocolo para viabilizar a captura da biometria: um escaneador de retina batizado de Orb. Em 2021, primeira vez em que o equipamento ganhou de fato a atenção da mídia, sua equipe foi duramente criticada e deixou a comunidade cripto desconfiada com as intenções de Altman e cia em armazenar dados das pessoas em um banco centralizado.

Os usuários são convidados ao escaneamento voluntário em troca de criptomoedas. Seria justo? Foi a pergunta que fizeram na época. Essa troca de “vantagens” por biometria é algo corriqueiro na Web2, nada que o Facebook e o Google, por exemplo, não tenham feito.

Mas Altman e Blania lançam mão de uma causa nobre para validar o seu empreendimento, que não estaria na agenda de nenhuma rede social que usufrui dos dados dos usuários. A ambição da WorldCoin é se tornar uma moeda planetária com o objetivo de financiar a distribuição da renda básica universal (UBI), a partir de doações, fundos filantrópicos, parcerias com governos e empresas, e também contribuições da própria comunidade. Assim, criaria o “maior sistema financeiro e de identidade do mundo”.

O estranho equipamento Orb funcionaria, portanto, como o grande catalisador nesse processo de distribuição de renda. Conforme Blania explicou em entrevistas recentes, a imagem capturada é transformada em um hash criptográfico exclusivo que é armazenado na blockchain da WorldCoin. As informações biométricas, ele garante, não serão mantidas.

Não estamos mais em 2021, quando o projeto suscitou a desconfiança do público. É 2023 e ele voltou à tona com tudo. Agora com a credibilidade - e a popularidade - de Altman nas alturas. E não só isso. Ainda tem o suporte de gigantes como Andreessen Horowitz e Coinbase Ventures.

Blania disse considerar o momento atual como o timing perfeito para o lançamento, já que “o mundo talvez entenda que a IA não é uma piada”. Acho que ele está creditando essa compreensão à popularidade do ChatGPT…

A WorldCoin se une ao grupo de empresas na disputa para descobrir o Santo Graal da prova de identidade na internet, algo especialmente desejado pelos desenvolvedores da Web3. Na era da multiplicação de inteligências artificiais, essa busca se torna ainda mais relevante. Já sabemos que no mundo cripto não é difícil criar várias contas para faturar com airdrops e agora, com os robôs dominando o ambiente digital com a “automatização de tudo”, fica difícil determinar quem é quem na fila do pão.

A companhia agora se diz focada em trabalhar para descentralizar o processo. Para isso, anunciou a criação da Fundação WorldCoin, uma organização sem fins lucrativos para liderar a WorldCoin em direção à descentralização.

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Proof of Humanity

A coleta crescente de dados pessoais é uma ameaça real que, se não controlada, pode gerar prejuízos sem precedentes, desde reputacionais a financeiros.

A Web3 sempre levantou a bandeira do retorno dos usuários ao controle sobre suas informações, uma crítica principalmente às Big Techs, que são poucas, mas concentram os dados de bilhões de pessoas. Isso lhes confere um poder colossal e nem sempre usado com fins legítimos.

O proof of humanity se propõe a garantir que apenas pessoas reais tenham acesso a informações sensíveis. Assim também colabora para manter a integridade das plataformas online e a privacidade dos usuários.

Algumas de suas propostas

Identidade digital inclusiva: visa atacar o problema de inclusão digital ao criar uma identidade digital confiável e descentralizada para as bilhões de pessoas no mundo ainda sem acesso a documentos de identidade física. Permite que qualquer um possa gerar uma identidade digital única e autenticada, o que abre portas para a inclusão financeira e econômica.

Identidade global: a tecnologia possibilita a criação de uma identidade digital global e universalmente reconhecida. Facilitaria a vida, por exemplo, de pessoas que se movem com frequência entre fronteiras internacionais, já que o proof of humanity é baseado em biometria. A identidade digital, portanto, seria reconhecida em qualquer lugar do mundo.

Combate a fraudes de identidade: com os mecanismos baseados em biometria, a missão de falsificar uma identidade se torna uma tarefa muito mais árdua.

Privacidade: a biometria é (pelo menos em teoria) usada só para verificar a identidade de uma pessoa, sem armazenar informações pessoais detalhadas. Diferentemente de outras formas de autenticação digital, a proof of humanity não requer dos usuários o compartilhamento de informações pessoais sensíveis, como senhas ou números de cartão de crédito.

Credibilidade: a tecnologia autentica a identidade dos usuários com a biometria, que só pode ser vinculada àquele indivíduo específico. Isso dificulta a criação de contas falsas ou que alguém se passe por você, aumentando a confiança e a transparência nas transações. Já as empresas, ao adotar o proof of humanity, podem ganhar mais credibilidade junto ao usuário, ajudando a fortalecer a sua reputação.

O proof of humanity ainda está em fase inicial de desenvolvimento. Ainda que suas intenções pareçam ser das melhores, existem riscos consideráveis associados à tecnologia. O WorldCoin e outros protocolos que decidiram seguir esse caminho fazem esforços para mitigar esses perigos, mas podem, na contramão, também estar criando outros riscos e nem sabemos ainda. Aliás, nem eles mesmos sabem.

*Felippe Percigo é um investidor especializado na área de criptoativos, professor de MBA em Finanças Digitais e educa diariamente, por meio da sua plataforma e redes sociais, mais de 100.000 pessoas a investirem no universo cripto com segurança.

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