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Stablecoin USDC perde paridade com o dólar após falência de banco e cria crise no mercado

Emissora da criptomoeda, a Circle, tinha reservas no Silicon Valley Bank, o que gerou pânico no mercado e um movimento de venda do ativo

Corretoras bloquearam saques e conversões da criptomoeda USDC (Reprodução/Reprodução)

Corretoras bloquearam saques e conversões da criptomoeda USDC (Reprodução/Reprodução)

Cointelegraph
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Agência de notícias

Publicado em 11 de março de 2023 às 10h11.

Última atualização em 11 de março de 2023 às 10h14.

A USDC, segunda maior criptomoeda pareada ao dólar no mercado, perdeu na noite de sexta-feira, 10, a sua paridade com a moeda norte-americano em meio a um movimento intenso de venda de investidores após o seu emissor, a Circle, revelar que não conseguia sacar US$ 3,3 bilhões de suas reservas, que estavam no banco falido Silicon Valley Bank (SVB).

Em 9 de março, a Circle iniciou uma transferência eletrônica para remover seus fundos do SVB, já que o banco segurado pela Federal Deposit Insurance Corporation estava prestes a encerrar as operações. No entanto, dois dias depois, a empresa confirmou que as transferências eletrônicas não foram totalmente processadas, com US$ 3,3 bilhões em reservas do USDC - que garantem que 1 unidade do ativo equivale a US$ 1 - ainda com o SVB.

O SVB foi fechado pelo Departamento de Proteção Financeira e Inovação da Califórnia por motivos não revelados. No entanto, o regulador da Califórnia nomeou a Federal Deposit Insurance Corporation como receptora para proteger os depósitos segurados dos clientes, caso da Circle.

A stablecoin - como esse tipo de criptomoeda é conhecida - chegou a desvalorizar mais de 10% e ser negociada a US$ 0,8744. Por volta das 10h deste sábado, 11, ela era cotada a US$ 0,909, com uma queda de 9,1%. De acordo com Dante Disparte, diretor de estratégia e chefe de política global da Circle, o SVB é fundamental para a economia dos Estados Unidos. Ele alertou que “seu fracasso – sem um plano de resgate federal – terá implicações mais amplas para negócios, bancos e empreendedores".

Disparte acrescentou ainda que “assim como no Silvergate, nossas equipes trabalharam rapidamente para limitar qualquer exposição aos bancos. Isso inclui uma solicitação de transferência eletrônica feita antes da liquidação pelo FDIC do SVB. Permanece uma exposição de caixa de US$ 3,3 bilhões – mas seguimos as orientações regulatórias estaduais e federais”.

Dados de blockchain revelam ainda que a Circle resgatou US$ 1,4 bilhão em USDC em 8 horas. Para reduzir a exposição, as empresas cripto, incluindo Coinbase e Jump Trading, resgataram aproximadamente US$ 850 milhões e US$ 138 milhões em USDC, respectivamente. Ao mesmo tempo, diversas corretoras suspenderam a conversão de ativos para USDC ou saques dos investimentos na criptomoeda, o que aumentou o pânico no mercado e contribuiu para a perda de paridade.

Apenas duas semanas atrás, em 23 de fevereiro, a Circle anunciou planos para aumentar seu quadro de funcionários em 25% - indo contra a tendência de demissões em andamento. À época, seu diretor financeiro, Jeremy Fox-Geen, havia compartilhado sua intenção de abrir o capital da companhia na bolsa de valores, aguardando uma melhora nas condições do mercado. Ele acrescentou que a indústria de criptomoedas precisava de mais distância das implosões de Terra e FTX para que os investidores públicos reavaliem o futuro dos negócios de ativos digitais.

O ecossistema de stablecoins sentiu um efeito imediato após a desvinculação da USDC em relação ao dólar. Devido ao uso da USDC como parte das reservas que garantem a paridade, os principais ecossistemas de stablecoin seguiram o movimento e também se desvincularam do dólar norte-americano.

A Dai, uma stablecoin emitida pela MakerDAO, perdeu 7,4% de seu valor devido à crise com a USDC. Em junho de 2022, US$ 6,78 bilhões em fornecimento de DAI foram garantidos por US$ 8,52 bilhões em criptomoedas, confirmam dados da Statista. Desse total, o USDC representava 51,87% do colateral da DAI, no valor de US$ 4,42 bilhões. Outras criptomoedas proeminentes incluem ether e Pax Dollar (USDP), em US$ 0,66 bilhão e US$ 0,61 bilhão, respectivamente.

Como resultado da desvalorização de uma das suas garantias de paridade, o DAI desvinculou-se do dólar e chegou a tocar momentaneamente a casa dos US$ 0,897. A stablecoin se recuperou e negocia em torno da marca de US$ 0,92 no momento.

Já o USD Digital (USDD), uma stablecoin emitida pela Tron, e a stablecoin de algoritmo fracionário Frax (FRAX) compartilharam um destino semelhante devido aos sentimentos adversos do mercado. O USDD respondeu à liquidação do USDC com uma queda de quase 7,5%, sendo negociado a US$ 0,925, enquanto o FRAX caiu ainda mais, para US$ 0,885.

Outras criptomoedas populares pareadas ao dólar, como Tether (USDT) e Binance USD (BUSD, continuam a manter uma paridade de 1 para 1 com a moeda norte-americana, ou seja, 1 unidade delas equivale a US$ 1.

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