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Mastercard quer oferecer "leque aberto" de opções de pagamentos além de cartões, diz presidente

Em entrevista exclusiva à EXAME, Marcelo Tangioni destacou potencial da digitalização, mas necessidade de garantir regulação e segurança

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Mastercard tem explorado novas opções de pagamento com a digitalização (Mastercard/Divulgação/Divulgação)

Mastercard tem explorado novas opções de pagamento com a digitalização (Mastercard/Divulgação/Divulgação)

Há mais de 50 anos no mercado, a Mastercard é atualmente uma das maiores empresas do mundo no segmento de meios de pagamento. Globalmente, a empresa processa 140 milhões de transações por hora. No Brasil, é responsável por pouco mais da metade de todo o mercado de pagamentos. Mas o tamanho e a história da companhia não geraram inércia, pelo contrário. A digitalização e os efeitos desse processo nos negócios da Mastercard viraram um foco nos últimos anos.

É o que afirma o presidente da Mastercard Brasil, Marcelo Tangioni, em entrevista exclusiva à EXAME durante da Febraban Tech 2023. Na visão do executivo, a digitalização não é algo novo, mas o seu alcance e velocidade "está mudando drasticamente o mundo de meios de pagamentos eletrônicos. Ela está mudando tudo, não só a gente".  Por isso, ele destaca a necessidade de "acompanhar esse processo e trazer facilidades. É muito bacana".

Uma prioridade da Mastercard nesse cenário, segundo Tangioni, é trabalhar para expandir cada vez mais o leque de opções que os clientes da empresa podem oferecer e acessar. A ideia é ir além dos tradicionais cartões, que se tornaram os produtos mais conhecidos das empresas que fornecem sistemas de processamento de pagamentos e transações. Ao mesmo tempo, o executivo destaca os desafios e demandas que a digitalização traz e que precisam ser enfrentados.

"Leque aberto de opções"

Tangioni explica que a Mastercard adota uma premissa estratégica de apostar em diferentes opções tanto para seus clientes quanto para consumidores e estabelecimentos comerciais. Essa visão rejeita a ideia de um "monotrilho" de serviço, mas sim "multitrilhos". Por isso, a empresa "há muitos anos já investe em formas de pagamento além da tradicional, do cartão".

"A gente acredita em ser um multitrilho, e quando acreditamos nisso, deixamos o leque aberto", explica. Por isso, ele acredita que a empresa consegue estar melhor preparada para antecipar ou ao menos reagir a possíveis surpresas nas escolhas dos consumidores, indo desde um fim do cartão físico – como muitos apostam – até uma possível manutenção dessa opção no gosto dos usuários, mas com crescimento de outras.

Nesse sentido, o executivo explica que a empresa tem enxergado diferentes oportunidades de negócio tanto no Brasil quanto em nível global. Mundialmente, ele destaca que muitos países têm um cenário diferente do brasileiro, com uso elevado de dinheiro e cheque, caso dos Estados Unidos. Por isso, a Mastercard "ainda tem a missão global de transferir transações de meios de pagamento, do papel para o eletrônico".

"O Brasil avançou muito em inclusão financeira, mas ainda tem mercados muito atrás do Brasil, na América Latina mesmo. O México e a Colômbia ainda estão muito aquém do Brasil e do que encontra em mercados mais avançados, é uma oportunidade muito grande", pontua.

Mas, mesmo com o forte avanço da digitalização das opções de pagamento, Tangioni ainda vê "muita oportunidade" no mercado brasileiro. Um aspecto que ele destaca é a necessidade de ainda avançar na substituição das cédulas de papel pelos pagamentos eletrônicos fora dos grandes centros urbanos, já que essas áreas ainda avançaram menos nessa questão.

Outro ponto que ele destaca é o potencial do consumo privado, mais especificamente das micro e pequenas empresas. Ele avalia que a indústria de meios de pagamento "nunca focou nesse segmento", apesar do grande potencial. "Hoje, um MEI ainda usa muito o cartão de pessoa física, então tem um desalinhamento de proposta de valor e a necessidade dele. É uma oportunidade de trazer a pessoa, mas principalmente ser mais eficiente na entrega e geração de valor. Fazer com que as pessoas usem mais o cartão, dar o produto correto".

Ele também acredita que a área de pagamentos de contas pelo cartão de contas usando opções da Mastercard possui oportunidades, mas ainda é mais complexa de ser trabalhada. Além disso, há o uso de cartão de débito para pagamentos online, que "não é popular" atualmente. Saindo dos serviços centrais da empresa, Tangioni também cita valores agregados.

"Independente de ser uma empresa que emita ou não cartão, de ter relação com o pagamento, a gente pode oferecer serviços de consultoria, de dados. A Mastercard em mais de 50% de market share no Brasil, é uma oportunidade de geração de valor. A gente já usa inteligência artificial para permitir que o cliente customize ofertas, e também trabalha com proteção de fraudes, prevenção de ataques cibernéticos", explica. A área de segurança de dados cresceu tanto que é, hoje, responsável por quase um terço do faturamento da empresa.

Para 2023, Tangioni cita três projetos que devem ser o foco da Mastercard no Brasil. O primeiro é o Débito Online, que busca incentivar o uso do cartão de débito. A iniciativa envolveu uma organização com outros players da indústria para criar regras padronizadas entre todas as bandeiras de cartão, o que era uma demanda de gigantes digitais de varejo.

"As gigantes digitais pedem o estado da arte, então a gente se reorganizou como indústria e nos aliamos em um grupo seleto de estabelecimentos com 50% do potencial de transações online. Nós criamos um programa homogêneo entre as empresas, e a ideia é avançar até 30 grandes estabelecimentos comerciais, trazendo o cartão de débito para o online. A ideia já está no ar, e a ideia é expandir", diz o executivo.

O segundo projeto, que também está em funcionamento, é o MetaPay, que surgiu após a Mastercard notar como o WhatsApp é "muito adotado por brasileiros e em comércios, em especial por MEIs. As pessoas fazem conversas, negociações, mas faltava um passo final, que era o pagamento". Agora, é possível realizar pagamentos diretamente no aplicativo, usando um cartão em formato de token. Após o lançamento, o foco agora é em atrair mais emissores para o projeto.

Por fim, a Mastercard Brasil também trabalha no Click to Pay. O objetivo dele é oferecer, em um único botão, a possibilidade de escolher pagar com todas as bandeiras de cartão do mercado, colocando seus dados uma única vez e armazenando as credenciais de forma segura na nuvem, permitindo que a transição seja facilitada.

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Desafios e demandas

Na visão do presidente da Mastercard, apesar de trazer benefícios, a digitalização também traz preocupações. A principal questão, explica, é conseguir combinar "conveniência, fluidez na experiência do consumidor e segurança, ter esse balanço, sem exagerar em algo". Ele acredita que a digitalização é importante também ao trazer mais inclusão financeira, transformando a economia e trazendo mais eficiências para o sistema.

Para lidar com esses desafios, ele diz que "o envolvimento de reguladores a nível global não pode ser descartado. Quando fala sobre regulação, normalmente as pessoas olham o regulador não necessariamente com bons olhos, mas para meios de pagamentos a participação deles trouxe muitos benefícios. A gente precisava estabelecer regras que facilitassem e deixassem claro as regras para a participação de todo mundo".

"Essa clareza, previsibilidade, gera atração de investidores e a entrada de novos participantes. O problema da regulação é quando passa do limite. É importante ter um balanço, já que quando interfere demais inibe concorrência, e aí está afetando a inovação, a busca por eficiência", destaca Tangioni.

Outro ponto de destaque nessa esfera é o da segurança, que se tornou "uma das principais questões" do negócio de pagamentos digitais. Mas essa preocupação não é nova. "Qualquer meio de pagamento não vai pra frente sem segurança, é o dinheiro das pessoas. Então segurança é fundamental", avalia o executivo.

E, na visão de Tangioni, a experiência da Mastercard na proteção de dados abre margem para muitas oportunidades e contribuições com o mercado. "A Mastercard e outras empresas do setor são alvos diários de ataques cibernéticos de todos os lados, então tem que ter uma rede impermeável, a proteção de dados é fundamental. Se tem vulnerabilidade, a credibilidade do negócio cai, e pode ter até uma economia em colapso", ressalta.

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