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Felippe Percigo: NFTs partem para o ataque na Copa do Mundo do Catar

O Mundial do Catar deve se tornar a maior vitrine de tokens não fungíveis da história da tecnologia até aqui. Mas outras modalidades esportivas também já se renderam. Entenda.

Copa do Mundo no Catar em 2022 explora NFTs como interação com torcedores (Tim Nwachukwu/Getty Images)

Copa do Mundo no Catar em 2022 explora NFTs como interação com torcedores (Tim Nwachukwu/Getty Images)

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Felippe Percigo

26 de novembro de 2022, 10h50

Por Felippe Percigo*

Já somos 8 bilhões de pessoas no planeta e dois terços desse público estarão ligados na Copa do Mundo do Catar, estima a Fifa.

Faz quase cem anos que o primeiro Mundial aconteceu. Se alguém lá atrás - não precisamos nem retroceder tanto tempo - dissesse que teríamos nuvens artificiais flutuando sobre estádios e robôs marcando impedimentos, certamente seria visto como um sujeito que não bate bem.

Entre tantas tecnologias que estão mudando o jogo, destacam-se os NFTs. E a Copa do Catar já é uma das maiores vitrines para os tokens não fungíveis na história do mercado cripto. Vemos não apenas marcas e empresas vinculadas ao esporte abraçando a indústria, mas também a própria Fifa e uma lista enorme de atletas.

(Mynt/Divulgação)

Vamos dar um zoom nesta lista? Ah, espera um segundo. Antes, preciso dizer que nada aqui é recomendação de investimento. A proposta é comemorar o evento e, claro, a tecnologia.

Em homenagem ao 2x0 contra a Sérvia, vou abrir com Richarlison. O craque da partida da última quinta-feira, 24, e jogador do Tottenham (Inglaterra) lançou, no início do mês, uma coleção de NFTs com momentos marcantes da carreira para festejar a sua convocação para a seleção.

Mas essa não foi a primeira vez do jogador. Em junho, ele já tinha chutado uma coleção de cards colecionáveis para o gol. Os itens da nova série estão sendo negociados no marketplace da IDG-NFT. Os donos dos NFTs poderão interagir com conteúdo do atleta, participar de reuniões exclusivas e ganhar outras peças especiais de colecionador.

A experiência fica ainda mais avançada com a categoria “Legendary”, que dá direito a viagem para duas pessoas à Inglaterra, com três noites de hospedagem, camarote para assistir a um jogo de Richarlison e até jantar com o atacante.

Na sequência da seleção não fungível temos Neymar. Sabemos da paixão do atleta do PSG pelo negócio. O ídolo paulista é um dos mais celebrados detentores de NFTs do mundo e sua carteira inclui nada menos do que duas peças do Bored Ape Yacht Club, nas quais desembolsou milhões de dólares.

Neymar lançou, no fim de outubro, a sua série de colecionáveis, que está sendo liberada em capítulos. O primeiro e segundo capítulos, “JungleVIBES” e “Human”, podem ser encontrados na OpenSea. Os itens têm relação com um metaverso próprio anunciado na mesma época, batizado de “Beastmode”.

Segundo a NFTSTAR, parceira do atleta no empreendimento, os NFTs dão aos detentores condições especiais como interagir com conteúdo customizado, participar de encontros e ganhar outros cards.

O bom competidor também pode reverenciar o adversário, certo? Por isso, Messi também tem vez aqui. O craque argentino desenvolveu uma coleção para chamar de sua em colaboração com o estúdio Ethernal Labs. É formada por obras digitais do artista Victor Mosquera, além de colecionáveis que festejam suas cinco participações em Copas.

O argentino, sete vezes escolhido o maior do mundo pela Fifa, foi ainda mais longe na indústria cripto. Tornou-se investidor e embaixador global do Sorare, um fantasy game baseado em NFTs. Segundo a startup francesa, sua função será criar novas formas de conexão entre jogadores, clubes e torcedores. A companhia já tem como conselheira, por exemplo, a lenda do tênis Serena Williams.

Para fechar a lista, chega o capitão da seleção portuguesa, que bateu recentemente a marca de 500 milhões de seguidores no Instagram. A coleção de estreia de Cristiano Ronaldo traz sete estátuas animadas do CR7 que representam fases icônicas de sua trajetória.

São 6.645 tokens divididos em quatro níveis de raridade e, cada nível, com benefícios correspondentes. Os donos dos NFTs podem receber mensagens pessoais do atleta, autógrafos e produtos licenciados, entre outras coisas. Os colecionáveis estão à venda na Binance, que já anunciou seu desejo de turbinar o projeto em 2023.

Das estrelas de primeira grandeza, passemos ao maestro da coisa toda. A Fifa carimbou forte o passaporte para a Web3 nesta Copa. A entidade máxima do futebol global está apostando nos jogos play-to-earn e abre um grande espaço na competição para incentivar a tecnologia dos tokens não fungíveis. Os games são (com informações da Fifa):

AI League - o FIFA World Cup Qatar 2022 Edition: competição de futebol casual 4 contra 4, jogado entre personagens controlados por inteligência artificial. Os jogadores atuam como treinadores de suas equipes de IA e podem melhorar suas habilidades por meio de power-ups e treinamento, além de coletar e trocar personagens para criar uma equipe customizada. As partidas acontecem em lugares estilizados de streetball em todo o mundo, com locações inclusive no Brasil.

Copa do Mundo FIFA Qatar 2022 no Upland: no metaverso Upland, os jogadores podem comprar, vender propriedades virtuais e coletar ativos digitais oficiais da competição, incluindo momentos em vídeo do torneio. É possível fazer um tour por réplicas dos estádios e da própria cidade de Lusail, onde rola o Mundial.

Matchday Challenge: FIFA World Cup Qatar 2022 Edition: um jogo de previsão social das competições reais baseado em cards.

• Copa do Mundo FIFA Qatar 2022 no Phygtl: por último, um aplicativo móvel de engajamento de torcedores que leva os fãs a desenvolver uma experiência imersiva. A proposta é que os usuários se reúnam para co-criar a primeira recompensa digital totalmente gerada por fãs.

Além dos jogos, a entidade também ampliou seu ecossistema NFT com uma plataforma própria baseada na blockchain da Algorand, a Fifa+ Collect. NFTs com vídeos que mostram recortes lendários da história das Copas podem ser adquiridos por US$ 4,99. Um deles é o gol inesquecível de Ronaldo Fenômeno em 2002, no minuto 79 da final contra a Alemanha, que consagrou o Brasil campeão.

Como vimos, o futebol descobriu uma forma de usar a tecnologia para estabelecer vínculos mais estreitos com os torcedores. Assim, desponta como um dos maiores mercados de tokens não fungíveis do momento. Mas outras modalidades esportivas também já apresentam muita tração, como o basquete, por exemplo. A NBA, aliás, é um dos maiores impulsionadores do setor. Este ano, o NBA Top Shot, plataforma desenvolvida em parceria com a Dapper Labs, ultrapassou US$ 1 bilhão em vendas de NFTs.

A startup também desenvolveu um marketplace para a NFL, a liga de futebol americano dos Estados Unidos. E, mais recentemente, se uniu à LaLiga, de futebol espanhol, para lançar a “Golazos”, que, como as plataformas anteriores, vai disponibilizar para os compradores NFTs com vídeos de lances memoráveis do torneio.

Os colecionáveis acabaram ganhando um grande peso dentro do universo de tokens não fungíveis esportivos. Mas as funções dos NFTs no âmbito do jogo se estendem a mais territórios. É o caso de ativações em tempo real durante a partida, nas quais o mundo externo se une ao virtual. Existem NFTs que podem ser ativados enquanto a bola rola, permitindo que o usuário interaja com outros torcedores próximos ou até mesmo com o time.

Os drops de NFTs também são uma possibilidade empolgante para os fãs. Atirar camisas aos torcedores no estádio ficou no passado, existem formas mais modernas de presentear os apoiadores. Com a tecnologia, o clube pode explorar a possibilidade de enviar NFTs gratuitamente a um número seleto de torcedores que permitam acesso especial ao estádio ou até uma conexão com os jogadores.

NFTs específicos também podem ser criados exclusivamente para torcedores que comprarem ingressos para as partidas. Esse é outro caso de uso bacana. O detentor teria apenas que digitalizar um código QR e coletar o NFT da equipe ao entrar no estádio. É possível ainda gerar condições diferenciadas para ingressos por categorias, como VIPs, por exemplo. Essas combinações acabam criando um novo status para os bilhetes.

Definitivamente, existe um grande público ávido por se engajar de forma mais intimista com seus ídolos e equipes favoritas. E os NFTs chegaram para preencher esta lacuna. O que vem por aí? Também não sei, mas estou doido para ver. Boa Copa a todos! Brasil!!!!

*Felippe Percigo é um investidor especializado na área de criptoativos, professor de MBA em Finanças Digitais e educa diariamente, por meio da sua plataforma e redes sociais, mais de 100.000 pessoas a investirem no universo cripto com segurança.

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