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Todo bull market se apoia em certas narrativas como importantes desencadeadores de alta. Podemos dizer que os ETFs à vista de bitcoin, sem dúvida, estão entre as mais influentes no novo e aguardado ciclo de valorizações.

Recentemente aprovados pela SEC, os fundos negociados em bolsa de bitcoin à vista estão, sim, no epicentro do hype, mas não representam um movimento passageiro. Eles se estabelecem como instrumentos de enorme importância para a cena cripto, em especial por sua capacidade de abrir as portas para uma ampla adoção e o poder de dar um boost na credibilidade dos ativos digitais.

Nesta coluna, vamos entender mais sobre a relevância dos ETFs e investigar aspectos desse mercado que não são comumente abordados.

A primeira grande vantagem, na minha opinião, é obter o respaldo de grandes players, incluindo gigantes do mercado tradicional.

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Quando embarquei na criptoesfera, bem lá atrás, todos os entusiastas como eu sonhavam com os momentos em que um país adotaria o bitcoin como moeda de curso legal, em que bancos se renderiam ao bitcoin e até ofertariam produtos financeiros baseados no ativo.

Vimos esses sonhos aos poucos virarem realidade, mas sempre em meio a inúmeras objeções, que eram construídas e, depois, felizmente, desconstruídas, para finalmente chegarmos ao patamar de avanço atual.

E que momento é esse?

É o momento em que titãs do mercado tradicional, como BlackRock, Fidelity e Vanguard, fazem aplicações junto à SEC, a CVM americana, para lançar seus ETFs de bitcoin à vista e têm êxito na aprovação pela reguladora.

Essa conquista renovou os ânimos do mercado. Especialmente nesta época pré-halving, que já é conhecido, historicamente, por ser um impulsionador de bull markets.

E qual é a importância do envolvimento dessas gigantes?

Precisamos, antes, entender a magnitude dessas corporações. A Vanguard, por exemplo, é uma gestora antiga, fundada em 1975, e tem sob gestão US$ 7 trilhões em ativos.

Para quem não conhece, o termo “sob gestão” quer dizer que todos os ativos dos clientes da gestora somados resultam em US$ 7 trilhões no caso da Vanguard.

Os dois maiores fundos de investimento do mundo são a BlackRock e o Vanguard Group. Juntos, possuem mais de US$15 trilhões em ativos sob gestão.

O que isso significa para os investidores?

Quando vemos gigantes do mercado tradicional querendo criar um ETF de bitcoin à vista para ofertar aos seus clientes, significa que essas corporações estão prontas para trazer toda a bagagem de sucesso que possuem nas finanças tradicionais para a criptoesfera.

Além de entregarem um produto descomplicado e com bom custo-benefício, elas acabam por chancelar o bitcoin como um ativo relevante para se investir. O respaldo cresce ainda mais quando pensamos que esses ETFs conseguiram prosperar em um ambiente regulatório tão rigoroso como o norte-americano.

Com os ETFs, portanto, os investidores ganham um instrumento simples e regulado para se expor ao bitcoin, o mercado de ativos digitais em si ganha relevância e, claro, as gestoras ganham muito também.

Quanto? Vamos fazer alguns cálculos juntos.

Vemos na imagem que a BlackRock cobra 0,25% de sponsor fee ao ano para fazer a gestão dos bitcoins de seu novo ETF.

Como mostra a tabela acima, o valor sob gestão no ETF de bitcoin da BlackRock soma US$ 6 bilhões. Se multiplicarmos US$ 6 bi pela taxa de 0,25%, encontramos que a gigante arrecada US$ 15 milhões por ano de taxas com a gestão do fundo.

Peguemos agora a Grayscale, que, como diz a tabela, tem mais de US$ 23 bilhões em bitcoin no seu ETF, ou seja, cerca de quatro vezes mais que a BlackRock. Assim, se multiplicarmos por 4 o que a BlackRock arrecada (US$ 15 milhões), podemos dizer que a Grayscale arrecadaria algo na casa dos US$ 60 milhões em taxas anuais.

As gestoras estão ganhando dinheiro com os ETFs, mas nada perto do que podem vir a ganhar com o tempo.

Vamos entender o potencial do ETF de bitcoin diante dos ETFs tradicionais que essas corporações ofertam.

A BlackRock comanda o famoso fundo negociado em bolsa IVV, também conhecido como iShares Core S&P 500 ETF. Como vocês conseguem checar na imagem acima, a expense ratio é 0,03%. Como vimos anteriormente, por outro lado, a taxa do ETF de bitcoin deles é 0,25%, o que significa um ganho 8 vezes maior em taxa com o produto de bitcoin.

Sob gestão no IVV, a BlackRock tem mais de US$ 443 bilhões (imagem a seguir). Assim, arrecada por ano com taxas o total de US$ 443 bilhões multiplicado pelo expense ratio de 0,03%, o que resulta em US$ 130 milhões anuais de ganhos em taxas.

Se a gente colocar na ponta do lápis, o ETF de bitcoin gera para a BlackRock hoje US$ 15 milhões com cerca de 10% do valor sob gestão no IVV.

Podemos entender, então, porque as gestoras se mostram tão otimistas com os fundos negociados em bolsa de bitcoin. Para concluir, suponhamos que a BlackRock atinja US$ 100 bilhões sob gestão no ETF de bitcoin, cobrando uma taxa de 0,25%: a gestora vai arrecadar praticamente o dobro do que arrecada com o seu maior ETF, que, como vimos, se soma quase US$ 500 bilhões em ativos.

Vocês devem ter lido na mídia esses dias a informação de que os ETFs de bitcoin tiveram a melhor estreia nos EUA em 30 anos. Os lançamentos foram muito positivos para o mercado.

Para fechar, um outro ponto que gostaria de destacar é que as gestoras não estão no negócio dos ETFs para brincar. Isso da mesma forma que você, que lê esse texto. Quem está aqui é porque leva seus investimentos a sério: quer entender para investir certo e lucrar.

Ao comprar bitcoin hoje, esses players estão acumulando e armazenando o ativo, e a tendência é que os clientes mantenham os seus investimentos sob a gestão dessas corporações durante anos. Desta forma, esse bitcoin dos ETFs é retirado de circulação do mercado e, com a redução da oferta, o preço do ativo vai aumentando. E, claro, a lucratividade das gestoras, proporcionalmente, vai se multiplicando.

Se você chegou aqui depois dessa matemática toda, parabéns! Agora, consegue entender como o movimento dos ETFs de bitcoin à vista não é apenas importante para a criptoesfera, mas tem impacto significativo para o mercado como um todo.

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