Logo Exame.com
Mercados

Flávio Bolsonaro: a vitória possível e o desafio do dia seguinte

ARTIGO: Uma vitória da oposição pode animar os mercados, mas o avanço das reformas estruturais segue sendo um desafio

 (Vittor Sales/Flickr)
(Vittor Sales/Flickr)
Alexandre Pierantoni

Alexandre Pierantoni

Managing Director e Head de Investment Banking da Kroll no Brasil

Publicado em 5 de outubro de 2026 às 10:54.

Última atualização em 5 de outubro de 2026 às 11:49.

RESUMO +

A candidatura de Flávio Bolsonaro pode vencer a eleição brasileira e provocar alívio imediato nos mercados, segundo a análise. O artigo avalia que uma eventual vitória da oposição teria fôlego no curto prazo, porém enfrentaria dificuldades para resolver problemas estruturais do Brasil sem um projeto detalhado, reformas impopulares e articulação política.

Flávio Bolsonaro pode vencer. A eleição brasileira já mostrou que a distância entre pesquisa e urna é menor do que se supõe. Há uma margem de erro, um eleitorado independente que decide tarde e uma rejeição ao governo atual que não desaparece por decreto. Em um segundo turno apertado, qualquer fator definirá o jogo.

No curto prazo, o otimismo tem fundamento. Uma vitória da oposição tende a gerar alívio imediato nos mercados, que reagem a sinais de mudança de rumo fiscal. Sinalizaria também renovação para uma parcela grande do país que se sente sem representação, e daria impulso a pautas como segurança pública e redução do peso do Estado. Em política, a primeira fase de um governo costuma ser a mais generosa, com capital político alto, Congresso disposto a negociar e uma opinião pública que concede o benefício da dúvida.

O problema está no médio prazo. Os desafios estruturais do Brasil não mudam com a troca de nomes: baixa produtividade, educação que entrega pouco, desigualdade persistente, sistema tributário caótico (mesmo no contexto da Reforma Fiscal), dívida pública crescente e um Estado caro que atende mal a sociedade. Resolvê-los exige reformas impopulares, construção de consensos e uma agenda que vá além da próxima eleição.

A aposta em Flávio se organiza em torno de identidade, oposição e lealdade a um grupo político. A polarização que o sustenta é a mesma que pode dificultar: sem pontes com o centro e com setores que não o apoiam, qualquer agenda de reformas esbarra no Congresso e no desgaste permanente. Governos que vivem em campanha acabam administrando conflitos, não problemas. Há com certeza uma demonstração de preocupação econômica e endereçamento da situação, mas sabe-se que, de fato, não são medidas populares e de curto prazo que sanarão o problema.

Há ainda o risco de que a energia do poder se consuma em disputas institucionais, judiciais e culturais, deixando para depois o que realmente importa. Foi assim em outros momentos da nossa história recente, à esquerda e à direita: a euforia inicial dá lugar à frustração quando as questões centrais seguem intocadas.

Em resumo, uma vitória de Flávio pode trazer um fôlego de curto prazo, mas o desafio segue sendo enfrentar o que trava o Brasil há décadas.

'Perguntas frequentes'

Flávio Bolsonaro pode vencer a eleição brasileira? +

Sim, Flávio Bolsonaro pode vencer, embora não seja apontado como favorito no artigo. A análise cita a margem de erro das pesquisas, os eleitores independentes que decidem tarde e a rejeição ao governo atual como fatores capazes de influenciar um segundo turno apertado.

Como uma vitória de Flávio Bolsonaro afetaria os mercados? +

Uma vitória da oposição tenderia a gerar alívio imediato nos mercados, segundo o artigo. A reação estaria ligada à expectativa de mudança na condução fiscal.

Quais seriam os efeitos políticos de uma vitória da oposição? +

Segundo a análise, uma vitória da oposição poderia representar renovação para parte do eleitorado e impulsionar pautas como segurança pública e redução do peso do Estado. O início do governo também teria capital político elevado, maior disposição do Congresso para negociar e o benefício da dúvida da opinião pública.

Quais desafios estruturais o próximo governo enfrentará? +

O artigo aponta baixa produtividade, desempenho insuficiente da educação, desigualdade persistente, sistema tributário caótico, dívida pública crescente e um Estado caro como desafios estruturais do Brasil. A análise sustenta que essas questões exigem reformas impopulares, construção de consensos e planejamento além da eleição seguinte.

Por que a candidatura de Flávio Bolsonaro é considerada frágil no médio prazo? +

A análise avalia que a candidatura de Flávio Bolsonaro se apoia mais em identidade, oposição e lealdade a um grupo político do que em um projeto detalhado de país. Sem diálogo com o centro e com setores contrários à candidatura, uma agenda de reformas poderia enfrentar resistência no Congresso e desgaste permanente.

Qual é o principal risco de um eventual governo Flávio Bolsonaro? +

Segundo o artigo, o principal risco é o governo consumir sua energia em disputas institucionais, judiciais e culturais, enquanto os problemas estruturais permanecem sem solução. Nesse cenário, a euforia inicial poderia dar lugar à frustração no médio prazo.

Para quem decide. Por quem decide.

Saiba antes. Receba o Insight no seu email

Li e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade

Alexandre Pierantoni

Alexandre Pierantoni

Managing Director e Head de Investment Banking da Kroll no Brasil

Alexandre Pierantoni é Managing Director e Head de Investment Banking para a América Latina e Brasil, baseado no escritório de São Paulo.

Continua após a publicidade
EXCLUSIVO: Recuperação judicial volta ao retrovisor da JAC Motors Brasil

EXCLUSIVO: Recuperação judicial volta ao retrovisor da JAC Motors Brasil

Um fundo, várias casas: a aposta de R$ 100 milhões da Hike Capital no crédito privado

Um fundo, várias casas: a aposta de R$ 100 milhões da Hike Capital no crédito privado