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Juros com tendência em queda, tecnologia em alta

ARTIGO: Queda dos juros estimula a diversificação, enquanto inteligência artificial, dados e automação ganham peso na competitividade das gestoras

 (Magnific)
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Rodrigo Galasini

Rodrigo Galasini

diretor de Fundos da Evertec Brasil.

Publicado em 17 de outubro de 2026 às 07:00.

RESUMO +

A indústria de fundos no Brasil entrou em um novo ciclo em 2026, marcado pela queda da Selic e pela transformação tecnológica das gestoras. Dados, inteligência artificial, nuvem e automação ganham espaço na análise de investimentos, na gestão de riscos e na eficiência operacional, enquanto a possível diversificação das carteiras amplia a demanda por infraestrutura tecnológica.

A indústria de fundos no Brasil está entrando em um novo ciclo e ele não é apenas econômico. O início do ciclo de queda da taxa de juros marca uma inflexão relevante para o mercado, mas o movimento mais profundo acontece nos bastidores: uma transformação estrutural impulsionada pela tecnologia.

Depois de atingir 15% ao ano, a Selic começou a recuar em 2026 e chegou a 13,75% em setembro. Ainda assim, a renda fixa segue predominante nas decisões de alocação. No primeiro semestre deste ano, os fundos de investimento registraram captação líquida de R$ 184,7 bilhões, mais que o dobro dos R$ 84 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Desse total, R$ 108,4 bilhões foram direcionados a fundos de renda fixa, segundo a ANBIMA.

À medida que o ciclo de redução dos juros avança, porém, a busca por retorno tende a estimular a diversificação e elevar o nível de sofisticação da indústria de fundos. Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser suporte e passa a ocupar um papel central na competitividade das gestoras.

O movimento não acontece isoladamente. O sistema financeiro brasileiro como um todo tem acelerado seus investimentos em inovação. Até o fim de 2026, os bancos devem destinar R$ 50,4 bilhões à tecnologia, crescimento de 8% em relação ao ano anterior e de 58% nos últimos cinco anos, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária.

Mais do que o volume, chama atenção a direção desses investimentos. Apenas em inteligência artificial, Analytics e Big Data, estão previstos cerca de R$ 3 bilhões neste ano. Outros R$ 3,9 bilhões devem ser destinados à migração para a nuvem, uma alta de 30% em relação a 2025. Dados, cloud e inteligência artificial estão no centro das estratégias das instituições financeiras, refletindo a necessidade de processar grandes volumes de informação e ganhar eficiência em escala.

No universo dos fundos, essa transformação se manifesta em três frentes principais. A primeira é o uso intensivo de dados. Em um ambiente cada vez mais dinâmico, a tomada de decisão passa a depender de análises em tempo real, integração de informações e modelos mais sofisticados. A inteligência artificial amplia essa capacidade ao permitir processar grandes volumes de dados com mais velocidade e apoiar processos que vão da análise à gestão de riscos.

A segunda frente é a integração do ecossistema financeiro. O avanço do Open Finance tem permitido maior compartilhamento de dados entre instituições, viabilizando produtos mais personalizados, processos mais ágeis e redução de fricções operacionais. Esse movimento também contribui para ampliar a capacidade das instituições de compreender seus clientes e desenvolver soluções mais aderentes às suas necessidades.

A terceira, e talvez mais crítica, é a eficiência operacional. Em um ambiente de maior competição, diversificação de produtos e pressão por eficiência, a capacidade de automatizar processos, reduzir custos e aumentar a produtividade passa a impactar diretamente a competitividade das gestoras. Tecnologias como inteligência artificial, machine learning e plataformas integradas deixam de ser diferenciais e passam a estruturar o core das operações.

Essa transformação ocorre em paralelo à ampliação do universo de investidores no país. Atualmente, 36% da população brasileira declara possuir algum tipo de investimento financeiro, e outros 23 milhões de brasileiros indicaram intenção de começar a investir em 2026, segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela ANBIMA em parceria com o Datafolha.

Esse aumento potencial de escala adiciona uma camada adicional de complexidade ao mercado. Mais clientes, mais produtos, mais dados e maior exigência por transparência, personalização e performance. O resultado é uma indústria que se torna, ao mesmo tempo, mais sofisticada e mais dependente de infraestrutura tecnológica.

Naturalmente, esse avanço também traz desafios. A adoção de novas tecnologias exige investimentos relevantes, maturidade na gestão de dados e atenção crescente à segurança e à regulação. O equilíbrio entre inovação, eficiência e governança será determinante para o sucesso das instituições nos próximos anos.

O fato é que a transformação digital do setor financeiro deixou de ser uma agenda futura. Ela já está redefinindo a forma como fundos são estruturados, operados e distribuídos. No próximo ciclo, performance não será definida somente pela estratégia de investimento, mas pela tecnologia que a sustenta.

'Perguntas frequentes'

Quanto os fundos de investimento captaram no primeiro semestre de 2026? +

Os fundos de investimento registraram captação líquida de R$ 184,7 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo a ANBIMA. O valor superou os R$ 84 bilhões do mesmo período de 2025, e R$ 108,4 bilhões foram destinados a fundos de renda fixa.

Como a queda da Selic pode afetar a indústria de fundos? +

A redução da Selic tende a estimular a busca por retorno e a diversificação dos investimentos. Nesse cenário, as gestoras passam a depender mais de tecnologia para analisar dados, administrar riscos e operar produtos mais sofisticados.

Quais tecnologias estão transformando a gestão de fundos? +

Inteligência artificial, machine learning, análise de dados em tempo real, computação em nuvem e plataformas integradas estão entre as principais tecnologias citadas. Esses recursos apoiam a análise de investimentos, a gestão de riscos, a automação de processos e a redução de custos.

Quanto os bancos devem investir em tecnologia em 2026? +

Os bancos devem destinar R$ 50,4 bilhões à tecnologia até o fim de 2026, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária. A previsão representa alta de 8% em relação a 2025 e de 58% nos últimos cinco anos.

Quantos brasileiros pretendem começar a investir em 2026? +

Outros 23 milhões de brasileiros declararam intenção de começar a investir em 2026, segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela ANBIMA em parceria com o Datafolha. O levantamento também aponta que 36% da população brasileira já possui algum tipo de investimento financeiro.

Quais são os desafios da transformação tecnológica das gestoras? +

As gestoras precisam realizar investimentos relevantes, amadurecer a gestão de dados e ampliar a atenção à segurança e à regulação. O equilíbrio entre inovação, eficiência e governança será decisivo para a competitividade das instituições.

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Rodrigo Galasini

Rodrigo Galasini

diretor de Fundos da Evertec Brasil.

Diretor da unidade de Fundos da Evertec. Economista formado pela FAAP, possui MBA pela USP, mestrado em Gestão para Competitividade pela FGV e formação executiva pela Wharton School e pela University of British Columbia (UBC).

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