ESG

Apoio:

logo_suvinil_500x252
Logo TIM__313x500
logo_unipar_500x313
logo_espro_500x313
logo_engie_500X252

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Onde estão as mulheres nos conselhos de administração das empresas?

Aumento da presença feminina em Conselhos já é tema de PL. Mas é preciso também, mudança de cultura a nível nacional.

 (Foto/Divulgação)

(Foto/Divulgação)

EXAME Plural
EXAME Plural

Plataforma feminina

Publicado em 25 de junho de 2024 às 11h28.

Última atualização em 25 de junho de 2024 às 11h29.

Tudo sobreExame Plural
Saiba mais

por Luciana Coen*

Alguns anos atrás, uma marca bastante famosa lançou uma campanha publicitária no SuperBowl – o espaço comercial mais caro do mundo – para levantar uma bandeira importante: a equidade de salários entre homens e mulheres. Uma peça muito bonita, direção de arte primorosa, roteiro cativante e uma mensagem de impacto, entregue com respeito e dignidade. Foi um desastre.

O que deu errado?

Imediatamente à veiculação da peça, as pessoas começaram a se perguntar quantas mulheres faziam parte da alta liderança da dita empresa. A resposta não era muito promissora: apenas 16% das pessoas em cargos de diretoria eram mulheres. Já no conselho de administração, o número de mulheres era zero. A desconexão entre o discurso e a prática não desceu bem. E a Internet não perdoa.

Apesar desta história já ter quase uma década, ela é emblemática por demonstrar a complexidade e as nuances de um programa de equidade bem estruturado. Nossa cultura carrega uma carga de patriarcado que é milenar. Nossa visão sobre o tema é repleta de vieses e pontos cegos. A transformação verdadeira é longa e é árdua. Mas é necessária.

Devagar, o mundo vai mudando. Mas no Brasil, a mudança é ainda mais lenta. A pesquisa “Board Members Latam 2023/2024” realizada pela PageGroup colocou o país como um dos que menos abre espaço para as mulheres nos Conselhos de Administração, com apenas 25% das cadeiras ocupadas por mulheres. Um estudo similar do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), que leva em conta também cargos de alta diretoria, coloca este número em 15,2% em 2023.

A presidência do conselho por mulheres só é uma realidade em 7% das empresas nacionais, o que com certeza é um fator crucial para virarmos essa chave. De acordo com a pesquisa “Panorama Mulheres”, promovida pelo Talenses Group, o número de mulheres em cargo de liderança é em média 20% maior nas empresas presididas por mulheres. A mudança tem que começar de cima. E é nos conselhos que podemos ver essa mudança se realizar de fato.

A pauta já é debatida em Brasília: no final de 2023, a Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou o PL 1246/21, que estabelece uma cota de 30% para a presença de mulheres nos conselhos de administração de empresas públicas, sociedades de economia mista e outras companhias em que a União, o Estado ou o Município detenha a maioria do capital social com direito a voto. Estabelece, também, que 30% destas vagas devem ser ocupadas por mulheres negras ou portadoras de deficiências. O texto aguarda apreciação da Comissão e Constituição, Justiça e Cidadania para entrar em votação.

A aprovação do PL abrirá mais uma via de acesso para as mulheres chegarem às cadeiras que realmente fazem a diferença. Esse processo tem tudo para resultar em um ciclo de feedbacks positivos, onde mais mulheres alcançam posições de onde podem mentorar, promover e empoderar outras mulheres.

É importante dizer, também, que junto com mulheres e outras populações minorizadas ou minorias, vêm também outras ideias em conselhos, outras disciplinas também. A defesa da diversidade em conselhos é, depois de ser o correto a ser feito, uma questão de inovação, de eliminação de vieses, de novas ideias! Conselhos hoje, infelizmente, estão cheios das mesmas visões e com as mesmas disciplinas. Temas importantes como Reputação e Gestão ESG ainda são deixados de lado.

De toda forma, não é uma legislação que vai resolver o problema. É necessário promover uma mudança de cultura a nível nacional, fomentar redes de apoios e criar ferramentas para que as empresas compreendam o valor que elas deixam de aproveitar ao não olhar de forma cuidadosa para quase metade da força de trabalho do país.

* Luciana Coen é diretora de Comunicação Corporativa da SAP Brasil, membra da WCD e Presidente do Conselho do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial.

Acompanhe tudo sobre:Exame PluralMulheres executivasConselhos de administração

Mais de ESG

Indústria eólica dos EUA busca aprendizes sem medo para atender crescimento do setor

Como R$ 60 bilhões em investimentos em transmissão ajudam na transição energética do Brasil

Vivo amplia investimento em equidade racial com apoio a festival

Queimadas: alta de 54% antecipa período crítico, alerta pesquisa

Mais na Exame