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Investimento social é estratégia e não filantropia, dizem BRF e ONGs

Evento da BRF discutiu boas praticas e principais benefícios de ESG para empresas

Investir em projetos sociais vai além do voluntariado e vira questão de sobrevivência, diz BRF (Marko Geber/Getty Images)
MC

Maria Clara Dias

Publicado em 10 de dezembro de 2020 às 16h17.

Última atualização em 11 de dezembro de 2020 às 11h23.

Empatia e olhar estratégico são as maneiras mais eficazes para que empresas possam agregar valor ao negócio e ao mesmo tempo avançar na agenda de atuação social. Levar em consideração as necessidades das comunidades do entorno em suas ações corporativas permite ao setor privado alocar investimentos mais assertivos e terem reforçadas suas práticaxs de ESG - sigla para social, ambiental e governança.

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O tema foi debatido durante o ESG Fórum, promovido pela BRF nesta quinta, 10, dia Internacional dos Direitos Humanos. Participaram do evento Anna Peliano, coordenadora da BISC, pesquisa promovida pela Comunitas, Mafoane Odara, consultora em direitos humanos e Grazielle Parenti, diretora de relações institucionais da BRF.

Segundo Anna Peliano, a maneira como empresas conduzem projetos sociais mudou, e o retorno financeiro passou a ser um dos principais motivadores para investimentos na área. “Há 20 anos, os investimentos sociais eram feitos de forma paralela, em caráter filantrópico e apartado dos negócios. Hoje, as empresas estão cada vez mais preocupadas em criar soluções e usar suas capacidades em ações que podem ser parte de um mudança social mais ampla”, diz.

De acordo com a pesquisa BISC, que traz detalhes sobre o cenário de investimentos sociais na pandemia, 77% das 300 empresas avaliadas já estão buscando alinhamento entre os investimentos sociais e a atividade principal da companhia e à agenda 2030 de desenvolvimento sustentável.

A pesquisa também mostrou que a maioria das empresas percebem benefícios que vão além do lucro: 70% destacam uma melhoria no diálogo com stakeholders e o fortalecimento da imagem da empresa, concordando com a afirmação de que o investimento social contribui para os negócios e com a licença social para operar.

“Não se trata de fazer apenas o que é certo, mas o que é mais inteligente”, diz Mafoane.  Segundo a consultora, a parceria de empresas, até mesmo entre concorrentes, é uma chave para que objetivos sejam alcançados com maior agilidade. “As empresas devem abrir mão do seu protagonismo, pois só irão atingir os objetivos quando houver um pacto global em prol de um bem comum, seja entre setor privado e público ou entre as grandes companhias”.

Este ano a BRF se uniu a concorrentes no projeto “Nós”, que apoiou cerca de 300.000 mil pequenos varejistas a se recuperarem economicamente da pandemia. A coalizão contou com outras 7 grandes empresas do setor de alimentos e bebidas: Ambev, Aurora Alimentos, Coca-Cola Brasil, Grupo Heineken, Mondelez International, Nestlé e PepsiCo.

Juntas, elas anunciaram o i nvestimento de 370 milhões de reais para auxiliar os comerciantes na reabertura dos comércios, facilitando a gestão e reabastecimento de estoque, estimulando o consumo e o compartilhamento de informações sobre mercado e contexto econômico. Além do benefícios de mercado, investimentos em projetos sociais podem trazer mais retorno do que títulos publicos, com prêmios que coincidem com os oferecidos pela renda fixa, superando 4% de juros ao ano.

Em novembro a empresa anunciou a sua nova política de ESG junto da criação de um comitê executivo voltado à sustentabilidade, com foco em acelerar e acompanhar a implementação das ações ambientais e de governança. “Acreditamos que o investimento social se transforma, pois as empresas na ponta trazem inovação”, diz Grazielle Parenti, diretora de relações institucionais da BRF.

Como ações sustentáveis, a BRF assumiu uma série de compromissos visando o bem-estar animal, como usar apenas ovos de galinhas livres e o monitoramento de toda a cadeia de valor. Ações educacionais e de conscientização sobre o desperdício de alimentos em 50 cidades do país também fazem parte das metas da empresa até 2025.

Investimentos externos exigem governança clara

Em outro painel, o evento também falou sobre a influência da governança nas ações sociais e ambientais das empresas. “Governança tem a ver com transparência, legitimidade e um bom processo decisório”, diz Fabio Alperowitch, sócio-fundador da FAMA Investimentos.

“Existe uma falsa lógica do mercado de que empresas de boa governança são as com os melhores índices. A boa governança está ligada à cultura. São empresas que são diversas, que fazem tudo de forma totalmente transparente, e então naturalmente tomam melhores decisões, alocando melhor o capital e tendo melhores investimentos”, diz.

Carlos Takahashi, presidente da BlackRock Brasil, maior gestora do mundo, afirma que investidores olham para companhias que mitiguem problemas sociais e ao mesmo tempo sejam capazes de focar em resultado e lucro. “A influência dos investidores é enorme e pode ser um dos grandes motivadores dessa agenda”, diz.

“Vemos que há a necessidade do entendimento sobre o que tem sido feito, para garantir a perenidade do negócio", diz Bruno Ferla, vice-presidente institucional de jurídico, compliance e governança corporativa da BRF. Para ele, o investidor não deve olhar apenas para os resultados financeiros ao avaliar empresas, mas sim para a governança “Se não houver essa clareza na governança, de nada adiantará termos boas práticas em sustentabilidade."

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