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Publicado em 8 de novembro de 2026 às 10h04.
O financiamento climático para países em desenvolvimento pode chegar a US$ 1,41 trilhão por ano até 2035, desde que governos, instituições financeiras e investidores adotem medidas para ampliar a mobilização de recursos. A estimativa consta de um relatório apresentado pela presidência da COP30 neste domingo, 8, em Antália, na Turquia.
O documento projeta um volume anual entre US$ 1,27 trilhão e US$ 1,41 trilhão para financiar ações climáticas. Sem novas iniciativas, porém, o montante deve ficar entre US$ 458 bilhões e US$ 461 bilhões em 2035, segundo o relatório.
A diferença entre os dois cenários mostra o tamanho do desafio para cumprir a meta de mobilizar pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, estabelecida na decisão do Mutirão Global, adotada durante a COP30, realizada em Belém, em 2025.
As projeções fazem parte do relatório "Implementação do Mapa do Caminho de Baku a Belém rumo a US$ 1,3 trilhão", que detalha como diferentes fontes de capital podem contribuir para o financiamento climático internacional.
O relatório identifica seis fontes de financiamento capazes de contribuir para o cumprimento da meta global:
O estudo dá continuidade ao Mapa do Caminho de Baku a Belém, apresentado pelas presidências da COP29 e da COP30 em novembro de 2025.
Na ocasião, foram propostas mais de 75 medidas organizadas em cinco frentes de ação: recompor, reequilibrar, redirecionar, reestruturar e reconfigurar o financiamento climático.
O novo relatório busca demonstrar como essas propostas podem se traduzir em volumes concretos de recursos até 2035.
Além das projeções, a presidência da COP30 apresentou instrumentos para coordenar investimentos e acompanhar o cumprimento das metas.
Um deles é a Estrutura de Implementação 5x5, desenvolvida com o Grupo Independente de Especialistas de Alto Nível sobre Financiamento Climático (IHLEG).
O modelo organiza a implementação em três pilares: investimentos definidos pelas prioridades de cada país, coalizões para acelerar transições econômicas e mobilização de diferentes fontes de capital.
Outra ferramenta é a Bússola de Ação para o Financiamento Climático, que permitirá acompanhar o progresso em quatro dimensões: escala, velocidade, alcance e impacto.
O objetivo é avaliar não apenas quanto dinheiro está sendo mobilizado, mas também a rapidez com que os recursos chegam aos países e setores prioritários e os resultados obtidos.
A divulgação ocorre durante os preparativos para a COP31, em Antália, que dará início ao segundo Balanço Global do Acordo de Paris.
O relatório integra uma série de documentos elaborados pela presidência brasileira da COP30. Outros dois mapas do caminho tratam da transição para o afastamento dos combustíveis fósseis e das medidas para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030.
No prefácio, o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, afirma que "as evidências existem, os instrumentos são conhecidos".
A presidência brasileira defende maior coordenação entre governos, bancos centrais, instituições multilaterais e investidores para transformar as propostas de financiamento em recursos efetivamente disponíveis aos países em desenvolvimento.