Cheguei, Big Apple

Celso Athayde, CEO da Favela Holding, está em Nova York para discursar novamente na ONU. Entre reuniões e encontros com líderes globais, uma pausa para procurar um carregador
Equipe da Cufa em Nova York: viagem para visitar a ONU culminou com a criação da Cufa Global (Cufa/Divulgação)
Equipe da Cufa em Nova York: viagem para visitar a ONU culminou com a criação da Cufa Global (Cufa/Divulgação)
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Celso Athayde*

Publicado em 17/09/2022 às 15:10.

Última atualização em 22/09/2022 às 12:05.

Cheguei em Nova York. Pra quem não sabe, vim aqui para falar no Pacto Global da ONU. Isso mesmo, vou falar na Organização das Nações Unidas, mesmo lugar, que, em 2015, me despedi da CUFA (Central Única das Favelas), instituição que fundei, e tive a honra de presenciar ela sendo reconhecida como referência para abordar os temas Juventude, Afrodescendência e Habitação, possuindo essas cadeiras permanentes lá, até hoje. E no mesmo momento,  foi fundada a CUFA Global.

Bom, agora que vocês sabem o que vim fazer aqui, vou falar sobre como está minha vida onde chamam de capital do mundo. Cheguei na quinta-feira, muito cansado, estou tocando muitos projetos no Brasil. A Favela Holding felizmente está dando muito trabalho. Se por um lado isso me deixa com um tempo reduzido e com mais cabelos brancos, por outro, mostra que o nosso sonho está sendo realizado. Sonho esse que é coletivo, é de toda a favela, e só é possível de acontecer, graças a todos que interagem, fortalecem e compartilham os projetos e ações que implementamos e criamos.

Com isso, só saí pra bater perna na sexta. Logo quando fui me arrumar pra sair, vi que minha nora Deborah não colocou o carregador de celular nas minhas coisas, como eu havia pedido. Resumo da ópera: Saí pra correr contra o tempo na Big Apple. Ou eu achava um carregador barato antes da minha bateria acabar ou eu ficava sem bateria e, portanto, sem comunicação com o mundo, logo na capital do mundo.

Bom, consegui achar um carregador que funcionou, que comprei com um camelô igual a mim nos tempos de Viaduto de Madureira. Não foi pelo preço, mas foi pelo meu eterno compromisso com a base da pirâmide e, sobretudo, com os empreendedores que nela estão, em qualquer lugar do mundo.

Quando eu estava voltando pro hotel, me deparei com o Homem Aranha, bem que falaram que ele morava aqui em Nova York mesmo. Ih, parece que a Minnie se mudou de Miami pra cá também.

Ainda na volta, mais uma lembrança de 2015: Passei pela Time Square, exatamente pelo local, onde, depois de eu discursar, a nossa causa ser celebrada e fundarmos a CUFA Global, nossa rapaziada literalmente colocou o bloco na rua e fizemos um grande Carnaval pelas ruas de Nova York. Até que a polícia nos parou, e perguntou quem era o responsável por aquela bagunça, fui lá na frente e falei que era eu.

Queriam me levar preso. Só não levaram, porque o meu filho Thales interveio, falando um bom inglês, e convenceu os caras de que eu era gente boa. Thales que botou a Deborah na minha vida. Deborah, minha nora, que me sabotou e por pouco não me deixou incomunicável. Por isso, cuidado com suas noras e o que elas podem aprontar pra cima de vocês.

Mas ela tá perdoada. Porque meu filho Thales é parceiro, e me salvou alguma vezes, como nessa que contei aqui, lá em 2015.

Bom, rapaziada, vou descansar, porque neste sábado, às 16h15, falo no Pacto Global da ONU, sobre a favela, sua a potência e a potência de seus moradores. Deixa eu dar uma lida. Fui!