ESG

Ben & Jerry's, em separação da Unilever, tem histórico da lutas sociais e desafios à controladora

Criada em 1978, empresa americana de sorvetes atua na defesa de grupos minorizados e na justiça climática; posicionamento da marca de sorvetes chegou a ser desafio à Unilever desde a aquisição em 2000

Apoio aos direitos da população LGBTQIAP+ é uma das principais defesas da Ben & Jerry's (Ben & Jerry’s/Divulgação)

Apoio aos direitos da população LGBTQIAP+ é uma das principais defesas da Ben & Jerry's (Ben & Jerry’s/Divulgação)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 20 de março de 2024 às 08h44.

Última atualização em 20 de março de 2024 às 09h24.

A expectativa de separação da unidade de sorvetes da fabricante de bens de consumo Unilever, anunciada nesta terça-feira, afeta a marca americana Ben & Jerry’s, na companhia desde 2000. Naquele ano, a empresa transformou seu modelo de negócios para se adaptar à gigante de bens e consumo, mas não abriu mão da defesa dos direitos humanos.

Criada em 1978 por Ben Cohen, Jerry Greenfield e Jeff Furman — participantes do movimento hippie e ativistas de Vermont, nos EUA —, a empresa nasceu com políticas de uso de ingredientes naturais, defesa de minorias sociais e a produção sustentável nas comunidades em que está inserida.

Desde que está no grupo, a marca desafia a Unilever. Há dois anos, a Ben & Jerry's tomou a atitude incomum de processar sua controladora para bloquear a cessão de interesses comerciais. No entanto, um juiz de Nova York rejeitou o processo. A disputa de julho de 2021, ocorreu porque a marca era contra a venda dos produtos nas colônias israelenses da Cisjordânia e Jerusalém Oriental não eram "compatíveis" com seus "valores".

Já o apoio aos direitos da população LGBTQIAP+ é uma das principais defesas da companhia. Em 1989, a Ben & Jerry’s garantiu que os casais homossexuais tivessem os mesmos direitos no trabalho que os héteros, como plano de saúde, indo na contramão do que era estabelecido pela justiça americana até então.

O governo americano só foi legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o território nacional em 2015. A empresa participou de petições à Suprema Corte para implementar a decisão. Após a conquista, a empresa informou que a luta continuava para garantir o fim da violência e a garantia de direitos, especialmente para pessoas trans.

Em 2017, na Austrália, em meio a proibição de casais do mesmo sexo, a sorveteria proibiu a venda de colheradas do mesmo sabor, protesto a favor da igualdade de casamentos. A mudança nos nomes e embalagens dos sorvetes também é uma forma comum — e criativa — de protesto. A companhia já utilizou títulos como “Apple-y ever after” (trocadilho com “Felizes para sempre”) e “I Dough, I Dough”, (brincadeira com “Eu aceito, eu aceito”) nos sorvetes, com embalagens celebrando relacionamentos homossexuais.

Presente no Brasil desde 2014, a Ben & Jerry’s já realizou casamentos de casais homossexuais e transgênero na loja da Rua Oscar Freire, em São Paulo, e em um bloco de Carnaval. Outras ações já realizadas são o apoio de pesquisas sobre violências contra a população LGBTQIAP+, além de ajudar a levar a discussão para o âmbito legal.

A última Marcha Trans de São Paulo, realizada em junho, recebeu apoio da Ben & Jerry’s, que dobrou o valor doado para a realização do evento. A empresa já ajudou também a destinar verba para casas de acolhimento à população LGBTQIAP+ em vulnerabilidade, como a Casa 1 (São Paulo), Casa Miga (Manaus) e Instituto Transviver (Recife).

Justiça climática de 'colher em colher'

Durante a Cúpula do Clima de 2015, em Paris, a Ben & Jerry’s criou uma campanha nos 35 países em que está presente para pedir aos líderes mundiais ações contra o aquecimento global. Entre os pedidos estão controlar o aumento da temperatura global em até 2ºC e a transição da matriz energética por fontes limpas até 2050.

Com a campanha “Se derreter, melou!”, a empresa instaurou programas internos para a redução das emissões de carbono e o uso de energias limpas: além do uso de painéis solares na fábrica de Waterbury, em Vermont, os resíduos da produção dos sorvetes se tornam energia limpa em Hellendoorn, na Holanda. A empresa também investe para desenvolver freezers que não gerem HFCs, gases causadores do efeito estufa com grande impacto no aquecimento global.

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