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Ao custo global de R$ 3,1 tri, manejo de resíduos pode virar negócio, como o biometano brasileiro

Alerta da ONU aponta que o volume de resíduos no mundo, que foi de 2,3 bilhões de toneladas em 2023, chegará a até 3,8 bilhões de toneladas até 2050; custo vai quase duplicar

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Lixo: Em 2020, o custo com o tratamento de resíduos foi estimado em R$ 1,8 trilhão (Getty Images/Getty Images)

Lixo: Em 2020, o custo com o tratamento de resíduos foi estimado em R$ 1,8 trilhão (Getty Images/Getty Images)

Segundo alerta feito pela ONU nesta quarta-feira, 28, o volume de resíduos no mundo, que atingiu 2,3 bilhões de toneladas em 2023, continuará crescendo exponencialmente, até 3,8 bilhões de toneladas até meados deste século.

A crise será ainda mais grave nos países onde os métodos de tratamento ainda são poluentes: aterros sanitários (contaminação do solo, emissões de poluentes e gases de efeito estufa, como o metano) e incineração sem recuperação.

Brasil é parte do problema

O Brasil ainda tem dificuldades para lidar com a destinação dos materiais a serem descartados. No país, atualmente, 38,9% de todos os resíduos produzidos no país, quase 28 milhões de toneladas, tem disposição final inadequada, aponta a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).

A edição mais recente do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, de 2023, elaborado pela Abrema, calcula ainda que 61,1% dos resíduos sólidos urbanos gerados no país são lixo doméstico e produzidos por pequenos estabelecimentos. A estimativa é que, aproximadamente, 27,9 milhões de toneladas foram enviadas para os lixões e 5,3 milhões de toneladas nem sequer foram coletados, ou seja, tiveram o descarte inadequado. 

Custo de trilhões

Em termos globais, estima-se que o custo direto e indireto dos resíduos quase duplique, até US$ 640 bilhões (R$ 3,1 trilhões) anuais até 2050, de acordo com este novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA).

Em 2020, o custo direto do tratamento de resíduos foi estimado em US$ 252 bilhões (R$ 1,3 trilhão na cotação da época), ou US$ 361 bilhões (R$ 1,8 trilhão) se forem incluídos os desembolsos indiretos relacionados à poluição gerada por instalações ou métodos de gestão inadequados.

Por isso, é "urgente" iniciar uma "redução drástica dos resíduos" e investir na economia circular, pediu a ONU durante a 6ª sessão da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que acontece esta semana em Nairóbi.

Métodos de manejo

O controle adequado dos resíduos, por exemplo, por meio de melhores métodos de tratamento, limitaria o seu custo líquido anual a US$ 270 bilhões (R$ 1,3 trilhão na cotação atual) até 2050.

Mas é possível ir mais longe, avançando para uma verdadeira economia circular, melhores práticas industriais e uma gestão abrangente de resíduos, o que poderia gerar inclusive um lucro líquido de mais de U$ 100 bilhões por ano (R$ 495 bilhões na cotação atual), defende o relatório intitulado "Transformar resíduos em recursos".

"Muitas economias em rápido crescimento lutam com o peso crescente dos resíduos", afirma a diretora do PNUMA, Inger Andersen, destacando "o papel fundamental" dos atores públicos e privados que podem encontrar "oportunidades para criar sociedades mais sustentáveis".

Biometano brasileiro

No mês passado, o BNDES divulgou um estudo sobre o potencial do biometano, produzido a partir de diferentes tipos de resíduos. Para os pesquisadores do banco, o aproveitamento do gás natural renovável (GNR) é cada vez mais reconhecido como importante no combate às emissões de gases de efeito estufa (GEE).

A consequência, ainda segundo o banco, é que em várias partes do mundo há “uma onda vigorosa de investimentos para seu aproveitamento”. O Brasil faz parte desse movimento, cita o estudo. O país “detém um grande potencial de produção, de modo que é esperado que esteja entre os cinco maiores produtores nos próximos anos”, conforme apontou, em outubro de 2023, relatório da Agência Internacional de Energia (IEA).

Na análise do BNDES, parte do potencial de ampliação do uso do biometano no Brasil não demanda, necessariamente, a injeção do produto na rede de distribuição canalizada, "já que pode ser distribuído a partir dos chamados 'gasodutos virtuais' diretamente para indústrias ou postos de combustíveis".

Para o banco, as iniciativas Metano Zero e Combustível do Futuro devem acelerar a adoção do biometano nos veículos pesados de carga. O Brasil, aponta o relatório, hoje não produz nem 1% de seu potencial, estimado em 100 milhões de m³/dia, o dobro da oferta nacional disponível de gás natural em 2022. "Esse volume corresponderia a cerca de 42 Mtoe/ano,15 bem abaixo dos 87 Mtoe estimados pela IEA (2020) como potencial de produção brasileiro em 2018", avaliam os autores do documento.

O Brasil produz tanto o biogás - obtido a partir da degradação de matéria orgânica na ausência de oxigênio, com o uso diferentes materiais - quanto o biometano. Este produto é gerado depois da purificação do biogás, com a retirada de umidade, do gás carbônico e do sulfeto de hidrogênio. Do processo se obtém um gás com maior poder de combustão e equivalente ao gás natural (quando usado em veículos).

O biometano pode ser gerado a partir de aterros, esgoto sanitário, resíduos animais e vegetais. É possível usá-lo como combustível para veículos, indústria, comércio, residências, na função termelétrica, ao ser injetado em gasodutos de distribuição de gás natural.

Potencial nacional

Dados da Associação Brasileira de Biogás (Abiogás) apontam que o país conta com 20 unidades de produção de biometano. Hoje, 14 são usadas para consumo próprio e 6 são autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biogás (ANP) para a comercialização da produção.

Ainda segundo a entidade, atualmente, há 18 plantas à espera de autorização da ANP para produzir e comercializar o biometano. A expectativa é que, com o sinal verde da agência, o Brasil triplique o número atual de unidades.

Hoje, diz a Abiogás, a produção total é de 1 milhão de metros cúbicos de biometano por dia e a capacidade de comercialização é estimada em 417 mil metros cúbicos/dia.  Até 2029, diz a representante do setor, a previsão é somar 90 plantas e uma produção diária de 7 milhões de metros cúbicos. (com AFP)

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