ESG

Malwee: novo moletom é feito com 85% de roupas que iriam para o lixão

No segundo lançamento do moletom Des.a.fio, a Malwee aumentou o percentual de fios a partir de roupas recicladas. Sem a novidade, as peças, que consumidores enviaram para doação, iriam para o aterro sanitário

Malwee lança moletom com fios reciclados (Malwee/Divulgação)

Malwee lança moletom com fios reciclados (Malwee/Divulgação)

Marina Filippe
Marina Filippe

Repórter de ESG

Publicado em 17 de maio de 2023 às 14h26.

Última atualização em 17 de maio de 2023 às 14h38.

A marca de vestuários Malwee reforça as iniciativas de moda circular com o lançamento do moletom Des.a.fio, feito com 85% de fios a partir de roupas usadas e 15% de fibra pet (a partir de garrafas pet). Este é o segundo lançamento do moletom da marca, mas com maior circularidade, visto que o modelo anterior, de 2022, tinha 70% de roupas usadas e 30% de fibra complementar.

"Além do crescimento do uso de roupas reutilizadas, é marcante termos conseguido um custo do produto para que o material seja cada vez mais inserido nas nossas coleções e influencie o consumidor na busca por produtos sustentáveis. Um dos desafios é ampliarmos o volume de peças pós-uso arrecadadas para a reciclagem, mas estamos trabalhando para ter consistência no processo de fabricação do fio", diz Anay Zaffalon, diretora executiva de negócios do Grupo Malwee.

Para alcançar o novo resultado, a marca realizou, novamente, uma parceria com o Grupo Eurofios, responsável por transformar as peças usadas em fios novos. "Eles atuam como líderes em construção de fios reciclados e o Grupo Malwee entra com a tecnologia do tecimento", explica Anay.

De acordo com a executiva, os fios são feitos a partir de peças que foram doadas e que não teriam condições de uso. "A Cruz Vermelha, por exemplo, recebe muita doações, como na campanha do agasalho. A organização faz uma triagem e separa produtos rasgados, com aviamentos quebrados e outros detalhes que inviabilizam a doação. Normalmente, essas peças vão para o aterro sanitário, mas, com o moletom, ganham um novo destino", afirma.

Para a coleção limitada, foram usadas 2 toneladas de roupas pós-consumo – 1 tonelada arrecadada na primeira fase do projeto, no ano passado, e mais 1 tonelada de peças sem condições de uso adquiridas com ações junto à Cruz Vermelha. "Segundo a Fundação Ellen MacArthur, menos de 1% das roupas produzidas no mundo é reciclada. Então, queremos compartilhar os aprendizados para que mais empresas consigam enxergar essa oportunidade e avançar junto conosco, além de sensibilizar as pessoas sobre a possibilidade e importância de reciclarmos roupas usadas", afirma Anay.

Moletom com fios reciclados

Em 2023, o moletom traz novidades na construção e na composição. Os bolsos são individuais e as mangas foram trabalhadas com recortes pespontados para melhor acabamento. Ele continua dupla face, sendo um lado com aspecto tradicional mescla e o outro mostrando a construção desfibrada, que também apresenta uma evolução em sustentabilidade e passa a usar 50% do "fio do futuro", além de 36% de algodão e 14% poliéster reciclado na fabricação da malha.

A nova composição permitiu, segundo a Malwee, melhorias na maciez do moletom e aumento no impacto positivo desta malha para o meio ambiente. Outro ponto é o uso de um amaciante de silicone feito com capinhas de celulares descartadas, uma tecnologia da CHT.

As peças adultas estarão disponíveis nos tamanhos do P ao XGG e vão custar R$279. Já as peças infantis vão do tamanho 4 ao 14 e vão custar R$129,90.  Pela primeira vez, 1.111 moletons estarão à venda no e-commerce da marca, a partir desta quarta-feira, Dia Mundial da Reciclagem.

A reciclagem de roupas e o futuro da indústria da moda

Uma  pesquisa realizada pela Fios da Moda, uma parceria do Modefica, FGV e Regenerate, que compila dados sobre a produção e consumo de algodão, viscose e poliéster no Brasil, afirma que são produzidas quase 9 bilhões de novas peças por ano no Brasil. Isso significa uma média de 42 novas peças de roupa por pessoa em 12 meses.

Em contrapartida, 56,8% das pessoas estão dispostas a reciclar suas peças de roupas se soubessem que elas, de fato, estão sendo recicladas. Além disso, 26,3% se sentem motivadas por terem um ponto de coleta por perto e 49.9% nunca ouviram falar sobre reciclagem de roupas no Brasil.

Diante deste cenário, o moletom Des.a.fio busca atender a demanda crescente de pessoas que gostam e querem consumir moda, mas que estão atentas às suas escolhas e os impactos que elas geram. "Todo o nosso processo é desenvolvido para conectar soluções com o menor impacto ambiental possível, sem abrir mão de uma moda versátil. Nossos estilistas sabem, por exemplo, até quais cores impactam mais no uso de recursos naturais e quais geram menos poluição. Então, sempre equilibramos as tendências com boas escolhas e soluções para todos e também para o planeta", finaliza Audrei Russo, Diretora de Marcas Adulto do Grupo Malwee.

Entre 2022 e 2023, a Malwee transformou 4,7 toneladas de roupas recicladas em 3,1 toneladas de malha e 2.611 moletons Des.a.fio.

Acompanhe tudo sobre:ReciclagemMalweeRoupas

Mais de ESG

Tragédia no RS evidencia desafios na prevenção de eventos extremos

Flor sob risco de extinção é ameaçada pela aceleração da transição energética

Satélite ajuda Aegea a vigiar vazamentos e reduzir perdas de água

Ricky Ribeiro, que perdeu os movimentos e se especializou em mobilidade, é destaque em evento em SP

Mais na Exame