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Afinal, o que é acessibilidade? Perrengues e reflexões de uma PCD em um festival de música

Pensar em inclusão é urgente, e os grandes eventos culturais dão uma medida do desafio. Educação e respeito são fundamentais para repensar as estruturas oferecidas pelas organizações

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Shows e festivais: discutir acessibilidade para pessoas com deficiência e neurodivergentes é urgente. Estamos próximos da inclusão? (Mauricio Santana/Getty Images)

Shows e festivais: discutir acessibilidade para pessoas com deficiência e neurodivergentes é urgente. Estamos próximos da inclusão? (Mauricio Santana/Getty Images)

“O que é PCD?”, perguntou um funcionário para mim e minha irmã ao pedirmos informações sobre a área reservada para pessoas com deficiência, próximo ao Palco Chevrolet, um dos maiores do festival Lollapalooza. Silêncio. Vejo a sensação confusa no semblante da minha irmã. “Por onde começar a explicar?”, pensei. A pergunta simples demonstrou certo despreparo por parte do profissional do evento, e essa foi apenas uma das muitas aventuras que nós enfrentaríamos naqueles dias. O que era um final de semana de curtição e celebração à música para muitos, para outros foi mais um calvário, com longas caminhadas, tombos em cadeiras motorizadas, machucados e, principalmente, falta de acessibilidade.

Eu estava animada para o Lollapalooza. Apesar de ter crescido frequentando shows, esse era o meu primeiro grande festival. Havia comprado os ingressos em setembro do ano passado e estava empenhada em coletar boas memórias ao ver artistas que admiro. Mas, conforme a data foi se aproximando, a animação para o evento deu espaço para uma antecipação preocupada. Como pessoa com uma deficiência física chamada paralisia cerebral, tenho o costume de checar a acessibilidade oferecida antes de ir a eventos culturais como feiras e shows, para saber com o que estou lidando. E a falta de informações sobre o acesso só fortalecia a ideia que o final de semana não seria só sobre ver bandas e artistas que gostava.

Antes de chegar o dia 24 de março, conversei com algumas pessoas do meu convívio, que já tinham tido experiências em eventos maiores para ter algumas dicas sobre como eu – enquanto PCD – poderia tirar o maior proveito do festival. Ali, compartilhei um pouco dos meus receios e preocupações, e quanto mais eu conversava, mais tinha a sensação de que, talvez, outras pessoas neurodivergentes ou com deficiência também experimentaram situações parecidas. A falta de acessibilidade é um problema estrutural, e está longe de ser uma vivência só minha.

Uma multidão de experiências

Assim como eu, Vallentina Pellicer também foi ao Lollapalooza deste ano. Diferentemente de mim, uma novata, a bancária frequenta o festival há cinco anos. Pellicer tem uma deficiência que pode ser considerada invisível, escoliose, o que torna a sua experiência um pouco diferente da minha. A jovem de 23 anos, comentou que, ao sentar na cadeira reservada para pessoas com deficiência nos transportes públicos de São Paulo, por exemplo, tem de lidar com olhares de julgamento por não ter algo fisicamente exposto que comprova a condição, quase como uma chancela para ocupar aquele local, e em eventos culturais não é diferente.

Há dois anos, Pellicer comenta que o Lollapalooza conta com cadeiras motorizadas para atender as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Mas a situação se complica quando o festival acontece em um local com morros e barrancos. Neste ano, observei que haviam passarelas na grama para que as cadeiras pudessem transitar. Mas, ao passo que a tarde passava e os shows da noite começavam, ficava muito difícil circular.

Eu e Pellicer usamos as cadeiras para nos locomover, e elas ajudam bastante, mas não é uma ferramenta acessível para todos. Vi pessoas gordas tendo dificuldade para sentar na cadeira, por exemplo. Além disso, nós duas acabamos caindo com a cadeira. Eu, uma vez, por conta de uma lombada que protegia o cabeamento no chão; ela, três vezes, por conta das inclinações do local. No caso dela, um tombo como esse pode ser perigoso visto que ela tem pinos e precisa proteger a coluna.

No ano passado, a influenciadora e criadora de conteúdo, Lorena Eltz, de 22 anos, compareceu ao mesmo festival. Eltz, que tem uma doença crônica chamada doença de Crohn e é uma pessoa ostomizada, precisa principalmente de banheiros acessíveis para que possa fazer a higienização correta da sua bolsa de ostomia. Lorena conta que a caminhada entre a estação e o os palcos do evento, por ser muito longa, fez com que o adesivo da bolsa desgrudasse lentamente. E, ao não encontrar banheiros acessíveis no evento, sua bolsa acabou vazando. Com isso, Lorena não conseguiu aproveitar o festival: “Comentei com as pessoas que estavam comigo que queria ir embora, antes do show acabar, uma pessoa que nem conhecia me emprestou uma roupa para trocar, eu fui embora chorando”, relembra.

Matéria Lollapalooza

Experiência PCD em festivais: a influenciadora Lorena Eltz, que fala sobre saúde, bem-estar e inclusão, no Lollapalooza (Lorena Eltz/Arquivo pessoal/Reprodução)

Mas, do outro lado da moeda, a riograndense Lorena comenta que teve uma boa experiência no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, onde tem fila preferencial, rampas e outras estruturas para acessibilidade. Apesar de ser um pouco antigo, o local conseguiu proporcionar uma boa experiência desde a entrada até a saída. Também ressaltou o Allianz Parque em São Paulo, com shows da produtora Live Nation.

“Não vou dizer que são sempre shows acessíveis, mas são lugares um pouco melhores, sinto que eles dão um cuidado para venda dos ingressos PCD, por exemplo”. Valentina foi ao Allianz Parque no show do cantor inglês Harry Styles. “Desde o momento que eu entrei até chegar na área PCD, todos sabiam com quem falar, onde ir, isso ajuda muito. Acabei não comprando o ingresso PCD porque ele já tinha acabado e não tive problema nenhum”, comentou.

Com inúmeros shows no Brasil, havia muita expectativa para a vinda do Coldplay com a turnê Music of the Spheres e para Victor Fontenelle, que costuma ser um frequentador assíduo de shows e eventos culturais, não era diferente. O jovem de 26 anos, tem o diagnóstico do espectro austista (TEA). Victor tem hipersensibilidade a ruídos, luzes e contato físico, além de ser desafiador entender o comportamento das outras pessoas e demonstrar suas necessidades. “Esperar e não saber o que vai acontecer me deixa ansioso e estressado, com isso, tenho agitação motora e dificuldade de parar de repetir as frases que gosto de falar”, disse Fontenelle.

Foi no estádio do Morumbi que Fontenelle e sua família encararam o desafio de curtir o show da banda britânica. “No show, não havia nenhuma sinalização e foi um cambista que pediu ajuda para um policial para que eu e minha família entrássemos sem passar na multidão”, compartilhou. Fontenelle conta que um bombeiro os acompanhou, mas que o espaço fora da pista tinha uma visibilidade ruim. Por isso, eles optaram por arriscar e ficar na pista. “Minha mãe conversou com as pessoas que estavam ao nosso redor, explicou como eu reagia e todos foram muito legais e tomaram cuidado para eu ficar tranquilo. Mas já fui em muitos shows e em nenhum encontramos um espaço para pessoas com autismo”.

Matéria Lollapalooza

Show do Coldplay: Victor Fontenelle (à direita) curte o show com sua família (Victor Fontenelle/Arquivo pessoal/Reprodução)

Hamanda Matos, de 24 anos, tem má formação nos dedos das mãos e dos pés. Apesar da sua deficiência física, a advogada natural de Igarapé-Açu (PR) conta que tem bastante autonomia, mesmo precisando de adaptações em determinados cenários. Matos foi ao show do artista coreano Jay B, do grupo GOT7. “Apesar da confusão dos staffs quanto à fila preferencial, ela foi sanada com o auxílio de uma colega que organizou as pessoas com deficiência, idosos e neurodivergentes”, relembrou.

A pessoa que ajudou a organizar a fila do show foi Mariana Mollo, de 22 anos, que também compartilhou sua experiência. A jovem de Americana (SP) recebeu recentemente o diagnóstico do transtorno do espectro autista de baixo suporte e, ao contrário do que possa parecer, Mollo era apenas uma espectadora do evento – assim como Matos – mas acabou se envolvendo na organização pela falta de estrutura oferecida na oportunidade pela casa de shows Vibra São Paulo, em Santo Amaro.

“Depois de organizarmos a fila, a equipe não permitiu que as PCD entrassem antes. Muitas pessoas ali não poderiam correr, tinham idosos, então liberar as filas ao mesmo tempo poderia ser perigoso”, disse Mollo, que passou a frequentar mais eventos culturais como shows, apresentações e eventos geek como o Anime Fest, depois de se entender uma pessoa neurodivergente. Para ela, o diagnóstico foi essencial para que pudesse driblar as crises, entender os comportamentos e como os sintomas, entre eles a disfonia sonora, afetam sua vida.

Matos explica que, internamente, os fãs, espectadores e acompanhantes foram divididos em quatro setores na pista premium, sendo a área PCD entre o palco e a grade, onde a única separação entre o artista e os fãs eram os seguranças. Ali, foram disponibilizadas cadeiras para que as pessoas com deficiência pudessem se acomodar melhor. Matos comenta que para as pessoas com deficiência visual, esse layout foi importante porque permitiu uma visibilidade alta, sem estruturas no local. Assim como para os fãs com deficiência auditiva que conseguiram ouvir a passagem de som com qualidade.

As cadeiras fizeram diferença para Matos, que se sentiu segura ao não machucar seus pés e não perder a visão do palco, mesmo sentada. Mas Mollo traz um contraponto: “Tinham pistolas de confete bem na direção da área PCD, tinham pessoas com epilepsia e autismo ali. Meu receio era de alguém ter alguma crise por conta da situação”, comentou Mollo.

“Acho que é o que eu mais passei”, disse a influenciadora carioca Marina Melo, que tem fraqueza muscular (AME II), quando perguntei sobre as experiências ruins em shows e festivais. Quando tinha 8 anos, Marina teve uma experiência muito ruim na BGS (Big Game Show), a convenção de games e cosplay. “Meus pais tiveram que me carregar como seguranças”, comenta, por conta da lotação do evento e falta de profissionais para acompanhá-los.

Matéria Lollapalooza

“Acho que é o que eu mais passei”, disse a influenciadora Marina Melo sobre experiências ruins em eventos culturais (Marina Melo/Arquivo pessoal/Reprodução)

Outra experiência da influenciadora de maquiagem foi no show do cantor pop Jão, que aconteceu no Qualistage, ligado ao Via Parque Shopping, no Rio de Janeiro: “A área PCD da casa de show, era em uma altura muito baixa onde, se você tivesse sentado em uma cadeira como eu, não dava para ver nada. Era um cantinho. A melhor área de PCD era de um ingresso mais caro. Eu chamei o gerente da casa e falei “não tem como eu assistir o show daqui porque não dá para ver nada”. Eles a colocaram na outra área PCD, que tinha uma altura melhor mas que era muito distante do palco, e só contava com dois espaços para pessoas com deficiência.

Eu, Valentina, Lorena, Victor, Amanda, Mariana e Marina somos só algumas das milhares de histórias espalhadas pelo país. No Brasil, há mais de 17 milhões de pessoas com deficiência, de acordo com levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas como discutir acessibilidade quando pensamos em corpos, histórias e experiências tão diversas como as nossas?

O que é acessibilidade?

Em uma conversa, a superintendente de Práticas Assistenciais da Associação de Assistência à Pessoa com Deficiência (AACD), Dra. Alice Rosa Ramos, trouxe uma definição interessante sobre o que seria acessibilidade: “É a possibilidade de ir e vir de forma independente, ou dependendo de outra pessoa, mas que seja fácil. A pessoa com deficiência tem que conseguir se deslocar, ela tem o direito de se deslocar em todos os ambientes”, disse. “Então, acessibilidade é tornar possível que a pessoa vá e volte para o lugar que quiser, sem estar restrito e não só do ponto de vista de lugar físico, mas de acesso à tecnologias, que facilitem a vida e que dê independência”.

Já Hamanda Matos, trouxe uma reflexão bastante importante para a discussão: “Como jurista, concordo com o conceito legal de acessibilidade sendo qualquer prática ou adaptação que proporcione às pessoas com deficiência o exercício autônomo e seguro das suas atividades. Acredito que ele consegue descrever genericamente o que um ambiente acessível precisa apresentar”. As leis que asseguram questões ligadas à acessibilidade são as seguintes: a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Lei Nacional nº 13.146, e Lei de Acessibilidade no Brasil, Lei Nº 10.098.

A partir dessas afirmações, fica claro alguns pontos em comum, como o direito à autonomia e ao pleno exercício de ir e vir. Não é algo que cobramos por comodidade, mas por ser nosso direito, enquanto pessoas com deficiência. Os eventos precisam considerar pessoas com deficiência física, auditiva, visual, deficiências invisíveis e, também, as pessoas neurodivergentes. Cada grupo tem uma necessidade diferente e todos devem ser incluídos.

Para Valentina, acessibilidade é não ter sua deficiência questionada quando ela ocupa os lugares reservados em eventos. Já para Victor, acessibilidade é ter um portão específico para entrar com o acompanhante além de ter um espaço reservado para pessoas que têm dificuldade com contato físico. “Eu vejo acessibilidade como um momento de paz para a pessoa com deficiência, um momento onde a pessoa pode simplesmente não se preocupar porque aquele espaço está totalmente preparado para lidar com aquelas situações”, afirma Mollo.

“Para mim, é tornar a mesma coisa possível para diferentes pessoas, porque eu acho que do mesmo jeito que outra pessoa consegue utilizar um banheiro, nós precisamos, talvez, de um banheiro diferente e isso não é algo a mais, sabe? É só uma forma diferente para eu poder utilizar o banheiro da mesma forma, com o mesmo conforto, que uma pessoa sem deficiência”, afirma Eltz.

Os abismos criados pela falta de acessibilidade

Lorena conta que um dia depois de passar por todo o constrangimento que enfrentou no Lollapalooza, as pessoas não param para analisar que há um dano para a saúde mental. Para ela, um medo foi criado por conta da vulnerabilidade e humilhação envolvidas. “Eu não gosto de ter essa lembrança, não queria que tivesse acontecido. É muito fácil que a gente queria se trancar em casa, sem sair, e isso é muito prejudicial para nós. A experiência no festival foi ruim, tive um dia ruim, mas e todos os dias depois disso?”, comentou.

Lorena disse que, um dia depois do festival, ela teve uma crise de pânico que a encaminhou para a emergência e que desenvolveu muitos medos: Quando eu me deparei com um lugar realmente sem nenhuma acessibilidade, entendi que a questão não era comigo, mas por muito tempo, pensei que tinha sido eu. E tinha aquele pensamento ‘Para quê que eu fui? Nem é um lugar que eu deveria ir, nem um lugar que eu deveria estar. Eu me coloquei nessa situação’”.

A culpa, o medo e, por consequência, até a exclusão social são resultados e impactos diretos da falta de acessibilidade na vida das pessoas com deficiência. No caso da Lorena, e no meu caso quando caí da cadeira motorizada, existe uma vergonha e exposição envolvidas que não deveriam existir. Conversando com Lorena, Victor, Marina e todas as pessoas com quem discuti acessibilidade para fazer esse texto, cheguei à conclusão que a falta de acessibilidade nos coloca em ambientes prejudiciais nos fazendo reproduzir e internalizar preconceitos e estereótipos com os quais temos que lutar todos os dias, porque nascemos em uma sociedade capacitista, que tem preconceitos sobre a pessoa com deficiência.

Como (re)pensar ambientes acessíveis

Depois de entender o que é acessibilidade, ouvir os relatos e também os impactos da falta de acessibilidade na vida de pessoas como eu, é importante que as produtoras de eventos e marcas estejam sensíveis o suficiente para se atentarem à questão – que pode passar despercebida. Em muitas das conversas que tive para escrever essa matéria, ouvi muito sobre a necessidade de comunicação e transparência. Como dito por Matos: “Vejo que a reclamação é sobre falta de transparência na organização das filas preferenciais e as estruturas montadas nem sempre estão adequadas para todos os tipos de deficiência, além da física”, disse.

Concordo com as palavras da advogada que afirma ser preciso pensar a acessibilidade para além das barreiras físicas, ou seja, os eventos precisam entender que estruturas físicas como uma área cercada e elevada ajudam, mas não trazem acessibilidade para todos os grupos da nossa comunidade. Quando pensamos em inclusão, a questão se aprofunda porque incluir significa oferecer uma mesma experiência para todos. “As pessoas com deficiência auditiva, múltiplas deficiências e deficiência visual também precisam de acesso que assegurem a sua segurança, autonomia e que possam curtir o show, já que o lazer é um direito fundamental e precisa ser respeitado”, comentou Matos.

Existem empresas especializadas em consultoria de acessibilidade, como é o caso do Vale PCD, citado por Marina Melo. “Se não me engano, na época da posse (do atual mandato do presidente Lula), eles participaram para tornar o evento um pouco mais acessível. Também acho legal lembrar que existem diversas deficiências e eu sei que não vamos conseguir sensibilizar 100% para todas, mas tem como adicionarmos um pouquinho de cada”, afirmou a influencer carioca.

Segundo Marina Melo, o show do Coldplay contou com uma camisa para pessoas com deficiência auditiva onde elas sentiam a vibração das músicas. São diversos pontos para analisar, mas o importante é se perguntar: como esse grupo pode se sentir mais incluído? Essa ferramenta é efetiva? E claro, sempre ouvir pessoas que usariam essas ferramentas, respeitando o lugar de fala do grupo.

Preparar a equipe, organizar o evento para receber pessoas com deficiência, capacitar a equipe da organização para saber e entender o que é acessibilidade são primeiros passos necessários, com um número suficiente de bombeiros e áreas PCD, por exemplo. Muitos podem vir com o pretexto que acessibilidade não é necessária quando não há pessoas com deficiência indo aos eventos para aproveitar a estrutura disponibilizada. Muitas das pessoas com quem conversei para fazer essa matéria relataram ter medo de ir a alguns eventos específicos por falta de estrutura. Se as pessoas com deficiência, como nós, não estão ocupando e frequentando lugares, será que eles foram pensados para receber todos os tipos de corpos?

Para Victor, seria importante que os profissionais que trabalham nos eventos fossem educados para as características e gatilhos dos comportamentos dos autistas: com entradas separadas, e um espaço específico para o autista se acomodar junto ao seu acompanhante e próximo a saídas de emergência, para sair, caso precise, sem atrapalhar as outras pessoas evitando situações de estresse.

“Como o autista não tem características físicas, ter uma forma de identificá-los também facilita o entendimento por parte de outros participantes do evento. Assim não julgam inconveniente alguns comportamentos”. Valentina comenta que, em um festival como o do Lollapalooza, poderia existir uma espécie de pré-cadastro das pessoas com deficiência, para ajudar a mensurar o tamanho do público e também o que seria necessário oferecer como serviço de acessibilidade.

Parece um tanto básico mas o respeito é essencial para criação de diálogo. Melo, a influencer carioca, comenta que tem a impressão de que as pessoas tendem a ignorar, “como se a gente não fosse parte da população, como se nós não fôssemos importantes. É fundamental sermos vistos, respeitados e valorizados enquanto pessoas. Somos iguais a qualquer outro, somos consumidores, trabalhadorres, mas não somos vistos. A gente tem que gritar porque eles ainda não enxergam a gente”, afirmou.

"Não tem nada de muito complicado, pergunte, porque é o nosso direito”, afirmou Mollo. A moradora de Americana salientou que não é a adaptação que custa para as organizações, mas ter uma equipe preparada é uma tarefa que exige educação. Esse ponto também foi muito comentado pela Dra. Ramos: "Educação é o que vai nos tornar pessoas diferentes e é a educação do todo. Da parte de ensinar o quanto mais gente, maior a diversidade dentro dos ambientes, maior o respeito que a gente vai ter, porque aprendemos a lidar com a diferença. Falta respeito e tolerância. Para mim isso é muito importante, a educação, o respeito e a tolerância”.

Para Pellicer, a educação também deve contar principalmente com as próprias pessoas que trabalham nas áreas reservadas para PCD. “As pessoas que ficam com a gente e que trabalham com essa parte de organizar as áreas PCD, que é um time à parte contratado, não precisam discutir a nossa patologia com a gente. Deficiência não tem discussão, a minha deficiência está aqui”, conclui ela. A fala de Valentina ecoou na minha mente por algum tempo. Apesar da invisibilização pelo preconceito, da falta de acessibilidade e dos perrengues que temos que enfrentar diariamente para ocupar os espaços na sociedade, nós estamos aqui.

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