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Pandemia de coronavírus provoca queda histórica do PIB na Índia

Todos os setores registraram queda em relação ao mesmo período do ano passado, com exceção da agropecuária

As áreas mais afetadas são as da construção, hotelaria, comércio e transportes (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)

As áreas mais afetadas são as da construção, hotelaria, comércio e transportes (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)

A
AFP

31 de agosto de 2020, 11h57

O Produto Interno Bruto (PIB) da Índia sofreu um declínio histórico em abril-junho, trimestre marcado por dois meses de confinamento nacional para combater a pandemia de coronavírus, que continua a assolar o gigante do sul da Ásia.

O PIB da terceira maior economia da Ásia caiu 23,9% com relação ao ano anterior no primeiro trimestre do ano fiscal, que vai de 1º de abril de 2020 a 31 de março de 2021, segundo números oficiais divulgados nesta segunda-feira.

No trimestre anterior, o crescimento já era de apenas 3,1% em um ano, o menor aumento em 20 anos.

A queda é ainda maior do que a previsão de 19,2% de um painel de 15 economistas consultados pela agência Bloomberg. Nunca a economia indiana registrou tamanha regressão desde o início da publicação dos números trimestrais de crescimento em 1996, de acordo com a imprensa local.

Todos os setores de atividade registraram queda em relação ao mesmo período do ano passado, exceto a agropecuária, segundo dados do ministério de Estatísticas. As áreas mais afetadas são as da construção, hotelaria, comércio e transportes.

"É uma crise de saúde que se transformou em crise econômica e a única solução é uma vacina", comentou à AFP Sameer Narang, economista-chefe do Bank of Baroda.

Somente depois que a maioria da população da Índia for vacinada, "poderemos retornar aos níveis de crescimento econômico anteriores à covid", estimou.

Economia em dificuldade

A Índia é a terceira nação do mundo mais atingida pela pandemia de coronavírus, atrás dos Estados Unidos e do Brasil.

O país registrou até o momento 64.469 mortes em 3.621.245 casos declarados da doença, números oficiais que muitos epidemiologistas consideram subestimados.

Para conter a propagação do vírus, Nova Delhi decretou um confinamento nacional no final de março que paralisou todo o país de 1,3 bilhão de habitantes e deixou dezenas de milhões de pessoas sem fontes de renda.

As restrições resultaram no fechamento de fronteiras entre diferentes estados indianos, no êxodo de trabalhadores migrantes que perderam seus empregos nas grandes cidades e em incontáveis transtornos econômicos.

O governo do primeiro-ministro Narendra Modi suspendeu o confinamento no início de junho em uma tentativa de estimular a economia.

E apesar da progressão da epidemia no país, as restrições foram gradualmente relaxadas nos últimos três meses.

A economia da Índia já estava em situação delicada antes da pandemia, lutando contra um crescimento lento, desemprego recorde e uma enxurrada de empréstimos inadimplentes.

O chefe de Governo anunciou em maio um plano para estimular a economia, dizendo que via nesta crise uma oportunidade para tornar a Índia "autossuficiente".

Desde o início da crise de saúde, o Banco Central da Índia também reduziu sua principal taxa de juros duas vezes. A taxa de refinanciamento, que empresta a bancos comerciais, é atualmente de 4%, a menor dos últimos anos.