Economia

Orçamento de 2027 prevê aporte de R$ 6 bilhões para os Correios

Recurso previsto no PLOA de 2027 integra o plano de reestruturação financeira da estatal, exigido após prejuízo de R$ 5,5 bilhões no primeiro semestre

Correios: pressão sobre as contas inclui a queda nas receitas dos serviços postais tradicionais (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Correios: pressão sobre as contas inclui a queda nas receitas dos serviços postais tradicionais (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Naty Falla
Naty Falla

Repórter

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 19h47.

Última atualização em 31 de agosto de 2026 às 19h53.

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O governo federal prevê um aporte de R$ 6 bilhões para os Correios em 2027. O valor será incluído no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, foi encaminhado ao Congresso Nacional nesta segunda-feira, 31, e faz parte do plano de reestruturação financeira da estatal.

A previsão está relacionada ao contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado pelos Correios com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander em dezembro de 2025, com garantia do Tesouro Nacional.

Pelo acordo, a União deve injetar pelo menos R$ 6 bilhões na empresa para apoiar a execução do plano de reequilíbrio. O recurso precisa estar disponível até o fim de 2027, mas o governo pode definir quando e como o montante será distribuído.

A inclusão no Orçamento representa a previsão do recurso, mas não significa que os R$ 6 bilhões serão transferidos de uma só vez no início do próximo ano.

A previsão ocorre após os Correios registrarem prejuízo líquido de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026 e de R$ 5,5 bilhões no primeiro semestre. O resultado semestral foi 30,4% maior que o prejuízo registrado no mesmo período de 2025.

Segundo os Correios, a pressão sobre as contas inclui a queda nas receitas dos serviços postais tradicionais, o aumento dos custos operacionais, passivos judiciais, maior concorrência no setor de logística e despesas para manter a rede necessária à prestação do serviço postal universal.

Reestruturação dos Correios

Lançado em dezembro de 2025, o plano de reestruturação prevê medidas como programa de demissão voluntária (PDV), redução de custos, venda de imóveis ociosos, renegociação de contratos, mudanças na jornada de trabalho e nos planos de saúde, retorno ao trabalho presencial e criação de um marketplace próprio.

No primeiro semestre, 6.545 empregados foram desligados pelo PDV, sendo 2.767 entre janeiro e junho. As despesas com pessoal caíram 4,2%, uma economia de R$ 233,7 milhões.

Os custos dos serviços somaram R$ 7,6 bilhões no período, 14% abaixo do previsto no Orçamento para os primeiros seis meses do ano. O Ebitda, indicador do resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em R$ 910 milhões, 18% acima da previsão.

Apesar das medidas de redução de despesas, a empresa terminou o semestre com prejuízo de R$ 5,5 bilhões. A receita no período foi de R$ 7,9 bilhões, enquanto a margem bruta ficou em R$ 274,5 milhões.

A dívida dos Correios

No primeiro semestre, os Correios encerraram o período sem empréstimos com vencimento no curto prazo, quitaram antecipadamente uma operação considerada mais onerosa e ampliaram o prazo de parte da dívida de 18 para 180 meses.

A estatal também concluiu a captação de R$ 12 bilhões com garantia da União e negocia uma nova operação de aproximadamente R$ 7 bilhões, também com aval do governo federal.

Como o empréstimo de R$ 12 bilhões tem garantia do Tesouro, a União poderá ser acionada para quitar a dívida caso os Correios não cumpram suas obrigações financeiras. O contrato também prevê que, se o aporte mínimo de R$ 6 bilhões não for realizado, os bancos poderão exigir o vencimento antecipado da dívida, o que levaria à necessidade de a União quitar os R$ 12 bilhões, além dos encargos previstos.

Em maio, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou ao governo a adoção de medidas para viabilizar o cumprimento da obrigação dentro do prazo.

(Com informações da Agência Brasil)

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