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A inflação no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal índice inflacionário brasileiro, fechou o mês de fevereiro com alta de 0,84%. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira, 10, pelo IBGE. O acumulado da inflação em 12 meses ficou em 5,60%.

O resultado veio acima das expectativas dos analistas, que apostavam em alta de 0,75% em fevereiro, segundo consenso medido pela Bloomberg.

O índice de fevereiro representa uma aceleração em relação a janeiro, quando a variação foi de 0,53%, embora o acumulado tenha tido queda, de 5,77% para 5,60%. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abriu em queda na manhã desta sexta-feira reagindo ao IPCA mais alto do que o esperado.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em fevereiro. A única queda veio de "Vestuário" (-0,24%), grupo que vinha subindo progressivamente nos meses anteriores.

O maior impacto e a maior alta vieram de "Educação", que subiu 6,28% no mês e teve impacto de 0,35 ponto percentual (p.p) no índice.

David Beker e Natacha Perez, do Bank of America Global Research, escreveram em relatório que os "detalhes sugerem uma pausa na forte tendência de desaceleração vista desde o ano passado".

A inflação brasileira, que chegou à casa dos 10% no primeiro semestre de 2022, teve meses de deflação com o corte nos impostos de combustíveis e energia elétrica, além dos temores de recessão global. Para 2023, porém, parte desse custo deve ser reabsorvido.

"A reoneração dos tributos em gasolina e etanol, que aconteceram no começo de março, devem também contribuir para leituras mensais elevadas", escreveram os analistas. O resultado de fevereiro veio em linha com a aposta do banco, de 0,84%, e a projeção de IPCA foi mantida em 6,0% para este ano e 3,7% para 2024.

A mediana dos analistas ouvidos pelo Banco Central no último boletim Focus é de IPCA em 5,90% em 2023 e 4,02% em 2024.

Combustíveis caem em fevereiro e preço dos alimentos desacelera

Além da educação, dentre os maiores impactos no índice, vieram os grupos "Saúde e cuidados pessoais" (alta de 1,26% e impacto de 0,16 p.p) e "Habitação" (0,82% e impacto de 0,13 p.p), puxada por altas em aluguel residencial (0,88%) e energia elétrica residencial (1,37%). 

O grupo "Transportes", que inclui os combustíveis, teve alta na gasolina, mas queda nos preços dos principais combustíveis e passagens aéreas:

  • A gasolina subiu 1,16% em fevereiro no IPCA;
  • O etanol caiu 1,03%;
  • O gás veicular caiu 2,41%;
  • O óleo diesel caiu 3,25%.
  • O preço das passagens aéreas recuou 9,38%.

O mês de fevereiro, vale lembrar, ainda não inclui a reoneração nos preços da gasolina, implementada pelo governo federal a partir de 1º de março, nem os cortes nos preços de gasolina e diesel da Petrobras, vigentes no mesmo dia. Os primeiros impactos devem ser vistos somente no IPCA-15, prévia da inflação de março e divulgado em meados deste mês.

O grupo "Alimentação e Bebidas" teve desaceleração, de 0,59% em janeiro para 0,16% em fevereiro. A alta menor foi puxada pela alimentação em domicílio, que foi de 0,60% em janeiro para 0,04% em fevereiro.

  • O preço das carnes caiu 1,22%;
  • A batata-inglesa caiu 11,57%;
  • O tomate caiu 9,81%;
  • Já o leite longa vida teve alta de 4,62%, voltando a subir após seis meses de queda.

Já a alimentação fora do domicílio teve alta maior, de 0,50%, parecida à alta de 0,57% em janeiro.

INPC tem alta menor, de 0,77%

O INPC, índice medido pelo IBGE que abrange famílias mais pobres, teve alta de 0,77% em fevereiro, pouco abaixo do IPCA e acima do registrado em janeiro (0,46%). Em 12 meses, o INPC acumula alta de 5,47%.

O INPC mede as variações na cesta de famílias de 1 a 5 salários mínimos nas principais regiões metropolitanas.

Mês de reajuste escolar afeta IPCA

A alta no grupo de educação veio com os reajustes escolares tradicionais do início do ano letivo, diz o IBGE. Os preços do ensino básico subiram mais do que os do ensino superior:

  • Subiram de preço o ensino médio (10,28%);
  • Ensino fundamental (10,06%);
  • Pré-escola (9,58%);
  • E creche (7,20%).

Altas menores vieram do Ensino superior (5,22%), cursos técnicos (4,11%) e pós-graduação (3,44%). Já os cursos regulares também tiveram forte alta e subiram 7,58%.

“Fevereiro é sempre muito marcado pela educação, pois os reajustes efetuados pelos estabelecimentos de ensino na virada do ano são contabilizados nesse mês. Normalmente, essa alta de educação fica indexada ao próprio IPCA, ou seja, o reajuste das mensalidades é baseado na inflação do ano anterior”, disse em nota o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.


Quanto está a inflação no Brasil?

  • A inflação brasileira está em 5,60%, no acumulado de 12 meses até fevereiro;
  • A inflação ficou em 0,84% no mês de fevereiro.

Os dados são os últimos divulgados no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE. A inflação fechada de cada mês é sempre divulgada no início do mês seguinte.

Quanto será a inflação em 2023?

O consenso dos analistas é de inflação em 5,90% no ano de 2023, de acordo com a última edição do boletim Focus, publicada em 6 de março. A projeção diz respeito às opiniões de analistas de mercado ouvidos pelo Banco Central semanalmente.

O que é IPCA acumulado?

Como em todos os índices inflacionários, o IPCA tem uma variação mensal, que diz respeito a quanto os preços dos produtos e serviços pesquisados subiram em um mês. Já o acumulado diz respeito à variação em um período maior.

O IPCA acumulado nos últimos 12 meses, por exemplo, é a soma das variações ao longo desse período. Já o IPCA acumulado só neste ano de 2023, por ora, é a inflação vista em janeiro e fevereiro (isto é, 0,53% + 0,84%, totalizando 1,37%).

Do que o IPCA é composto e como se mede a inflação?

O IPCA é calculado pelo IBGE com base em uma cesta de produtos e serviços que, por meio de pesquisas e outras informações, se sabe que um brasileiro típico consume. O IPCA, assim, tenta apontar "a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 e 40 salários mínimos", segundo o IBGE. O índice é dividido em nove grupos:

  • Alimentação e bebidas
  • Habitação
  • Artigos de residência
  • Vestuário
  • Transportes
  • Saúde e cuidados pessoais
  • Despesas pessoais
  • Educação
  • Comunicação

Cada grupo tem dezenas ou até centenas de itens cujos preços são monitorados para calcular o valor final do IPCA. Além disso, os itens têm pesos diferentes no cálculo do índice. As passagens aéreas, por exemplo, têm peso menor do que o transporte público, por serem usadas por uma fatia menor da população ou com menos frequência.

Por que se usa o IPCA para medir inflação?

O IPCA é somente um dos índices que medem a inflação. Há outros, com focos e pesos distintos. Para reajustar o aluguel, por exemplo, muitos locatários costumam usar o IGP-M (Índice Geral de Preços), que tem impacto maior de frentes como o dólar; já para obras, se usa o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), que confere maior peso aos custos dos materiais de construção.

O IPCA é o principal índice brasileiro por ser usado para mensurar a inflação em canais oficiais, como nas metas do governo e do Banco Central. O INPC, por sua vez, é usado para reajustar o salário mínimo, por dizer respeito a famílias com até cinco salários.

*A reportagem foi atualizada para incluir a repercussão do IPCA de fevereiro e a queda do Ibovespa. 

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