Economia

Governo Bolsonaro quer retomar plano de construir até 8 usinas nucleares

Atualmente, Brasil possui duas usinas funcionando, Angra 1 e Angra 2, e uma em construção

Angra 3: Terceira usina nuclear brasileira está em construção (Arquivo/Veja/VEJA)

Angra 3: Terceira usina nuclear brasileira está em construção (Arquivo/Veja/VEJA)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 22 de janeiro de 2019 às 20h34.

Última atualização em 22 de janeiro de 2019 às 20h36.

Priorizar nos meus resultados Google

Brasília - O Ministério de Minas e Energia (MME) declarou que pretende retomar o plano de construir entre quatro e oito novas usinas nucleares no País. A informação foi confirmada por meio de nota enviada pelo ministério, ao defender a conclusão de Angra 3, no Rio.

"Para o setor nuclear, a conclusão de Angra 3 é importante, pois traz escala a toda a cadeia produtiva do setor, desde a produção de combustível à geração de energia. Isso se torna ainda mais relevante quando se leva em conta que o Brasil vai precisar investir em energia para o futuro, em função do aumento da demanda e do esgotamento do potencial hidrelétrico", declarou o MME. "Por fim, o Plano Nacional de Energia 2030 (PNE 2030) prevê a construção de quatro a oito usinas nucleares no País. Cenário que tende a ser confirmado pelo PNE 2050, publicação aguardada para breve."

Hoje o País conta com apenas duas usinas nucleares em operação, Angra 1 e 2, que respondem por 1,1% da geração nacional de energia. Angra 3 elevaria essa participação para 1,2%.

O plano de expansão de energia por fonte nuclear passou os últimos anos na gaveta, por conta dos desdobramentos do acidente de Fukushima, no Japão, em 2011. O governo da ex-presidente Dilma Rousseff chegou a cogitar a sua retomada, o que não ocorreu. Em 2015, o MME chegou a declarar que já tinha 21 locais no País estudados para receber as plantas e que as análises estavam em andamento.

Em 2011, apesar da localização exata das usinas não estar definida, o MME chegou a declarar que duas plantas deveriam ser construídas no Nordeste e as outras duas no Sudeste, em São Paulo, Minas Gerais ou Rio de Janeiro.

Hoje a lei não permite que a exploração de urânio e geração de energia nuclear sejam realizadas por empresas privadas. Sem alteração na lei, portanto, todos esses projetos teriam de ser viabilizados com recursos públicos, por meio da Eletronuclear, estatal da Eletrobras.

Em todo o mundo, a tendência tem sido a de desativar as usinas nucleares. Reportagem recente publicada pelo Broadcast/Estado mostrou que a energia que será produzida por Angra 3 será a mais cara dentre todas as fontes em operação, segundo estudo do Instituto Escolhas.

Acompanhe tudo sobre:Energia renovávelGoverno Bolsonaro

Mais de Economia

Split payment adiado não é split payment esquecido: o que muda no caixa e nos sistemas das empresas

Governo lança novo Desenrola MEI e prorroga programas para renegociar dívidas; entenda como funciona

Desemprego cai a 5,3% no trimestre até agosto, com recorde de ocupação

Reforma tributária: lei feita para segurar benefícios ganhou exceção antes de completar um ano