BNP Paribas passa a prever contração de 4% na economia em 2020

O banco revisou seus cálculos, que apontavam para uma queda de 1% há 3 semanas, tendo em conta as medidas tomadas pelo governo

Os impactos da pandemia de coronavírus podem fazer a economia brasileira contrair 4% em 2020, segundo estimativa divulgada pelo BNP Paribas nesta terça-feira 7. Há três semanas, o banco previa uma queda de 1% no Produto Interno Bruto (PIB) do ano.

“O Brasil foi duramente atingido pela Covid-19, com o surto se espalhando rapidamente e vários estados sob bloqueio parcial do comércio.”, diz a instituição em relatório. O país já tem cerca de 12.000 casos confirmados da doença e o pico é esperado para o fim de abril ou começo de maio.

“Embora o bloqueio seja necessário para conter o surto, pode trazer graves consequências para o economia. Revisamos nossos cálculos com base na atualização de dados públicos e tendo em conta as medidas tomadas pelo governo”, diz o banco.

A instituição ressalta que o Brasil anunciou um pacote de medidas para combater o surto que pode representar, segundo o banco, cerca de 10% do PIB em volume, somados os adiantamentos de recursos e adiamentos de receita. Já o montante  só de novos gastos deve chegar a 3,2% do PIB.

Estes números ainda podem mudar, pois é cedo para saber quanto será liberado em cada rubrica. Mas, supondo que a estimativa esteja correta, explica o banco, duas medidas de destacam tanto sob o ponto de vista da relevância orçamentária quanto da necessidade.

Uma delas, que garante o pagamento mensal de R$ 600 a trabalhadores informais e autônomos por três meses representa cerca de 1,4% do PIB, calcula o BNP, e “é a chave para o sucesso do bloqueio”, diz.

Outro programa vital, segundo o banco, é o apoio financeiro para empresas que decidem manter funcionários, mas sob um regime mais flexível. De acordo com esse programa, o governo se comprometeu em pagar até 70% do valor do seguro desemprego ao qual o funcionário teria direito.

O BNP destaca que novas medidas podem vir de várias frentes, poder Executivo e Congresso, já que Bolsonaro não está sozinho na liderança do combate à Covid-19. Nesse cenário, o banco aponta para o risco de não haver uma clara compreensão sobre o impacto financeiro de cada medida, “o que poderia levar a um impacto fiscal duradouro”, diz.

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