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Jogadores de futebol são mais propensos a problemas cerebrais após os 65 anos, diz estudo

"Os jogadores de futebol com mais de 65 anos têm os piores resultados em áreas como o tempo de reação, funções executivas ou espacialização" diz o autor do estudo

Cerca de 145 ex-jogadores profissionais participaram do estudo. Cinquenta e cinco deles têm mais de 65 anos (Pedro Nunes/Reprodução)

Cerca de 145 ex-jogadores profissionais participaram do estudo. Cinquenta e cinco deles têm mais de 65 anos (Pedro Nunes/Reprodução)

A
AFP

9 de dezembro de 2022, 07h10

Os jogadores de futebol têm um risco maior de desenvolver problemas de saúde cerebral após os 65 anos do que o resto da população, aponta um estudo publicado nesta sexta-feira, , no Reino Unido.

O estudo SCORES, liderado por pesquisadores da Universidade de East Anglia (leste da Inglaterra), conta com testes feitos pela internet para avaliar remotamente as funções cognitivas e acompanhar a evolução do cérebro.

Cerca de 145 ex-jogadores profissionais participaram do estudo. Cinquenta e cinco deles têm mais de 65 anos.

Segundo as conclusões do estudo, ex-jogadores de futebol entre 40 e 50 anos apresentam melhores resultados do que a população em geral, mas a tendência se inverte com a idade.

"É quando chegam aos 65 anos que as coisas começam a se degradar", comentou o Dr. Michael Grey, que chefia o estudo SCORES.

"Os jogadores de futebol com mais de 65 anos têm os piores resultados em áreas como o tempo de reação, funções executivas (que permitem sobretudo gerir e controlar situações não rotineiras ou realizar várias ações ao mesmo tempo, ndlr) ou espacialização. São sinais claramente precursores de um declínio na saúde do cérebro", acrescentou.

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Este novo estudo vai de encontro às conclusões de uma investigação realizada pela Universidade de Glasgow, que revelou que ex-jogadores de futebol corriam três vezes e meia mais risco do que a população em geral de morrer de uma doença neurodegenerativa, como demência ou doença de Parkinson.

Pesquisas desse tipo promoveram a conscientização sobre o impacto das práticas esportivas na saúde do cérebro e levaram a apelos por uma melhor proteção dos jogadores de futebol.

O estudo SCORES continuará nos próximos anos e ganhará amplitude com uma amostra maior.

"Isso nos dará uma imagem muito clara do dano potencial causado pelo cabeceamento da bola", explicou o Dr. Grey. Ele também tentará coletar dados sobre os jogadores de futebol.

A família de Nobby Stiles, campeão mundial de futebol em 1966 com a Inglaterra e que morreu em 2020 vítima de demência, anunciou no mês passado que estava pensando em processar a Federação Inglesa (FA), acusando-a de não ter protegido suficientemente os jogadores contra o risco de lesões cerebrais.

Outros esportes questionam as suas consequências a nível da saúde, como o boxe, mas também, mais recentemente, o rugby e o futebol americano.

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