Artemis 1: Fizemos um manual para você entender a missão espacial de volta à Lua

A viagem que a Nasa adiou para sábado, 3, é a primeira de um série de missões que levará humanos até o satélite natural da Terra
Foguete SLS: missão decisiva para o programa espacial da Nasa (Joel Kowsky/NASA/Getty Images)
Foguete SLS: missão decisiva para o programa espacial da Nasa (Joel Kowsky/NASA/Getty Images)
Por André LopesLaura Pancini

Publicado em 02/09/2022 às 15:04.

Última atualização em 05/09/2022 às 15:35.

"Nos estamos indo!" estampa uma placa colocada em frente ao foguete da missão Artemis 1 que deve decolar do Cabo Canaveral, na Flórida, neste sábado, 3, rumo à órbita da Lua.

Para entender melhor o que representa essa missão e quais são os planos da Nasa, confira abaixo um manual do programa espacial e das tecnologias que foram desenvolvidas para esse novo passo dos Estados Unidos para fora da Terra. 

O foguete

Com capacidade e poder sem precedentes, o foguete Space Launch System (SLS), de 17 andares de altura, tem quatro grandes motores e dois propulsores de combustível de estado sólido, compostos por polibutadieno acrilonitrila.

Para visualizar melhor na foto, procure pelas estruturas brancas ao lado do cone central do foguete. Ali estão os propulsores.

Ao centro, na grande parte laranja do foguete, está o combustível líquido dos quatro motores do foguete.  É nesse espaço que a Nasa irá abastecer 2 milhões de litros de hidrogênio líquido e 741 mil litros de oxigênio líquido.

Com toda essa massa explosiva reservada, o foguete leva ao espaço mais que os ônibus espaciais poderiam levar para a órbita terrestre baixa, mas menos do que o foguete Saturno V da era Apollo.

A viagem da Artemis 1

Se tudo ocorrer como o planejado, em menos de 8,5 segundos, o foguete será lançado para fora da Terra a uma velocidade de 27 mil km/h.

E colocará em órbita a capsula Orion em uma missão que deve durar entre 26 a 42 dias. 

Abordo, haverá três manequins em trajes espaciais. Chamados de Comandante Moonikin Campos, Helga e Zohar, eles carregarão detectores de radiação para descobrir quanta radiação os astronautas podem ser expostos durante uma viagem à Lua.

O manequim Zohar estará vestindo um colete de proteção que certamente os humanos, quando forem, usarão também.

Uma das grandes razões pelas quais não haverá astronautas a bordo desta vez é que todo este lançamento é um voo de testagem em crítica.

Considere que é a primeira vez que o foguete SLS será colocado à prova no espaço, e colocar as pessoas em um foguete antes de ver se ele pode realmente funcionar parece uma escolha perigosa.

A capsula Orion

A parte branca ao topo do foguete é a capsula Orion. Ela é projetada para levar cargas e quatro humanos da Terra, com destinos como a Lua ou Marte.

O material que envolve e capsula é extremamente brilhante com objetivo de amenizar as temperaturas extremas do espaço.

Abaixo do material, um escudo térmico de última geração para lidar com a reentrada na atmosfera e um sistema de aborto de lançamento que pode levar os astronautas para a segurança se algo der errado durante a partida.

A Orion já voou para o espaço antes em um voo de teste em 2014 . Ele passou por muitas correções desde então, e a Nasa ainda acreditar ter ajustes a fazer, fator que já causou o adiamento uma série de vezes.

O plano de voo

Por trás das estrutura gigantesca do foguete, a Nasa desenvolveu toda uma tecnologia de software para dar precisão extrema à rota do foguete. Afinal, não há espaço para erros.

A mente por trás do traçado da capsula é o software Copernicus – nomeado em homenagem ao astrônomo e matemático Nicolau Copérnico, que defendeu a teoria de que a Terra gira em torno do Sol, no século 16.

O software, desenvolvido desde 2001, por pesquisadores da Universidade do Texas, é baseado em Python, e tem capacidade de criar rotas para diferentes tipos de deslocamentos no espaço.

Na missão Artemis 1, por exemplo, todas as fases da missão são simuladas, incluindo a decolagem, a transferência para uma trajetória Terra-Lua, a entrada da nave em órbita lunar, assim como o retorno seguro ao planeta.

O trajeto final planejado pela Nasa, depois que a Orion circular a Lua, é iniciar uma órbita retrógrada ao redor do satelite Lua – no sentido oposto que o nosso satélite gira em torno da Terra –, fazendo-a chegar a até 97 km da superfície da Lua.

Durante a missão, a nave deverá alcançar a distância de 450 mil quilômetros da Terra, quebrando o recorde da Apollo 13, de 400 mil km, em 1970.

A trajetória escolhida minimiza a quantidade de tempo que a nave fica na fria sombra da Lua, além de usar a gravidade lunar para retornar à Terra e cair com precisão no Oceano Pacífico.

No total, ida e volta, a Artemis viajará no espaço por mais de 2 milhões de km e alcançar velocidade de até 40 mil km/h.

Artemis 2

Programado para 2024, Artemis 2 será um voo tripulado que orbitará a Lua, mas sem pousar, similar ao que fez a Apolo 8. A formação da tripulação de quatro astronautas será anunciada até o fim do ano. Um canadense deve estar no grupo.

Artemis 3

A terceira missão Artemis será a primeira a colocar astronautas na Lua desde a Apolo 17 em dezembro de 1972. A nave tripulada alunará no polo sul da Lua, onde foi detectada água em forma de gelo. As alunissagens anteriores aconteceram perto do equador.

Artemis 3 está programada para 2025, mas é possível que o voo não aconteça antes de 2026, segundo uma auditoria independente do programa.

A partir de Artemis 3, a Nasa planeja enviar missões tripuladas uma vez por ano.

Parceria com a SpaceX

A Nasa escolheu a empresa SpaceX de Elon Musk para construir o módulo de alunissagem para Artemis 3.

A nave da SpaceX, ainda em desenvolvimento, servirá como um ônibus espacial para os tripulantes da cápsula até a superfície lunar e no retorno.

Estação espacial na Lua

O programa Artemis inclui a construção de uma estação espacial chamada Gateway, que orbitará a Lua.

O lançamento dos dois primeiros elementos - o módulo de alojamento e o sistema de propulsão - está planejado para o final de 2024, no prazo mais curto, por um foguete Falcon Heavy da SpaceX.

As tripulações da Orion seriam responsáveis pela montagem da Gateway. Os astronautas passariam entre 30 e 60 dias na estação e, eventualmente, teriam acesso a um módulo de alunissagem para seguir até a Lua e retornar.

Gateway também serviria como ponto de parada para qualquer futura viagem a Marte.

Destino: Marte

O objetivo final do programa Artemis é o que a Nasa chama de "próximo grande salto: a exploração humana de Marte".

A Nasa utilizará o conhecimento adquirido com o programa Artemis sobre trajes espaciais, veículos, propulsão, reabastecimento e outras áreas para preparar uma viagem a Marte.

O objetivo é aprender a manter uma presença humana no espaço profundo por um longo período.

O plano inclui a criação de um "acampamento base" na Lua, que possibilitaria a presença dos astronautas por até dois meses.

Enquanto uma viagem para a Lua leva apenas alguns dias, uma viagem a Marte demoraria no mínimo vários meses.

Assista o lançamento ao vivo

A NASA possui um canal no YouTube que transmite ao vivo alguns conteúdo do canal de televisão oficial da agência espacial. A Missão Artemis I é esperada para este sábado, dia 3 de setembro. A NASA pretende realizar a decolagem do foguete SLS às 15h17, mas tudo está suscetível a alterações devido a mudanças do clima no Cabo Canaveral.