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O chileno Pedro Parra é conhecido no meio como “senhor terroir”, reconhecido por ser o maior especialista nessa palavra não tão fácil de explicar, mas tão importante na hora de produzir grandes bebidas.

Ele é consultor de dezenas de vinícolas do mundo, incluindo a italiana Argiano, que elaborou o Brunello Di Montalcino 2018, eleito o melhor vinho do mundo em 2023 pela prestigiada revista americana Wine Spectator.

Parra conversou com EXAME Casual por exatos oito minutos [ele tinha um compromisso logo em seguida], mas tempo suficiente para ele dar uma aula sobre o mundo dos vinhos.

O que é terroir e por que é tão importante?

Os vinhos são como música: muitas pessoas cantam bem, mas os grandes cantores têm algo a mais. Esse algo a mais do cantor vem do treinamento, da voz, do tom, da genética. Um cantor é grande quando gera um som pessoal. Um terroir é grande quando gera uma assinatura, uma tipicidade pessoal. E essa tipicidade vem da terra, sempre da localidade, nunca do homem.

Como definir um bom terroir?

Um bom terroir é uma interpretação boa do solo. Existem fatores em comum que determinam um bom terroir: pedras, drenagem, porosidade, espaço para raízes, espaço para a água, com clima nem muito chuvoso nem muito ensolarado. Esse é o segredo dos grandes terroirs.

O vinho chileno tem esse som especial?

O vinho chileno, como o Malbec argentino, canta bem, mas não canta especial. A pergunta que se precisa fazer é por quê. Encontrar um terroir que saiba cantar é um processo longo, precisa de tempo. Tanto Chile quanto Argentina são países jovens fazendo vinho. Ambos estão no caminho de encontrar a sua música. Há muitos produtores que estão bem perto de encontrar esse algo especial. Eles estão no mesmo estágio de outras regiões dos Estados Unidos, como Napa Valley, Oregon e Sonoma.

Nesse grupo também está o Brasil, em especial com os espumantes?

Sim, claro. É como um Messi ou um Pelé: é raro, mas é possível de encontrar. A Europa já encontrou com o tempo, o resto está procurando. Todos os grandes vinhos do mundo, cerca de 95%, vêm da Europa. Nós aqui na América do Sul precisamos de tempo. A França levou 200 anos para encontrar. Acredito que com a tecnologia esse tempo pode ser menor.

As mudanças climáticas estão afetando produtores tradicionais, como a França. É uma oportunidade para o Brasil?

É uma oportunidade para novos terroirs, que antes, por causa do clima, talvez não pudessem produzir bons vinhos. É um novo jogo, uma transformação importante da qual muitas pessoas não estão conscientes. Outras já estão muito conscientes, como na Califórnia, nos Estados Unidos, e estão investimento muito. Produtores da Borgonha, na França, estão indo produzir vinho lá.

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