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USP, Unesp e Unicamp perdem posições em ranking de países emergentes

Apenas a USP ficou entre as 30 melhores instituições do ranking da revista britânica Times Higher Education (THE). Veja a lista:

USP: a universidade ficou em 15º lugar (Francisco Emolo/Jornal da USP/Divulgação)

USP: a universidade ficou em 15º lugar (Francisco Emolo/Jornal da USP/Divulgação)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 15 de janeiro de 2019 às 17h50.

As universidades estaduais paulistas perderam posições no ranking que mede o desempenho de instituições de países emergentes. Divulgado nesta terça-feira, 15, o levantamento da revista britânica Times Higher Education (THE) mostra a Universidade de São Paulo (USP), a Estadual de Campinas (Unicamp) e a Estadual Paulista (Unesp) em colocações inferiores ao que foi registrado no ano passado.

O ranking de economias emergentes da THE analisou quase 450 universidades de 43 países, em quatro continentes. O levantamento feito pela revista britânica é uma das principais referências em reputação acadêmica. Trinta e seis instituições brasileiras aparecem no estudo - mais do que no ano passado, quando o País tinha 32. Mas 17 universidades brasileiras perderam posições no levantamento divulgado nesta terça.

A USP continua na melhor colocação entre as universidades brasileiras, na 15ª posição. No ano passado, estava em 14º e, desde 2017, não alcança o top 10 das universidades com melhores desempenhos. Em seguida, vem a Unicamp, que ficou em 40º lugar, perdendo sete posições em relação a 2018. A Unesp caiu para a 166ª colocação (em 2018, estava em 162º).

Enquanto isso, outras universidades brasileiras ganharam destaque. É o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que saiu da faixa de 201-250 e subiu para a 119ª posição, com melhoras em todos os indicadores, e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que subiu 23 posições, chegando à 127ª colocação.

Veja a classificação das universidades brasileiras:

UniversidadeClassificação 2019Classificação 2018
Universidade de São Paulo1514
Universidade Estadual de Campinas(=) 4033
Pontifícia Universidade Católica do Rio73(=) 61
Universidade Federal de São Paulo(=) 97(=) 92
Universidade Federal do Rio Grande do Sul(=) 119201-250
Universidade Federal de Minas Gerais127150
Universidade Federal do Rio de Janeiro(=) 141(=) 131
Universidade Estadual Paulista(=) 166(=) 162
Universidade Estadual de Santa Catarina(=) 182201-250
Universidade de Brasília201-250201-250
Universidade Federal de Pelotas201-250301-350
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul201-250(=)191
Universidade Federal do ABC251-300(=)153
Universidade Federal da Bahia251-300SC
Universidade Federal do Ceará251-300251-300
Universidade Federal de São Carlos251-300201-250
Universidade Federal de Viçosa251-300251-300
Universidade Estadual de Londrina251-300301-350
Universidade Federal de Lavras301-350301-350
Universidade Federal de Pernambuco301-350251-300
Universidade Estadual do Rio de Janeiro301-350301-350
Universidade do Vale dos Sinos301-350301-350
Universidade Estadual de Ponta Grossa301-350251-300
Universidade Estadual do Ceará351+SC
Universidade Federal de Goiás351+301-350
Universidade Federal de Itajubá351+98
Universidade Federal do Pará351+SC
Universidade Federal do Paraná351+301-350
Universidade Federal do Rio Grande do Norte351+301-350
Universidade Federal de Santa Maria351+301-350
Universidade Tecnológica Federal do Paraná351+SC
Universidade Federal de Uberlândia351+SC
Universidade Federal Fluminense351+301-350
Pontifícia Universidade Católica do Paraná351+251-300
Universidade Estadual de Maringá351+351+
Universidade Estadual do Oeste do Paraná351+351+

Para Ellie Bothwell, editora global de rankings da THE, o cenário brasileiro é de estagnação. A publicação britânica indica que o desempenho do País está ligado a cortes financeiros. "Como em muitos países da América Latina, o setor de ensino superior do Brasil está sofrendo sérios efeitos colaterais dos contínuos cortes de financiamento", apontou Ellie.

Também há maior competitividade. "Outras economias emergentes estão avançando em um ritmo mais acelerado, à medida que cada vez mais as vemos posicionando as instituições no centro de suas estratégias nacionais de crescimento econômico", disse Ellie. A China é a nação que conquista as melhores posições na tabela (4 das 5 primeiras) e tem a melhor representação: 72 instituições chinesas aparecem no ranking.

A primeira colocada da lista é a Universidade de Tsinghua, que tomou o lugar ocupado pela Universidade de Pequim no ano passado. Entre as 30 primeiras, também aparecem universidades russas, sul-africanas, turcas, indianas, entre outras.

UniversidadePaísClassificação 2019Classificação 2018
Universidade TsinghuaChina12
Universidade de PequimChina21
Universidade de ZhejiangChina36
Universidade de Ciência e Tecnologia da ChinaChina45
Universidade Estatal de MoscouRússia53
Universidade de FudanChina64
Universidade de NanjingChina78
Universidade Jiao Tong de XangaiChina87
Universidade da Cidade do CaboÁfrica do Sul99
Universidade Nacional de TaiwanTaiwan1010
Universidade de WitwatersrandÁfrica do Sul1112
Instituto de Física e Tecnologia de MoscouRússia1211
Universidade de KhalifaEmirados Árabes1315
Instituto Indiano de CiênciaÍndia1413
Universidade de São PauloBrasil1514
Instituto de Física de Engenharia de MoscouRússia(=) 1619
Universidade de WuhanChina(=) 1617
Universidade da MalásiaMalásia(=) 1827
Universidade de TongjiChina(=) 18(=) 22
Universidade SanbanciTurquia2018
Universidade Sun Yat-senChina2125
Instituto de Tecnologia HarbinChina(=) 2229
Escola Superior de EconomiaRússia(=) 2232
Universidade de StellenboschÁfrica do Sul2438
Universidade de Ciência e Tecnologia HuazhongChina25(=)45
Universidade KoçTurquia2616
Instituto Indiano de Tecnologia de MumbaiÍndia2726
Universidade Nacional Chiao TungTaiwan(=) 2850
Universidade dos Emimrados Árabes UnidosEmirados Árabes(=) 2850
Universidade de ChipreChipre(=) 3030
Universidade de TartuEstônia(=) 3028

Entenda os indicadores avaliados

O ranking de Economias Emergentes da revista britânica THE usa os mesmos 13 indicadores de desempenho analisados no ranking geral de universidades, que avalia mil instituições ao redor do mundo. Para a análise dos países emergentes, no entanto, esses indicadores são calibrados para refletir o contexto das universidades pesquisadas.

São levadas em consideração áreas como ensino (o ambiente de aprendizagem); pesquisa (volume, rendimento e reputação); citações (influência de pesquisa); perspectiva internacional (equipe, estudantes e pesquisadores); e rendimento da indústria (transferência de conhecimento).

Como as universidades de SP estão reagindo

De olho nos rankings internacionais, as universidades estaduais paulistas estão criando "núcleos de inteligência" para monitorar a própria performance acadêmica. Como o Estado mostrou em setembro do ano passado, esses núcleos são escritórios ou comissões que fazem a ponte com as agências responsáveis pelas principais avaliações e dão dicas práticas a pesquisadores sobre como melhorar a visibilidade das publicações científicas.

De modo geral, USP, Unesp e Unicamp têm boas posições ante as demais universidades da América Latina, mas ainda estão bem longe do topo de rankings mundiais, ocupado pelas elites britânica (como Oxford) e americana (Stanford, por exemplo). Também perdem para nações emergentes, como mostra o levantamento da THE, divulgado nesta terça-feira.

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