Copa do Mundo: torneio terá recorde de marcas esportivas (Adidas/Reprodução)
Redatora
Publicado em 16 de maio de 2026 às 11h37.
A Copa do Mundo de 2026 terá o maior número de fornecedoras de material esportivo da história do torneio. Ao todo, 13 marcas diferentes vão vestir as 48 seleções classificadas para o Mundial disputado em Estados Unidos, Canadá e México.
Apesar da diversidade recorde, Adidas, Nike e Puma seguem concentrando a maior parte do mercado. Segundo levantamento do especialista em marketing esportivo Idel Halfen, líder da agência Jambo Sport Business, divulgado pelo Sport Insider, as três gigantes irão vestir 77% das seleções da Copa.
A Adidas aparece na liderança entre as marcas da Copa do Mundo de 2026, com 14 seleções patrocinadas, o equivalente a 29% das equipes do torneio. Na sequência aparecem Nike, com 12 seleções (25%), e Puma, com 11 equipes (23%).
Segundo Halfen, embora três marcas concentrem a maior parte das seleções, Adidas e Nike formam hoje um “duopólio” esportivo por patrocinarem equipes com maiores chances de título. Entre as seleções patrocinadas pelas duas empresas estão Brasil, Argentina, França, Alemanha, Inglaterra e Espanha.
Além das gigantes do setor, a edição de 2026 contará com marcas menos tradicionais no cenário global. A Kelme será a única fornecedora fora do trio principal com mais de uma seleção no torneio. As demais marcas terão apenas uma equipe cada.
O Mundial também contará com uniformes produzidos por Umbro, Reebok, Kappa, Jako, Marathon, Capelli, Majid, Saeta e 7Saber. Segundo o levantamento, a expansão da Copa para 48 seleções abriu espaço para empresas regionais e marcas que nunca haviam aparecido em um Mundial.
Para Idel Halfen, a presença dessas empresas no torneio representa principalmente uma estratégia de exposição internacional. Segundo o especialista, participar da Copa ajuda marcas menores a ganhar reconhecimento global, mesmo sem patrocinar seleções favoritas ao título.
“Essas marcas dificilmente mantêm essa penetração a longo prazo, pois não têm a rede de distribuição global das gigantes”, afirmou Halfen ao Sport Insider.
O especialista também avalia que o retorno comercial dessas empresas costuma ser mais limitado fora de seus mercados regionais, já que varejistas globais tendem a priorizar camisas de seleções mais populares.
O levantamento também destaca a escalada financeira do mercado de uniformes de seleções. A Alemanha, por exemplo, encerrará após a Copa de 2026 uma parceria histórica com a Adidas para fechar acordo com a Nike entre 2027 e 2034 em contrato próximo de 100 milhões de euros por ano.
Já a Nike renovou com a seleção brasileira até 2038 em um acordo estimado em US$ 73,5 milhões anuais, além de royalties sobre vendas.
A Puma, terceira maior força do setor, mantém presença em todas as Copas desde 1998 e tem forte atuação no continente africano, vestindo metade das seleções da África classificadas para o Mundial de 2026.
As marcas esportivas também devem usar o evento esportivo para ampliar estratégias ligadas ao mercado de moda e streetwear. A Nike pretende levar a Jordan Brand para o futebol de seleções e usará a submarca no uniforme reserva da seleção brasileira.
Será a primeira vez que uma "marca interna" da empresa aparecerá em uma Copa do Mundo.
Já a Adidas aposta no retorno do Trefoil, logotipo clássico da marca, nas camisas reservas de suas seleções. Segundo Halfen, a estratégia busca transformar camisas de seleções em peças de moda urbana e ampliar o consumo dos produtos para além do ambiente esportivo.
No Brasil, essa relação entre futebol e moda ganha uma dimensão ainda maior. A camisa da seleção brasileira permanece como um dos maiores símbolos culturais do país e atravessa diferentes gerações, do torcedor tradicional à nova estética das redes sociais. O uniforme deixou de ser usado apenas em jogos ou períodos de Copa e passou a integrar produções urbanas, muitas vezes combinado com alfaiataria, jeans largos e acessórios de moda. A influência é tão forte que a própria apresentação das seleções para 2026 passou a considerar não apenas desempenho esportivo, mas também imagem e posicionamento estético.
A conexão entre esporte e luxo também aparece fora das quatro linhas. A roupa social da seleção brasileira para a Copa de 2026 foi desenvolvida dentro dessa lógica de sofisticação contemporânea, aproximando os jogadores de uma imagem cada vez mais alinhada ao universo fashion global. O atleta deixou de ser apenas esportista para ocupar também o espaço de embaixador de estilo.
Esse movimento ajuda a explicar a explosão do mercado retrô. Modelos históricos de seleções e clubes voltaram ao centro da indústria esportiva como produtos de alto valor agregado. A nostalgia se transformou em negócio. Chuteiras clássicas reaparecem em novas versões, jaquetas inspiradas nos anos 1990 retornam às vitrines e relançamentos de uniformes históricos rapidamente se tornam itens de coleção.