Na Ingredion, escritório no metaverso é aposta para aproximar funcionários no home office

Desde junho, a subsidiária brasileira da multinacional possui um espaço no metaverso em que é possível realizar treinamentos, reuniões e eventos. Meta é usar a tecnologia para processos como onboarding até o dia a dia de trabalho
Escritório no metaverso da Ingredion: um dos primeiros eventos na plataforma foi um treinamento com os estagiários (Ingredion/Divulgação)
Escritório no metaverso da Ingredion: um dos primeiros eventos na plataforma foi um treinamento com os estagiários (Ingredion/Divulgação)
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Luciana Lima

Publicado em 25/10/2022 às 19:11.

Última atualização em 25/10/2022 às 19:14.

Segundo dados do Citibank, até 2030, cinco bilhões de pessoas irão interagir no metaverso, ambiente que reproduz o mundo real por meio de tecnologias como realidade virtual e aumentada.

Em 2021, Bill Gates, bilionário fundador da Microsoft, já vaticinava que, dentro de dois ou três anos, todas as reuniões de negócios seriam conduzidas no ambiente virtual do metaverso.

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Para alguns, o metaverso será a saída para as empresas resolverem o dilema da conexão em home office, permitindo que mesmo no remoto os funcionários consigam interagir no dia a dia com uma experiência mais próxima do "mundo real" possível.

Uma das companhias que têm apostado no metaverso para melhorar a experiência dos times no modelo híbrido é a Ingredion, multinacional americana que atua no ramo de processamento e refino de alimentos.

Desde junho, a empresa, que emprega 2,8 mil pessoas no Brasil, conta com um escritório dentro do metaverso. Ambientado na plataforma da empresa de tecnologia Flex Interativa, ao todo, são quatro salas criadas para realização de eventos, reuniões e treinamentos onlines com o time.

Viviane Gaspari, Vice-Presidente de Recursos Humanos da Ingredion admite que, no início, chegou a questionar a utilidade de mais uma plataforma online para os funcionários.

"Quando começamos a atuar no modelo híbrido, estávamos em busca de ferramentas para melhorar a experiência do nosso time, mas ficávamos pensando 'Será? Outra plataforma? Já temos tantas'", afirma.

"Mas, percebemos que, com o metaverso, poderíamos oferecer o mais próximo de uma interação em primeira pessoa no nosso formato de trabalho que privilegia a flexibilidade", diz. Por lá, os funcionários podem trabalhar em home office o tempo que quiserem e a Ingredion apenas orienta a ida ao escritório quatro vezes por mês.

Metaverso: de reuniões de negócios a treinamentos

A executiva diz que a plataforma desenvolvida em parceria com a Flex dispensa o uso de óculos de realidade virtual ou outros equipamentos sofisticados: basta que os funcionários façam o login para automaticamente serem transportados para um ambiente virtual, semelhante a um videogame.

Lá, é possível caminhar por entre o escritório virtual e conversar com outras pessoas que também estejam online. "Uma das coisas mais legais é que, uma vez dentro, você não consegue fazer outras coisas no computador, ficando, de fato, imerso no ambiente", diz Viviane.

Viviane Gaspari, Vice-Presidente de Recursos Humanos da Ingredion: "Metaverso é mais acessível do que as pessoas imaginam" (Ingredion/Divulgação)

Até agora, a Ingredion realizou dois eventos no metaverso. O primeiro foi o Innovation Day, ocasião em que clientes são convidados para visitar a empresa e testar protótipos de novos produtos.

"Antes, desenvolvíamos o protótipo e, posteriormente, o cliente dava o feedback. Com o metaverso, apresentamos um modelo em 3D e depois criamos o protótipo físico, o que reduz o custo porque sempre há alterações", explica a executiva.

O outro evento foi um treinamento no metaverso com o novo time de estagiários sobre os itens de origem vegetal da companhia. Um dia antes, os produtos foram enviados para as casas dos jovens que, durante o treinamento, degustaram os alimentos enquanto aprendiam sobre o negócio da companhia.

Redução de custos

A ideia, segundo Viviane, é, num futuro próximo, utilizar o ambiente do metaverso de diversas formas dentro da Ingredion como, por exemplo, em processos de onboarding, reuniões de liderança e, até mesmo, dia a dia de trabalho.

A executiva salienta que em alguns casos, isso representará uma economia para o caixa da empresa, reduzindo custos com hospedagem e passagem para encontros que antes aconteciam presencialmente.

"Nada substitui o presencial, mas será que precisamos fazer duas reuniões de líderes fisicamente por ano, com pessoas de várias plantas? Com o metaverso podemos ter uma experiência bacana, com uma importante redução de custo", afirma.

Porém, antes disso se tornar realidade, a Ingredion quer treinar os funcionários para que eles aprendam a navegar no mundo virtual. Por enquanto, 85 pessoas dos times de marketing e vendas já receberam a capacitação no metaverso. Outros 200 empregados, incluindo a liderança sênior, estão finalizando a capacitação.

Conforme mais pessoas do time estejam aptas a utilizar a plataforma, a ideia é também aumentar a capacidade da ferramenta, que hoje é limitada a 45 usuários ao mesmo tempo.

De acordo com Viviane, além de colocar todos os funcionários na mesma página, treinar a equipe antes de implementar uma ferramenta do metaverso também ajuda a desmistificar a tecnologia. "Tem muita gente que acha que metaverso é só mais uma melhoria das plataformas de reunião online, por exemplo. Meu conselho é dar passos menores para engajar a organização", afirma.

Embora não divulgue o valor do investimento na ferramenta, a executiva afirma que a tecnologia é mais "simples e menos cara do que a gente pensa".

"Começamos o projeto no Brasil e, após algumas apresentações para o nosso time global, vamos levar a ferramenta para o escritório dos Estados Unidos. Com isso mostramos que enquanto RHs também temos um papel de inovar e antecipar tendências", finaliza Viviane.

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