Como fazer faculdade na Austrália, país que deve bater recorde de estudantes estrangeiros em 2023

A expectativa é que os números de matrícula superem os de 2019
Orla de Sydney, na Austrália: o número de alunos internacionais na Austrália pode bater um novo recorde no próximo ano (Masci Giuseppe/AGF/Universal Images Group/Getty Images)
Orla de Sydney, na Austrália: o número de alunos internacionais na Austrália pode bater um novo recorde no próximo ano (Masci Giuseppe/AGF/Universal Images Group/Getty Images)
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Ana Resende Quadros, da Universidade do IntercâmbioPublicado em 01/09/2022 às 14:18.

O número de alunos internacionais na Austrália pode bater um novo recorde no próximo ano. Ao menos essa é a expectativa do mercado de educação universitária do país. Segundo a colunista da Agence France-Presse (AFP), Julie Hare, o próximo ano deve superar a renda de AUD$ 40 bilhões de 2019.

Conforme um levantamento feito pela jornalista junto às agências de recrutamento de alunos, 2023 deve ser o melhor dos últimos 12 anos. O chefe de uma dessas agências, Andrew Barkla, tem altas expectativas para o próximo ano.

“Esse deve ser o melhor ano de todos. Não há dúvidas de que existe demanda, Porém, o mais importante é que nós nos mantenhamos competitivos, oferecendo direitos de trabalho após o estudo e aumentando a velocidade de emissão de vistos”, explica.

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Quais são os incentivos do governo australiano

O governo australiano tem buscado incentivar a ida de alunos internacionais aumentando algumas vantagens. Em novembro de 2021, o Ministro da Educação e o Ministro de Imigração da Austrália tomaram medidas para apoiar os estudantes estrangeiros.

Dentre as principais medidas adotadas pelo governo australiano estão:

  • Um fundo de 37 milhões de dólares australianos para que as universidades expandam sua política de bolsas e auxílios.
  • Além disso, a política de vistos também foi facilitada.

O então ministro da Educação, Alan Tudge, explicou que essas medidas servem para ajudar o setor a se recuperar da pandemia do novo coronavírus. “Isso ajudará a garantir o rápido retorno dos estudantes internacionais. A medida traz benefícios tanto para os alunos quanto para as instituições”, conta.

Devido ao covid-19, a Austrália teve uma queda de 17% no número de matrículas de estudantes internacionais. Como a reabertura das fronteiras aconteceu apenas em dezembro de 2021, muitos alunos que escolheriam a Austrália acabaram optando por destinos como o Canadá e o Reino Unido.

“O Reino Unido provavelmente se beneficiou com os alunos que não conseguiram ir para a Austrália”, disse Andrew Barkla, “Nós não somos os únicos com desafios na área de processamentos de vistos, mas o Reino Unido acabou de restaurar seu programa de vistos prioritários”, aponta.

Por isso, o governo australiano tomou medidas para atrair os alunos de volta. "As mudanças visam não apenas apoiar estudantes internacionais, mas também são um componente crucial de nossa recuperação econômica e nos ajudarão a reter e atrair trabalhadores qualificados", comentou, à época, o então ministro da Imigração, Alex Hawke.

Como é a política de emissão de vistos

As mudanças iniciadas no ano passado se intensificaram neste ano, com a mudança de governo. O atual Ministro da Imigração da Austrália, Andrew Giles, vê como prioridade a agilização da fila de solicitação de vistos.

O principal objetivo é trazer mão de obra qualificada para o país. Segundo a ABC, no último ano fiscal, mais de 56 mil trabalhadores entraram no país, porém, quase 900 mil pessoas ainda não receberam resposta para seus vistos.

A necessidade da Austrália de atrair mão de obra estrangeira é grande. Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país é o segundo no mundo com maior déficit de trabalhadores qualificados. O Australian Bureau of Statistics aponta que existe o mesmo número de pessoas desempregadas do que de vagas de emprego.

Nesse cenário, os intercambistas podem ser uma boa solução e a Austrália sabe disso. Um exemplo é a medida que começou a valer em julho deste ano que permite que 500 jovens brasileiros passem até 12 meses na Austrália para trabalhar ou fazer cursos de pequena duração.

De acordo com o especialista em educação internacional da Navitas, Jon Chew, ouvido pela AFP, acredita que os alunos estrangeiros que vêm estudar na Austrália podem ficar no país para trabalhar depois. Já Jack Foster, da AECC Global, explica que o maior problema no momento é a aprovação dos vistos.

“Nós nunca vimos um panorama mais favorável”, explica Foster. “A demanda que estamos vendo pela educação australiana está em níveis recordes, a dificuldade está no nosso governo processar os vistos de maneira oportuna à medida que os estudantes querem estudar aqui”, completa.

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