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Achar que dá pra melhorar já muda o resultado, segundo pesquisa de Stanford

Estudo com centenas de estudantes mostra que crença sobre a própria capacidade afeta desempenho real

Construa um plano de carreira de seis meses para negociar promoções (Thinkstock)

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Publicado em 19 de agosto de 2026 às 15h42.

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Existe uma crença que separa quem desiste no primeiro obstáculo de quem continua tentando, e ela não tem relação com talento. Tem relação com o que a pessoa acredita sobre a própria capacidade de melhorar. 

Uma das pesquisas mais citadas da psicologia comportamental transformou essa ideia em dado concreto, e ela muda a forma como vale a pena encarar qualquer desafio, da faculdade a uma seleção nacional.

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O experimento que começou com um elogio

Em um estudo publicado em 1998, a psicóloga Carol Dweck, então na Universidade Columbia, aplicou uma série de quebra-cabeças a cerca de 400 alunos do quinto ano. Depois de completarem o primeiro desafio, uma parte dos estudantes recebeu elogio pela inteligência ("você deve ser inteligente"), e outra parte recebeu elogio pelo esforço ("você deve ter se esforçado bastante"). 

Os alunos elogiados pelo esforço escolheram, na sequência, tarefas mais difíceis e desafiadoras. Os elogiados pela inteligência evitaram o desafio maior.

O motivo, segundo Dweck, hoje professora em Stanford, está em como cada grupo interpretou o próprio potencial. Quem foi elogiado pela inteligência passou a proteger essa identidade, evitando qualquer situação que pudesse expor uma falha, mas quem foi elogiado pelo esforço entendeu a dificuldade como parte natural do processo de aprender, não como ameaça.

Mentalidade fixa versus mentalidade de crescimento

Esse experimento deu origem ao conceito que Dweck chamou de mindset, ou mentalidade. Pessoas com mentalidade fixa acreditam que inteligência e talento são características dadas, que não mudam de forma significativa ao longo da vida, já pessoas com mentalidade de crescimento acreditam que habilidades se desenvolvem com esforço, estratégia e aprendizado constante.

Um segundo estudo, conduzido por Dweck e pela psicóloga Lisa Blackwell, acompanhou 373 alunos do sétimo ano ao longo de dois anos para verificar se essa crença previa o desempenho escolar no futuro. O resultado confirmou a hipótese de que estudantes com mentalidade de crescimento apresentaram melhora consistente nas notas ao longo do tempo, diferença que não pôde ser explicada apenas pelo nível de inteligência inicial de cada aluno.

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Por que isso importa além da sala de aula

A mentalidade de crescimento não muda apenas o desempenho em prova. Muda o comportamento diante de qualquer situação de risco ou julgamento externo, como uma entrevista de emprego, uma seleção competitiva ou a apresentação de um projeto para uma banca. 

Quem entende a própria capacidade como algo em construção tende a interpretar uma rejeição como um dado a ser trabalhado, não como um veredito definitivo sobre quem é.

É importante fazer uma ressalva: nos últimos anos, parte da comunidade científica tem debatido o tamanho real desse efeito, com meta-análises apontando resultados mais modestos do que a repercussão popular do conceito sugere. 

Isso não invalida o achado central de Dweck, mas reforça que mentalidade de crescimento não é fórmula mágica, é um entre vários fatores que influenciam desempenho ao longo do tempo.

O que fazer com esse dado antes de encarar um novo desafio

Na prática, a pesquisa sugere um ajuste simples de comportamento: tratar dificuldade como parte do processo, não como prova de incapacidade. Isso muda a forma como alguém se inscreve em uma seleção concorrida, encara uma primeira recusa ou decide tentar de novo depois de não avançar numa etapa.

A pergunta que a pesquisa de Dweck ajuda a responder não é "eu sou bom o suficiente?". É "eu ainda posso melhorar nisso?". E a resposta, segundo décadas de estudo, quase sempre é sim.

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