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Silicon Valley Bank: um alarme ou o prenúncio do fim de um ecossistema?

Quais são os impactos do caso do Silicon Valley Bank na Bossanova Investimentos, nas nossas startups e no mercado?

Governo dos Estados Unidos quer evitar uma crise sistêmica (Pavlo Gonchar/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

Governo dos Estados Unidos quer evitar uma crise sistêmica (Pavlo Gonchar/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)

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Publicado em 13 de março de 2023 às 17h28.

O Silicon Valley Bank (SVB) foi fechado na última sexta-feira. Deixei pra falar somente hoje porque tinha muito ruído na grande mídia, com informações desencontradas e alardeadoras (como sempre) sobre o assunto, durante o final de semana.

Aliás, não vou usar este texto para explicar o que aconteceu (até porque já tem centenas de matérias sobre o fato de que houve uma corrida para os saques no banco na semana passada), mas, sim, para mostrar os reflexos no ecossistema de startups no Brasil e o possibilidade do efeito dominó no sistema financeiro.

Bom, vamos lá:

A Bossanova tomou a decisão de sacar parcialmente os seus recursos desse banco na última quinta-feira e sacar totalmente na sexta-feira, pouco antes do anúncio da intervenção do fundo garantidor do sistema financeiro e bancário norte-americano.

Conseguimos sacar uma parcela significativa dos nossos recursos, e o restante estamos aguardando ainda hoje (segunda, dia 13 de março) a liberação do Federal Reserve e do fundo garantidor, FDIC. Até porque o Governo dos Estados Unidos quer evitar uma crise sistêmica. Ou seja, não haverá impacto nas nossas operações e nos nossos investimentos lá nos Estados Unidos.

Alertamos na tarde da sexta-feira para que nossas startups também sacassem seus recursos daquele banco. Não temos notícias de que nossas startups tenham ficado com recursos presos, além do valor de US$ 250 mil que inicialmente já estava garantido pelo FDIC.

Nós recebemos neste final de semana dezenas de reports de gestores e fundos internacionais, e todos relataram que o impacto da situação do SVB nas investidas desses fundos, de que nós também somos cotistas, foi bem pequeno.

Não teremos startups do ecossistema Bossanova com problemas de caixa e nas suas operações. Nosso estágio de investimento no Brasil é até o Seed (Anjo, pré-seed e Seed). O "desespero" maior bateu forte nas startups mais maduras, aquelas startups que dependem de grandes aportes financeiros e com operações internacionais.

Da mesma forma, apesar de ser um alerta no sistema financeiro mundial, não vejo relação e nem motivações para sacarmos dinheiro de bancos digitais brasileiros, como Nubank, C6 e o Inter, por exemplo.

Aliás, o Nubank já declarou que não tem qualquer exposição ao Silicon Valley Bank e se você for verificar melhor, o índice Basiléia do Nubank é de 17,7% e de mobilização é de apenas 0,5%, ou seja, são muito bons e melhores que muitos bancos tradicionais.

Poderia ser esse caso do SVB um prenúncio da “extinção em massa” de startups (termo que a mídia está adorando falar)?

Estimamos que 20% das startups mundiais tinham conta neste banco, ou seja, aproximadamente 40 mil startups não conseguiriam sacar seus recursos SE e apenas SE, não houvesse um fundo garantidor no governo americano. Mas, ainda assim, 80% das demais startups não tinham conta nesse banco. Percebam que abalaria, mas não acabaria? Conseguem entender a diferença?

Apesar do Silicon Valley Bank ser historicamente o banco das startups e ter colaborado muito nos últimos 20 anos para o desenvolvimento desse mercado, esse episódio não é fim do mundo e tampouco é o fim das startups.

Portanto, meus amigos, muito cuidado com as matérias sensacionalistas alardeando o caos sobre o mercado de venture capital e as startups.

Empresas inovadoras e de tecnologia são resilientes e muito maiores do que o que aconteceu com esse banco: Anota aí: elas foram, são e serão o futuro de toda a nossa sociedade.

Fiquem tranquilos que continuaremos trabalhando da mesma forma, os investimentos continuam!

Alarme, freio de arrumação e ajustes são importantes e sempre acontecem para melhorar o nosso ecossistema e não para piorar … para a tristeza dos que alardeam o caos e torcem contra.

Fiquem em paz, de olho aberto nas movimentações e vamos trabalhar.

*João Kepler é CEO da Bossanova Investimentos

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