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Ainda é cedo para estimar os efeitos do colapso do Silicon Valley Bank e da volatilidade entre outros bancos de médio porte. No entanto, o que pareceu uma desaceleração da indústria de capital de risco nos últimos doze meses foi, na verdade, apenas um retorno ao normal e aos níveis de atividades pré-pandemia, após os anos recordes de 2020 e 2021. 

Um fator importante por trás da retração são os valuations. Os analistas de venture capital estão avaliando as empresas privadas de forma mais conservadora do que há alguns anos, em parte por causa dos ventos econômicos contrários que elas enfrentam. Por exemplo, a inflação está resultando em custos mais altos e o custo de capital aumentou. Além disso, os múltiplos de negociação de organizações públicas que os VCs usam para avaliar as organizações privadas comparáveis, caíram. Compreensivelmente, os empresários tentam evitar a captação de recursos nesse ambiente e, se tiverem dinheiro em caixa, podem tentar esperar uma recuperação. O resultado, no entanto, é menos atividade. 

Estamos vendo formas criativas de levantar capital, na tentativa de minimizar o impacto no valuation. Alguns estão vendendo notas conversíveis, adiando assim a revisão do valuation para um ponto no futuro, em vez de vender participação a um valuation mais baixo do que no passado. Outros estão transacionando o mesmo tipo de título que comercializavam antes da recessão, mas com incentivos adicionais, como warrants, para tornar o investimento mais atraente. No final das contas, as instituições bem administradas, que oferecem produtos necessários para os clientes e conseguem gerenciar suas despesas, são as que sobrevivem. Os negócios que estiverem aqui quando o mercado se recuperar estarão mais saudáveis. 

À medida que as startups gastam o dinheiro que receberam em 2021 e no início de 2022 e precisam levantar novas rodadas, teremos mais downrounds. Atualmente, o número de fusões e aquisições é pequeno, mas é um tipo de transação que deve se intensificar. Algumas empresas serão incapazes de levantar fundos depois de gastar todo o seu caixa e serão forçadas a se fundir com seus pares ou concorrentes para permanecerem ativas.  

Existem algumas recomendações que podem ajudar as iniciativas a passar por este momento: 

Aja rápido. Está claro agora que não haverá uma recuperação rápida nas condições de mercado. Novamente, este é um retorno ao normal, não uma queda transitória. A menos que sua empresa tenha fluxo de caixa positivo, seu saldo cairá com o passar do tempo. À medida que o caixa diminui, ela perde cada vez mais força nas negociações com VCs ou potenciais compradores. 

Tenha um plano para o pior cenário, um 'wind-down'. Um empreendimento deve sempre ter dinheiro suficiente em mãos para cobrir seus custos de liquidação, em parte para proteger diretores e executivos de responsabilidade pessoal. Com a ajuda de advogados, contadores e outros consultores, deve inventariar suas obrigações e o custo de demitir funcionários e liquidar seus impostos. Isso representa seu ponto de “saque”. A administração deve monitorar isso regularmente e relatar ao conselho com frequência.

As empresas podem se recuperar e ter sucesso após crises. Paciência é importante. As pessoas esquecem que o Facebook fez um downround em 2009. São tempos que mostram quem realmente quer ser empreendedor e quem faz isso muito bem. Esses mercados revelam quem são os indivíduos mais fortes, capazes de se adaptar e sobreviver. 

Continuamos otimistas com o ecossistema de venture capital no Brasil. Ainda há muito dinheiro disponível em fundos brasileiros e vários VCs planejam levantar novos recursos este ano. Além disso, os fundamentos que inicialmente nos entusiasmaram sobre o Brasil - altas taxas de adoção de tecnologia, tamanho do mercado, crescente pool de talentos empresariais - ainda estão aqui. Acreditamos que até o segundo semestre de 2023 veremos mais transações, seja porque os mercados se recuperaram ou porque os negócios precisarão levantar dinheiro por necessidade. 

*Brian Hutchings é sócio do Gunderson Dettmer, em Nova York, e sócio-fundador do escritório de São Paulo 

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