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Mais de 70% das empresas devem manter ou ampliar trabalho remoto em 2023

Pesquisa da consultoria Think Work Lab em parceria com a HR Tech global Atlas aponta que cultura organizacional é o principal ponto de atenção

Fortalecer cultura organizacional se tornou prioridade (martin-dm/Getty Images)

Fortalecer cultura organizacional se tornou prioridade (martin-dm/Getty Images)

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Publicado em 28 de março de 2023 às 10h00.

Com novos cenários contratuais e modelos de trabalho flexíveis, o principal desafio de RH para empresas hoje é o fortalecimento da cultura corporativa, indica pesquisa organizada pela startup de conhecimento sobre gestão de pessoas Think Work Lab em parceria com a HRTech global Atlas.

O estudo Desafios do RH em 2023, realizado em dezembro de 2022, analisou 69 empresas brasileiras de todos os portes nos setores de serviços e indústrias para revelar os principais desafios na agenda dos líderes de RH para este ano, além das principais tendências e prioridades do setor.

Uma das conclusões mais impactantes do estudo é de que, com a digitalização e os formatos híbrido e remoto ganhando cada vez mais adeptos, 57% das empresas analisadas pretendem manter o trabalho híbrido ou remoto e 14% planejam ampliar o modelo. Apenas 17% das empresas afirmaram não ter aderido ao sistema online de trabalho. Uma indicação de que organizações brasileiras estão cada vez mais confortáveis com a mudança é a queda brusca na preocupação com a conciliação de modelos de trabalho: enquanto em 2022 o tema era o 5º mais prioritário para os respondentes, em 2023 houve queda de 10 posições.

Neste cenário, o fortalecimento da cultura organizacional se consolida como o maior desafio para 35% dos entrevistados. Já a transformação digital do RH tornou-se um desafio ainda maior, saindo do 4º para o 2º lugar no ranking de preocupações na comparação com a edição de 2022. Das empresas participantes, quase um terço já iniciou a digitalização do RH e as ações avançam rapidamente. "O uso de dados e de tecnologia na gestão de pessoas deve ser um capítulo à parte na agenda do RH. Fica claro que o RH precisa das ferramentas tecnológicas e dos indicadores para promover uma gestão de pessoas mais justa e flexível — como exigem os tempos atuais", afirma Tatiana Sendin, fundadora e CEO da Think Work.

Vale notar que, devido aos desafios macroeconômicos, a diminuição de custos da área de RH virou uma prioridade e saiu de 25º lugar para a 13ª posição na comparação com a pesquisa divulgada em 2022. A melhoria da comunicação interna também subiu 14 posições no mesmo período (de 26º para 14º), possivelmente indicando o ganho de importância do tema em um cenário de menos presencialidade.

Cuidar da cultura organizacional também foi o principal ponto de melhoria indicado pelos executivos no que diz respeito ao trabalho remoto e encabeça a lista, na marca dos 32%. Em seguida vêm a preocupação com a gestão de equipes (22%) e a gestão de conhecimento (20%), que apresentam desafios específicos para equipes remotas.

Mesmo considerando os aspectos que ainda precisam de ajuste, a maioria absoluta dos entrevistados (95%) prefere formatos de trabalho remoto ou híbrido, sendo este último o campeão, com 67% dos respondentes. No entanto, cerca de um quarto dos respondentes ainda adota o regime presencial.

Segundo Maíra Gracini, VP de Marketing e Growth da Atlas para América Latina, estamos encarando um novo capítulo de oportunidades para a busca de talentos. Empresas agora podem contratar novos talentos em qualquer parte do mundo, atendendo  necessidades do negócio de forma simples, ágil, competitiva e de acordo com as leis laborais. Além dos benefícios para as empresas, há impacto positivo tanto para governos e economias locais – por conta da redução de brecha entre oferta e demanda de trabalho – quanto para indivíduos, que agora podem ter uma oportunidade de trabalho em empresas do mundo todo.

A busca por mão de obra: percepção é de que faltam profissionais de tecnologia

Uma parcela de 59% dos entrevistados espera enfrentar desafios na busca por mão de obra em tecnologia em 2023. Há dois motivos principais apontados para isso: número insuficiente de profissionais no mercado e baixa qualificação dos profissionais existentes. A categoria em que a percepção de ausência de profissionais é maior é o setor de tecnologia: 56% dos gestores entrevistados afirmam se deparar com esse desafio. A alta liderança vem logo em seguida, com 34%. Já em termos de baixa qualificação dos profissionais existentes, os ramos mais afetados são a área de operações e produção (54%) e engenharia (37%).

O cenário é desafiador principalmente para as empresas que planejam expandir seus times em 2023, que representam 45% das organizações participantes do estudo. Neste contexto, a disposição para buscar soluções que qualifiquem a mão de obra existente no mercado ou que abram novas avenidas para a contratação de talentos - inclusive fora do Brasil - se mostram cada vez mais relevantes.

"Com o crescimento da tendência do anywhere office, que abre a possibilidade de acionar talentos em qualquer parte do mundo, as empresas brasileiras podem olhar para um cenário mais amplo de oportunidades", pontua Adriano Araújo, Gerente Geral da Atlas para a América Latina. "Empresas com equipes internacionais tendem a ser mais diversas e, consequentemente, desenvolver produtos e soluções mais inovadores", diz.

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