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Internacionalizar marcas não é um sonho impossível

É um engano pensar que apenas as grandes empresas são capazes de acessar o mercado externo com sucesso

Globalização é estratégia de longevidade da empresa (metamorworks/Getty Images)

Globalização é estratégia de longevidade da empresa (metamorworks/Getty Images)

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Tulio Portella*

24 de janeiro de 2023, 14h24

Além de diversificar mercados, a internacionalização de marcas é uma estratégia de longevidade. Um passo relevante para proteger as empresas das incertezas econômicas e da instabilidade dos países onde elas foram criadas. Em cenários dinâmicos como o brasileiro, as organizações vêm encontrando na ampliação das fronteiras uma forma de garantir maior solidez a seus negócios, seja qual for seu tamanho e setor.

Um estudo da Fundação Dom Cabral indica haver um movimento intenso de companhias nacionais para investir no exterior. Das mais de 150 entrevistadas, 70% planejam entrar em países diferentes dos que atuam hoje nos próximos dois anos. Nas localidades onde já se fazem presentes, cerca de 80% pretendem realizar algum tipo de expansão.

Um dos enganos mais comuns quando se fala em performance global é o de que apenas as grandes empresas são capazes de acessar o mercado externo com sucesso. Em 2021, entre os negócios apoiados pela Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil), 53% eram pequenos e médios.

A estratégia dessas empresas varia. Há desde as que nascem tipo exportação às que descobriram outras nações no meio do caminho para não fechar as portas em momentos de crise ou pandemia. O próprio setor de tecnologia da informação ajuda a turbinar esses números: o Brasil mergulhou de cabeça na onda digital e, em 2021, o volume de exportações de serviços do setor cresceu mais de 70%, comparado a 2020.

As transações no exterior, no entanto, não são privilégio dos mencionados segmentos de tecnologia da informação, bebidas ou commodities. As vendas de mobília brasileira para os EUA, por exemplo, cresceram mais de 30% no primeiro semestre de 2022, comparado ao mesmo período de 2021. Tudo depende de estímulos, potencial de adaptação e receptividade dos produtos, competitividade no ambiente externo, existência de um mercado estruturado, preparo das empresas e habilidade dos executivos para exportar.

Empresas brasileiras que se dedicam ao comércio exterior conquistam cada vez mais diferenciais. O contato com parceiros de culturas diferentes inspira novas práticas e traz versatilidade ao negócio tanto lá fora quanto dentro de casa. A distribuição geográfica varia riscos e permite ganhos de escala, quando se aumenta a produção sem subir os custos de fabricação. Nas regiões com as quais o Brasil possui acordos comerciais, é possível reduzir despesas através de benefícios fiscais. Estar no exterior também significa uma chancela de qualidade para a marca.

É claro que há desafios. A ampliação das fronteiras de seu negócio envolve conhecer regulações, questões tributárias locais, novos concorrentes, fornecedores, a maneira como a audiência se comunica e relaciona com o seu segmento. Uma estratégia adequada de câmbio se torna essencial nesse contexto também.

Nada disso é empecilho, porém. Nem mesmo as previsões de desaceleração econômica global. Pelo contrário, elas nos servem de alerta sobre quanto é importante utilizar a diversidade de mercados que temos no planeta para proteger nossas empresas. Mostram que, além da planilha, a organização do futuro precisa navegar com um bom mapa nas mãos.

*Tulio Portella é diretor comercial da B&T Câmbio

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