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Inflação de bebidas menor em 2023 faz mercado ver o copo meio cheio

O aumento dos preços de alimentos e bebidas deve desacelerar ao longo deste ano

O setor alimentício foi o grande vilão da inflação durante a pandemia (Divulgação/Divulgação)

O setor alimentício foi o grande vilão da inflação durante a pandemia (Divulgação/Divulgação)

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Marcelo de Sá*

24 de janeiro de 2023, 10h20

Mesmo com o cenário de inflação alta persistente, a expectativa é de que o ritmo do aumento do preço de alimentos e bebidas no Brasil desacelere ao longo de 2023. De fato, nada que gere um conforto para o bolso dos brasileiros, mas a previsão de baixa na variação, em torno dos 5% no Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), já são suficientes para deixar a população menos receosa após um ano cheio de incertezas econômicas e elevações nos preços.

Desde o início da pandemia - que durou de fevereiro de 2020 a novembro de 2022 - o grupo alimentação e bebidas acumulou alta de 36,06%, tornando-se o grande vilão da inflação no país. Só no acumulado de 2022, houve um avanço de 10,91% até novembro, ante 5,13% do índice geral. Em 12 meses, a alta do segmento foi de 11,84%, contra 5,90% do IPCA.

Em 2023, a provável diminuição do progresso da economia global deve conter a demanda por commodities e frear os preços, gerando uma trégua para a inflação de comida e bebida no Brasil. Essa expectativa, aliada à retomada de antigos hábitos de consumo dos brasileiros, faz a indústria cervejeira estar otimista e projetar um aumento no faturamento de vendas para os próximos meses com o verão a todo vapor e o feriado de carnaval se aproximando.

As perspectivas são boas. Se em 2022 a venda de cerveja atingiu um patamar histórico, ultrapassando 15 bilhões de litros, com o setor cervejeiro movimentando mais de R$ 200 bilhões na economia brasileira, em 2023 as temperaturas devem subir com um cenário que promete manter o mercado aquecido.

Projeção de crescimento da indústria brasileira de bebidas

Os números são um alívio para o varejo, que amarga as consequências de uma economia estagnada. Após sofrer uma queda severa nos últimos anos, a indústria de bebidas está em alta novamente. O mercado de bebidas alcoólicas apresentou alta de 5,2%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo um dos setores que mais cresceram no Brasil no último ano.

Para 2023, a tendência é o consumo continuar avançando e a cerveja puxar o brinde. Com números expressivos, o Brasil se mostra um país cada vez mais cervejeiro, tanto no consumo da bebida quanto na produção.

Conhecida como uma das paixões nacionais, a “gelada”, bastante popular no país, vem ganhando nos últimos anos também a mesa dos apreciadores de uma bebida mais requintada.

Produzidas com versões de sabores sofisticados, com a intenção de oferecer ao consumidor mais exigente experiências únicas, as cervejas com composições refinadas vêm se expandindo, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país.

Diversidade de estilos e sabores estimula o consumo de cerveja

É sabido que exposto ao álcool nosso cérebro libera neurotransmissores associados à satisfação e euforia, responsáveis por aquela sensação de bem-estar. Além disso, a cerveja tem um efeito social, que pode trazer benefícios inclusive à saúde.

Entretanto, não é só quem bebe que fica feliz. O aumento da demanda de cerveja no Brasil agrada toda a cadeia produtiva da bebida ao incentivar, além da produção agrícola - com o cultivo do lúpulo como um dos principais insumos da cerveja -, a geração de emprego e renda no Brasil. Atualmente, o setor emprega cerca de 2 milhões de brasileiros.

Com a indústria evoluindo, o mercado torna-se mais competitivo, forçando produtores a inovar constantemente para agradar o freguês… ou melhor, a freguesa. Segundo pesquisa da Consumer Insights, o aumento de 27% no consumo de cerveja se deve principalmente às mulheres com idades entre 40 e 49 anos, que consomem geralmente a bebida com amigos em happy hours e festas.

Elas conquistaram o espaço de ‘bebedoras de cerveja’ e também de mestres cervejeiras. Recentemente, o Grupo Petrópolis lançou a FemAle, uma Strong Gold Ale desenvolvida e feita por mulheres, da brassagem ao envase.

Dados e iniciativas como essa só comprovam a máxima de que cerveja é coisa de mulher, sim!

Práticas ASG são o ponto-chave para manter o copo sempre cheio

Alinhada a uma das temáticas mais atuais do mercado global, a indústria da cerveja é considerada uma das mais sustentáveis do país. Com ações direcionadas a questões que envolvem pautas Ambientais, Sociais e de Governança (ASG), o setor cervejeiro vem atuando como protagonista, correspondendo aos anseios da sociedade no quesito sustentabilidade.

Já em 2021, uma pesquisa realizada pela KPMG, sob encomenda da Associação Brasileira de Bebidas Alcóolicas (ABRABE), revelou que 57% das empresas de bebidas apresentam iniciativas ou práticas relativas às políticas de meio ambiente e sustentabilidade, sendo que 83% adotam alguma iniciativa de reciclagem e 69% realizam ações para reduzir resíduos sólidos.

A cerveja Petra Origem Puro Malte iniciou pela cidade de Maragogi, em Alagoas, o projeto Petra Rotas Sustentáveis, que tem como objetivo revitalizar e levar soluções sustentáveis para os Pontos de Vendas (PDVs) de locais turísticos em que a marca está presente. Sete PDVs receberão novas fachadas feitas de materiais biodegradáveis e totens para promover as latas Petra Recicla. O intuito é tornar as lojas mais eficientes, econômicas e sustentáveis.

Entretanto, os esforços não se restringem a essa questão. O Projeto AMA, que promove ações ambientais nas regiões onde o Grupo Petrópolis possui unidades fabris, também tem no radar iniciativas de reflorestamento e educação ambiental que proporcionam benefícios como captação de milhares de toneladas de CO2 da atmosfera, retenção de bilhões de litros de água por ano, e restauração e enriquecimento de milhões de metros quadrados de áreas de Mata Atlântica.

E seja compensando os impactos dos estragos econômicos, sociais ou ambientais, lidar com crise parece ser um desafio já conhecido pela indústria cervejeira, que tem a capacidade e o talento de se reinventar e inovar constantemente para se superar e continuar entregando satisfação ao cliente, que certamente deseja enxergar sempre o copo meio cheio.

*Marcelo de Sá é CFO do Grupo Petrópolis, fabricante das marcas de cerveja Itaipava, Petra, Black Princess, Cacildis, Crystal, Lokal e Weltenburger Kloster, do refrigerante it!, do energético TNT e da água mineral Petra

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