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Glaucia Guarcello: 8 fatores de sucesso para iniciar a inovação aberta

Foco na entrega, organização do time e pontos de contato adequados fazem toda a diferença na hora de inovar

A inovação constante é crucial para o sucesso do seu negócio (Klaus Vedfelt/Getty Images)

A inovação constante é crucial para o sucesso do seu negócio (Klaus Vedfelt/Getty Images)

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Glaucia Guarcello

Publicado em 12 de dezembro de 2022, 16h30.

A inovação aberta consiste na criação de soluções em conjunto com agentes externos à organização, como centros de pesquisa, universidades, governos, empresas, startups e até mesmo concorrentes, que podem resultar em novos produtos, serviços ou negócios.

Existem diversos motivos e benefícios claros para inovar de forma aberta: catalisar o processo de inovação, acessar tecnologias e talentos, experimentar soluções alternativas, diluir riscos e custos atrelados à inovação, explorar potenciais inovações disruptivas, para citar alguns.

Porém, se inovar quando possui todo o domínio do processo, dos interesses e da cadeia produtiva já é difícil, imagine a complexidade adicional em alcançar isso em conjunto com diversos atores do ecossistema com objetivos e momentos distintos.

Ao acompanhar e gerenciar programas de inovação aberta, alguns fatores de sucesso ganham destaque:

Prometa o que você consegue entregar de fato

Assim como no mercado de negócios, o ecossistema de inovação valoriza a reputação das organizações. Desenhar programas de inovação aberta que prometem muito e entregam pouco descredibiliza a organização e desestimula agentes relevantes a se conectarem. O valor prometido na interação (capital, acesso a mercado, mentoria, desenvolvimento de produtos, propriedade intelectual, infraestrutura, etc.) precisa ser cumprido. Na dúvida, prometa menos e surpreenda entregando mais.

Prepare as suas pessoas

A participação de agentes externos nas rotinas organizacionais pode ser incômoda em culturas não preparadas. O time precisa entender os motivos para o desenvolvimento de inovações conjuntas, não se sentir ameaçado ou preterido em relação aos agentes externos e possuir incentivos e métricas corretos para as entregas de valor esperadas de sua atuação.

Tenha uma tese coerente com os veículos

O estágio da solução externa buscada para desenvolver ou implementar deve ser fruto dos objetivos estratégicos da organização. A depender da busca por soluções prontas para implementação ou para o desenvolvimento, de longo ou curto prazo, mais tecnológicas ou mais humanas, de domínio próprio ou compartilhado, veículos como programas de startup engagement, aceleração e incubação, corporate venture capital, venture cliente, P&D ou parcerias colaborativas podem ser mais ou menos adequados.

Atenção à customização exagerada

Vale ressaltar que os agentes externos possuem seus próprios objetivos estratégicos a alcançar. O excesso de customização de soluções às necessidades e realidades da organização podem destruir a capacidade de crescimento do agente externo em seu próprio mercado de interesse. A relação na inovação aberta precisa ser clara e de ganha-ganha para as partes envolvidas.

Encontre os agentes adequados

Os melhores agentes a se conectar para inovar de forma aberta são aqueles que possuem as complementaridades buscadas pela organização em questão, sejam estas tecnológicas, processuais, técnicas ou comportamentais. O fato é que a busca dos agentes que melhor atendem a este critério deve ser estratégica, intencional e proativa por parte da organização que busca inovar.

Defina pontos de contato claramente

Ao inovar em conjunto com agentes externos, defina em seu time pontos de contato que possam integrar estes agentes e apoiar no desenvolvimento e implementação das soluções. Esta definição prévia deve ser focada nas conexões que aceleram a criação de valor das inovações buscadas.

Tenha processos específicos e flexíveis

Justamente por envolver agentes internos e externos com agendas convergentes, porém distintas, são necessários processos específicos para as relações de open Innovation. Os papéis e contribuições esperadas de cada parte devem ser claros para todos os envolvidos. Porém, processos claros são muito diferentes de processos rígidos. As relações de open Innovation exigem ainda mais flexibilidade e agilidade de gestão.

Cuidado com a demora na tomada de decisão

A inovação aberta pode ser um grande catalisador do processo de inovação e da criação de uma cultura mais inovadora. Porém, agentes externos inovadores, por vezes, possuem um timing de decisão incompatível com a prática da organização, o que acarreta desperdícios e menor criação de valor. Celeridade nas decisões neste processo dinâmico é essencial.

A inovação aberta hoje não é mais opcional, porém, executá-la de forma a escalar seu valor exige disciplina, estrutura e muita colaboração de fato.

*Glaucia Guarcello é professora do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da FDC e sócia-líder de Inovação da Deloitte

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