Pesquisa da Glassdoor mostra que 76% dos millennials repensam a carreira e buscam formas de reduzir a dependência de um único emprego (Chay_Tee/Shutterstock)
Plataforma de conteúdo
Publicado em 19 de outubro de 2026 às 07h00.
Segundo pesquisa da plataforma Glassdoor, 76% dos trabalhadores millennials repensam seus caminhos profissionais e 68% adiaram marcos importantes da vida pela incerteza na carreira. Para reduzir a dependência de um único emprego, parte desses profissionais adota o “stability stacking”, combinação de redes de contatos, competências, reputação e fontes adicionais de renda.
Em tese, os millennials, atualmente com 30 a 45 anos, deveriam estar na fase de colher os resultados de uma trajetória profissional sólida. Apenas em tese. Segundo pesquisa da Glassdoor:
Esses profissionais, em maioria, já ocupam posições de gestão e se aproximam do topo da hierarquia, mas estão novamente questionando suas escolhas de carreira e tentando criar alternativas para reduzir a dependência de um único emprego.
A geração, que entrou ou avançou no mercado durante a Grande Recessão e atravessou as demissões em massa provocadas pela pandemia, agora enfrenta uma nova fonte de instabilidade com a expansão da inteligência artificial e as mudanças nas funções tradicionais.
O resultado da insegurança no mercado de trabalho que é fortemente percebida pelos Millennials é uma mudança na forma como parte desses profissionais pensa a própria carreira.
Em vez de depender de uma única fonte de estabilidade, passam a construir diferentes camadas de proteção profissional e financeira, movimento que a Glassdoor chama de “stability stacking”.
Uma das frentes é ampliar a rede de contatos antes que ela seja necessária, explica Bianca Junqueira, sócia e CRO da Jumpstart.
“Relacionamentos profissionais podem funcionar como uma espécie de reserva de oportunidades. Manter essas relações pode facilitar uma mudança de trabalho, um projeto ou uma parceria quando uma nova necessidade surgir”, diz.
Outra frente está na combinação de competências. Diante da velocidade com que a inteligência artificial começa a alterar tarefas e funções, uma abordagem baseada em habilidades ganha espaço, combinando conhecimentos relacionados à própria tecnologia com competências menos suscetíveis à automação.
Comunicação, capacidade de contar histórias, adaptação e outras habilidades humanas podem ganhar relevância justamente por complementarem o uso de ferramentas de IA.
A construção de uma reputação profissional fora dos canais tradicionais de contratação também passa a fazer parte dessa equação. Compartilhar publicamente conhecimento, opiniões e experiências pode gerar oportunidades que dificilmente apareceriam em uma busca convencional por emprego.
Produzir conteúdo, participar de discussões do setor ou tornar uma especialidade conhecida amplia a visibilidade profissional e pode transformar conhecimento acumulado em novas possibilidades de trabalho.
Criar uma fonte adicional de renda, seja por meio de trabalhos freelance, consultoria ou projetos paralelos, pode reduzir a vulnerabilidade diante de uma eventual demissão, desde que parte dessa renda seja destinada à formação de uma reserva financeira.
Nesse modelo, a carreira deixa de ser pensada apenas como uma trajetória linear dentro de uma empresa e passa a ser construída como uma combinação de competências, relacionamentos, reputação e fontes de renda.
Segundo pesquisa da Glassdoor, 76% dos trabalhadores millennials afirmam estar repensando ativamente seus caminhos profissionais. O levantamento também mostra que 68% adiaram algum marco importante da vida por causa da incerteza relacionada à carreira.
Os millennials, profissionais de 30 a 45 anos, enfrentaram a Grande Recessão e as demissões em massa provocadas pela pandemia. Agora, a expansão da inteligência artificial e as mudanças nas funções tradicionais representam uma nova fonte de instabilidade profissional.
O stability stacking é uma estratégia descrita pela Glassdoor em que profissionais constroem diferentes camadas de proteção profissional e financeira para reduzir a dependência de uma única fonte de estabilidade. O modelo combina relacionamentos, competências, reputação e fontes adicionais de renda.
Uma rede de contatos pode facilitar mudanças de trabalho, projetos e parcerias quando surgem novas necessidades. Segundo Bianca Junqueira, sócia e CRO da Jumpstart, manter relacionamentos profissionais funciona como uma espécie de reserva de oportunidades, que deve ser construída antes de se tornar necessária.
A combinação de conhecimentos tecnológicos com habilidades humanas menos suscetíveis à automação ganha espaço no mercado de trabalho. Comunicação, capacidade de contar histórias e adaptação estão entre as competências que podem complementar o uso de ferramentas de inteligência artificial.
Trabalhos freelance, consultorias e projetos paralelos são alternativas para criar fontes adicionais de renda. Essas atividades podem reduzir a vulnerabilidade diante de uma eventual demissão, desde que parte dos ganhos seja destinada à formação de uma reserva financeira.