Plano da prefeitura de SP prevê centro de "pós-internação" para usuários de drogas da cracolândia

De acordo com documento, dependentes em tratamento serão encaminhados para um novo centro de atendimento depois de serem internados no Hospital da Cantareira
O programa da prefeitura para retirar os usuários das ruas e do vício é o Redenção (Jorge Araújo/Fotos Públicas)
O programa da prefeitura para retirar os usuários das ruas e do vício é o Redenção (Jorge Araújo/Fotos Públicas)
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Agência O Globo

Publicado em 08/09/2022 às 19:41.

Última atualização em 08/09/2022 às 19:48.

Diante de um aumento na procura, a prefeitura de São Paulo elaborou um novo plano de internação de usuários de drogas que frequentam a cracolândia, no Centro de São Paulo. A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) acrescentou uma nova etapa ao tratamento já oferecido, para onde o paciente que sai da internação será encaminhado, chamado de "Centro de Cuidados Prolongados". O planejamento mantém as três modalidades de internação já em vigor: voluntária, involuntária e compulsória.

Segundo o secretário-executivo de Projetos Estratégicos da prefeitura, Alexis Vargas, a medida tenta amenizar a principal crítica ao programa da prefeitura que trata os dependentes: a falta de um local que acolha os usuários depois da internação.

"Estamos ampliando as formas de atendimento e qualificação da internação e da pós-internação. Depois que sair da crise, esse paciente terá para onde ir. É mais uma possibilidade oferecida para que ele não volte para a rua, para a prática na cracolândia. Estamos tentando recuperar sua autonomia e vínculo familiar", afirmou Vargas.

Vargas explica que a preferência "sempre será pela internação voluntária". Mas usuários que chegarem em estado de agitação e com risco à vida deles e de outros serão encaminhados para internação involuntária e, por fim, compulsória. O plano, feito pela Secretaria de Saúde em parceria com a Associação Filantrópica Nova Esperança, foi divulgado pela Folha de S.Paulo e confirmado pelo O Globo.

Ao contrário da internação voluntária, a involuntária acontece quando um médico, a pedido de terceiros, em geral da família, entende que o dependente precisa ser hospitalizado mesmo sem seu consentimento. Já a internação compulsória, mais rara, é quando usuário não tem um representante legal e, neste caso, cabe ao médico acionar o Ministério Público para um juiz decidir se ele deve ser internado.

O programa da prefeitura para retirar os usuários das ruas e do vício é o Redenção. Até então, ele tinha três fases: abordagem na rua; acolhimento com serviço médico e quartos temporários em duas unidades, a cerca de 3 km do fluxo, com 400 vagas; e três hotéis a pelo menos 10 km da cracolândia, com 150 leitos, para usuários morarem por, no máximo, dois anos.

Agora, o plano prevê a internação no Hospital Geral Cantareira, na zona norte da cidade, que disponibilizou 80 vagas para o programa com "estrutura para impedir fugas". Nessa fase, o paciente ficará de 15 dias a, no máximo, 90 dias. Prevê ainda o pós-internação no Centro de Cuidados Prolongados, com 40 vagas, a ser inaugurado na Barra Funda. Segundo as autoridades, o serviço terá atendimento clínico e terapêutico durante 24 horas, sete dias na semana, e contará com atividades como meditação, recreação e programação esportiva.

"O hospital é geral, você ocupa o centro hospitalar com todos os serviços clínicos e cirúrgicos. É para casos mais graves. No centro de cuidados, haverá mais atividades terapêuticas, com oficinas e atendimentos. Desocupa o leito e dá atendimento mais adequado à fase em que a pessoa está", diz Vargas.

Alta demanda

Vargas defende que a criação do novo plano se dá em meio a uma alta na procura por internação. Segundo a prefeitura, o encaminhamento de usuários para atendimento na segunda etapa no programa aumentou quase cinco vezes entre janeiro e julho. Vargas diz que, depois das operações policiais de dispersão de usuários da cracolândia, ficou mais fácil oferecer tratamento.

"Agora, sem a presença tão forte do crime organizado, as pessoas procuram mais e aderem mais à nossa abordagem", opina.

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