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Palocci acertou caixa 2 para Haddad em 2012, diz Mônica

O ex-ministro da Casa Civil teria avisado que parte do valor pago aos marqueteiros, seria por fora, utilizando recursos não contabilizados recebidos pelo PT

Haddad: a assessoria do ex-prefeito informou que o então candidato à Prefeitura de SP fez uma pesquisa de mercado e acertou o pagamento de R$ 30 mi ao casal (Fábio Teixeira/Site Exame)

Haddad: a assessoria do ex-prefeito informou que o então candidato à Prefeitura de SP fez uma pesquisa de mercado e acertou o pagamento de R$ 30 mi ao casal (Fábio Teixeira/Site Exame)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 12 de maio de 2017 às 06h50.

Última atualização em 12 de maio de 2017 às 08h46.

Brasília - O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda/Casa Civil nos Governos Lula e Dilma) acertou com a empresária Mônica Moura o pagamento de caixa 2 para a campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo em 2012, disse a delatora ao Ministério Público Federal (MPF).

Segundo anexo da delação premiada de Mônica Moura, Palocci apresentou a "exigência de sempre", ou seja, que parte do valor pago a ela e seu marido, o marqueteiro João Santana, seria por fora, utilizando recursos não contabilizados recebidos pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Seriam R$ 30 milhões oficialmente, enquanto o por "fora" ficaria em R$ 20 milhões. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto também participou das negociações devido ao "expressivo valor que seria pago por fora", segundo a delatora.

No anexo de sua delação, Mônica relata que foi orientada a procurar a Odebrecht, que ficaria responsável por pagar a maior parte por fora - R$ 15 milhões.

A forma de receber dinheiro teria sido acertada com o executivo Hilberto Mascarenhas, que chefiou de 2006 a 2015 o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como departamento da propina da empreiteira.

Teriam sido entregues R$ 5 milhões em dinheiro vivo em hotéis e flats. Mais R$ 10 milhões foram depositados pela Odebrecht em uma conta no exterior, informou a delatora.

Segundo a delatora, depois de cobranças a Antonio Palocci e João Vaccari, ela foi informada que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha se "comprometido pessoalmente" a ajudar o casal a receber os outros R$ 5 milhões referentes ao caixa 2 que teriam faltado.

"Vaccari disse que prepostos de Lula já haviam articulado com o empresário Eike Batista o pagamento e que agora, finalmente, eles receberiam", diz o anexo da delação.

A dívida de R$ 5 milhões da campanha de Haddad teria sido paga em meados de 2013 por Eike, também utilizando uma conta no exterior.

Procurada pela reportagem, a assessoria de Fernando Haddad informou que o então candidato à Prefeitura de São Paulo fez uma pesquisa de mercado e acertou o pagamento de R$ 30 milhões ao casal João Santana e Mônica Moura.

"Desses R$ 30 milhões, R$ 9 milhões foram pagos com a arrecadação da própria campanha e o restante, R$ 21 milhões, repassados para o Partido dos Trabalhadores, que negociou um parcelamento de 21 parcelas de R$ 1 milhão, que também foi quitado", disse a assessoria do ex-prefeito. A assessoria informou que o ex-prefeito não tem conhecimento de nenhum acerto fora o oficial.

O advogado José Roberto Batochio, defensor de Palocci, disse que ainda não conhece o teor integral do depoimento de Mônica. "Esse tipo de depoimento tem de ser recebido com grande reserva, porque costuma ser colhido sob um clima de extrema pressão psicológica", afirmou Batochio ao Estado.

Já o advogado Luiz Flávio Borges D'Urso, defensor de Vaccari, disse que a versão apresentada por Mônica Moura não é verdade. "Isso se trata exclusivamente de palavra de delator, sem qualquer embasamento probatório ou na realidade", rebateu o advogado.

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